COTIDIANO

Vigilância Sanitária intensifica fiscalização do leite no Acre


Daniele Albuquerque

A equipe do Departamento de Vigilância Sanitária, de Em Rio Branco, aguardava, na manhã de ontem, apenas uma resolução da diretoria do colegiado para efetuar a apreensão dos 19 lotes de leites que foram interditados pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Pesquisas realizadas no laboratório de saúde pública de Minas Gerais, com amostras do leite das empresas Calú e Parmalat e Centenário detectaram que as mesmas estão fora dos padrões de qualidade e identidade do Ministério da Agricultura, contendo substâncias proibidas pela legislação.

Devido à ocorrência de fraudes, o Departamento de Vigilância Sanitária do Estado está intensificando o monitoramento nos leites pasteurizados e derivados produzidos no Estado, passando a coletar duas vezes por semana as amostras dos produtos para análise. Porém, a Anvisa só trabalha em cima da análise microbiológica que detecta a presença ou não de coliformes fecais e salmonela, o que causa ainda preocupação na população já que recentemente novas descobertas foram feitas.

Três semanas após a polícia federal deflagrar a operação Ouro Branco que denunciou um esquema fraudulento de adulteração no leite longa vida das empresas Calú e Parmalat, da Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale) e Centenário, da Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil) ainda hoje são encontradas irregularidades.

A imprensa nacional divulgou na semana passada outra informação que está deixando os consumidores desorientados. A notícia trata do resultado de uma pesquisa realizada pelo médico veterinário Luiz Augusto Nero em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), Paraná. Segundo a pesquisa foram encontrados resíduos químicos em 11,4% de 210 amostras de leite ‘in natura’ cru, recolhidos no Paraná, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. A pesquisa foi divulgada em junho deste ano e apresenta o resultado de coletas realizadas entre 2003 e 2004.

Segundo Nero, as substâncias encontradas podem ser tanto resíduos de agrotóxicos como de medicamentos veterinários para tratar os animais contra parasitas e da ingestão de alimentos ou água contaminados. Os resíduos não são eliminados durante o processo de beneficiamento do leite, como o UHT (em que o leite é aquecido a altas temperaturas) e a pasteurização (em que o produto é aquecido e resfriado). E embora ele não seja possível precisar se as substâncias estão em quantidade que causem danos a saúde do homem, Nero diz que em altos níveis os produtos podem causar alergias, defeitos de formação e contribuir para bloquear o efeito de outros medicamentos no corpo.

Nos supermercados de Rio Branco as opiniões dos consumidores estão se mostrando bem divididas. Para alguns as informações deixaram de ser preocupantes já que a adulteração vem ocorrendo há mais de um ano e até agora não foi anunciado nenhum caso de morte por conta dessa adulteração. Por outro lado ainda é possível encontrar dúvidas em alguns clientes.

Paulo Kalado, aposentado, diz que gostaria que houvesse maior esclarecimento dos órgãos locais quanto ao monitoramento do produto local. “Não sabemos se o leite que estamos consumindo está realmente livre de todas essas substâncias e não sabemos de quem cobrar também”, diz ele.

 

 
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Rio Branco-AC, 13 de novembro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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