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| ENTREVISTA | |
Tião Viana comenta votação pró-Renan e diz que crise vai continuar no Senado “Calvário só acaba se soubermos construir uma agenda de debates de interesse público”, diz senador acreano |
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O senador Tião Viana (PT-AC), vice-presidente do Senado, falou à imprensa logo após anunciar, como presidente da sessão, o resultado de 41 votos a 35 em favor da permanência do mandato do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) – houve seis abstenções. A entrevista mais longa do senador acreano sobre o assunto foi dada à jornalista Cristiana Lobo, da Globo News, cujos principais trechos são os seguintes: O senhor acha que o senador Renan Calheiros, diante de um resultado tão apertado, vai ter condições de continuar na presidência do Senado? Tião Viana – O sofrimento continua do ponto de vista da vida institucional dentro do Senado Federal. Os partidos estão sofrendo neste momento e isso não faz bem ao Brasil e a imagem da política perante a sociedade esse tipo de agonia, esse tipo de calvário. Mas isso também é da natureza da democracia. A maioria dos senadores fez o voto a favor do senador Renan Calheiros e tem que assumir a conseqüência e a responsabilidade pelo que fez. Eu só espero que o interesse da sociedade seja maior que a crise e nós tenhamos capacidade de dialogar, de superar este momento e achar as saídas. As saídas estão apontadas para o interesse da sociedade pelos votos da sociedade que o Senado tem que honrar. Então viveremos esse calvário por mais semanas ou meses porque essa foi a decisão tomada no dia de hoje, pela maioria. O senhor acha que esse resultado referendou a permanência de Renan Calheiros na presidência do Senado? Tião Viana – É um resultado que sacrifica a imagem dele perante seus pares, sacrifica perante aos partidos políticos, mas é uma decisão em que a maioria decidiu preservá-lo no comando da instituição. A nós cabe a humildade de respeitar a decisão da maioria. Agora, que viveremos essa agonia, que passaremos por esse sofrimento por mais tempo porque há mais três representações [contra Renan] que nos levarão a este tipo de enfrentamento diante da sociedade. E a sociedade questiona por que o Senado está tomando esta decisão. O Senado vai ter que explicar no debate e na busca do interesse público e, ao mesmo tempo, buscando o diálogo entre os partidos. Teremos que ser capazes de superar este momento da vida institucional que estamos atravessando. Na sua avaliação, o que aconteceu em relação às seis abstenções: omissão, vontade de passar adiante o problema? Para o senhor, o que quer dizer esse número? Tião Viana – Pessoalmente, acho que a abstenção é o pior dos votos. Acho que o voto contra é respeitável, o voto a favor também; a abstenção é ruim porque reflete que, num processo que durou mais de 120 dias, seis senadores ainda se acharam no direito de dizer que ainda não têm convicção. Eu acho que isso não é bom para a imagem da Casa, mas é o preço da democracia que permite o voto sim ou não e o voto do meio, da abstenção. O senhor acha que o Senado nesta situação tão dividida, tão acirrada – até na sessão secreta houve notícias de que houve acirramento nos debates – retoma seus trabalhos na medida em que o país precisa? Tião Viana – Eu espero e, sinceramente, com toda a intensidade, que isso possa ocorrer. O Brasil tem tanta coisa boa a receber do Senado Federal como instituição com uma vida de 187 anos. Se nós formos capazes de ter uma agenda a favor do interesse público, votando reformas como devemos fazer, votar aquilo que está em discussão como matéria de interesse da sociedade, vamos superar. Se não conseguirmos, vamos ficar nesse maniqueísmo da luta do bem contra o mal e agredindo a imagem e o real julgamento do que é uma instituição como é o Senado Federal. O senhor é do PT. Os senhores e o PT agiram como Partido da coalizão e ajudaram salvar Renan Calheiros? Tião Viana – Eu acho que o PT agiu bem liberando seus membros a votarem segundo suas convicções e eu reforço aqui o entendimento de que o Governo agiu com absoluta isenção, respeitou a instituição Senado Federal e suas prerrogativas. O governo não fez pressão e o Partido agiu respeitando a consciência de seus eleitores que são também seus militantes no exercício do mandato. |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
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| Com Roberta Lima |
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| Com Leonildo Rosas |
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