OPINIÃO
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Raimundo Ferreira de Souza *

 

A invasão dos cupins

Quem se dispõe a emitir algumas opiniões e divulgar através dos diários locais, ao longo do tempo, já deve ter se deparado com a típica situação em que assuntos anteriormente abordados sem qualquer repercussão, voltam aos noticiários e se tornam temáticas do momento, especialmente, quando se trata de matérias que alertam sobre catástrofes naturais, ou alguma anormalidade que implica em responsabilidade do poder público.

Nesse sentido queremos registrar o pequeno alerta que foi dado em 2001, quando relatamos em um artigo sobre a deficiência da principal corrente de água doce, o Rio Acre, mostrando que o desmatamento em suas margens iria causar o assoreamento do leito e a canalização dos esgotos “in natura” para o seu leito poderia exterminar com a fauna, a água tendia a ficar imprestável e em cadeia, a longo prazo, essa prática contribuiria para poluição do Rio Purus, que também já sofre com os efeitos das ocupações desordenadas em suas margens e que se não houvesse ações educativas, partindo da iniciativa governamental ou popular, o processo de degradação e morte das correntes naturais de água doce seria uma questão tempo.

Sobre a devastação do meio ambiente, especialmente, com referência ao propalado desenvolvimento sustentável, que ao nosso vê, a longo prazo não têm capacidade de garantir a manutenção da natureza de forma equilibrada, alertamos também em 2000, matéria intitulado “antes que a natureza morra”, que estávamos caminhando para uma situação de desequilíbrio ecológico evidente. É possível que quase ninguém leu e mesmo alguém que possa ter lido deve ter avaliado como algo sensacionalista.

Nesse último período de estiagem pode-se observar os efeitos catastróficos (climáticos e ameaça real de seca do Rio Acre), causados por vários fatores, certamente muitos deles alheios às circunstâncias locais, no entanto, se ações locais de preservação ambiental, oficiais ou de iniciativa popular, viessem sendo implementadas há algum tempo, a situação, especialmente sobre a preservação do Rio Acre, estaria em melhores condições e com perspectivas mais otimistas para o futuro.

Nessa oportunidade queremos abordar outro problema que até há poucos anos, especialmente ao longo da Br 364, só se constatava a partir dos municípios mato-grossenses, mas, já está presente no Acre e pelo visto com perspectiva de rápida evolução e se não houver medidas preventivas, em um futuro próximo, essa insignificante infestação no solo poderá ser motivo de preocupação para quem lida com as atividades da agropecuária.

Estou alertando para o perigo dos minúsculos conitermes cumulans, insetos que convivem em sociedade muito harmônica, habitam em ninhos, se subdividem rapidamente e transformam-se em colônias. Trata-se dos cupins-de-montículo, que podem ser visivelmente observados nas pastagens e áreas de plantações, com aparência em forma de morrinhos vermelhos sobressaindo da superfície do solo, os denominados cupinzeiros.

Quem viajar pelas rodovias, especialmente rumo a fronteira da Bolívia (Brasiléia) ou para Porto Velho (Br 364), pode observar a grande quantidade de morrinhos sobressaindo meio as pastagens ou sítios, havendo locais em que a colônia de cupinzeiros já apresenta vários ninhos. Estes insetinhos, aparentemente insignificantes, poderão ocupar o solo de tal modo que fica inviabilizado o cultivo de qualquer cultura e também para criação de qualquer animal, pois, eles infestam o terreno de modo a não existir espaço para qualquer atividade que não seja seus ninhos.

Quem percorrer de carro ou ônibus, as rodovias para sul do país, pode constatar a partir dos últimos municípios de Rondônia e prosseguindo nos municípios mato-grossenses, que existem propriedades totalmente invadidas pelos cupins-de-montículo, pois, até onde conseguimos enxergar, observamos essas localidades com o solo totalmente imprestável, com a aparência de paisagem de outro planeta.

A situação torna-se mais preocupante na medida que constatamos a grande capacidade de reprodução desses insetos, pois a cada ano, logo após as primeiras chuvas, uma grande quantidade dos cupins de cada ninho, transformam-se em alados, alçam vôos e em determinado local pousam, dispensam as asas, penetram no solo, depositam os ovos e dão inicio o outro ninho. No ano seguinte, esse novo ninhos já soltam outra revoada e dessa forma, rapidamente a colônia prospera como praga.

Devida a sua rápida capacidade de reprodução, a ação dos inimigos naturais são insuficientes para combater a infestação. Na época da revoada existe o ataque dos pássaros, depois de formado o ninho alguns roedores, lagartos, aranhas, formigas, tatus e tamanduás podem combater também a sua progressão, mas, esses controles naturais são impotentes para barrar a progressão da colônia.

Para controlar o avanço dos cupins, podendo até eliminar as colônioas enquanto a infestação está no início, aconselha-se perfurar o ninhos com uma barra de ferro, utilizando marreta, penetrar até atravessar a camada dura do cupinzeiro, aprofundar aproximadamente 20 centímetros abaixo do solo e introduzir pelo orifício produto químico, tipo de inseticida. Se o Acre não tomar essas providências, através de campanhas conscientizando os proprietários de terra, em breve esses pequenos insetos podem causar sérios problema aos criadores e produtores rurais.

* Documentalista da Ufac

 

 
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Rio Branco-AC, 13 de novembro de 2005
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