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A FP e a luta entre o velho e o novo PC do B realiza conferência para discutir a unidade da Frente Popular no Acre |
![]() Deputado Edvaldo Magalhães falou sobre a formação da Frente Popular no Estado |
Representantes de todos os partidos da aliança foram lá ver e ouvir o que os comunistas tinham para dizer. E não foram poucas as novidades que o documento aprovado na Conferência trouxe a respeito do momento atual no Estado. A primeira constatação é de que uma guinada à esquerda é preciso. Os comunistas a chamam de “inflexão à esquerda”. Mas o que é isso? Para o PC do B a Frente Popular, nesses 17 anos de aliança, acumulou um “invejável patrimônio político” e que não pode ser desprezado assim, sem mais nem menos. É preciso salvaguardar essa “riqueza” e seguir em frente porque, segundo os vermelhos, “ainda temos muito a caminhar” O presidente reeleito do partido, o deputado Edvaldo Magalhães, relembra que na década de 90 o Acre vivia uma “época de incertezas”. Com o PMDB em franco declínio, forças oportunistas e de matiz ultra conservador se esforçavam para tomar o poder. A tentativa desses setores ficou conhecida com a “rondonização” do Acre. Foi nesse embalo que se reuniram partidos como o PT, o PC do B, PSB, PDT e outros, para lançarem a Frente Popular, uma versão local da Frente Brasil que apoiava a candidatura Lula para presidente. Os dois modelos se confrontaram logo de início. Os conservadores locais queriam a devastação das florestas do Acre, enquanto a Frente Popular propugnava o chamado Desenvolvimento Sustentável, ainda pouco debatido, mas que tinha na luta do seringueiro Chico Mendes sua maior referência. “O PC do B cumpriu um papel fundamental na construção da FP no começo de tudo e na última eleição [2006] propusemos o seu alargamento, sua ampliação para responder a uma necessidade daquele momento”, disse Edvaldo. “Agora a fase é outra. É uma fase nova e temos que ter uma postura nova também. Em alguns lugares do Estado a Frente Popular está com a cara zambeta. E o nosso posicionamento é o de não aceitar que aproveitadores, oportunistas e larápios do dinheiro público se vistam de Frente Popular e ganhem eleições. O PC do B não vai aceitar isso.” Rodízio de candidatos É consenso dentro do PC do B a idéia de que um só partido não pode monopolizar as candidaturas a prefeito no ano que vem, especialmente no interior do Estado. A deputada federal Perpétua Almeida, a mais votada em duas eleições seguidas, explicou a tese vermelha: “É preciso haver um rodízio de candidatos nos municípios. Onde o PC do B tiver nomes com possibilidades concretas, vamos lançá-los. Não dá para fazer a história do Acre mais sem o PC do B.” A parlamentar também disse que em 2010 o seu partido poderá ter mais de um candidato à Câmara dos Deputados. “Somos uma referência da boa atuação parlamentar e temos papel destacado no fazer político institucional do Estado. O crescimento do partido nos levou a assumir novas responsabilidades. Estamos amadurecidos para novas missões”, completa a deputada. Fortalecimento ideológico Os comunistas acreanos são um caso à parte no cenário político. Por oito anos um parlamentar do partido comandou a liderança do governo estadual na Assembléia Legislativa. E já caminha para nove, haja vista que com a morte de um deputado do PT, novamente o PC do B foi chamado pelo executivo para assumir o comando da política no Legislativo. Dirigentes vermelhos acham que cometerão um “erro profundo” quem apostar no esgotamento da Frente Popular para breve. O partido avalia que os desafios econômicos, sociais, e ambientais estão cada dia maiores e precisam de respostas à altura. Além disso, segundo o PC do B, nos municípios, a gestão dos recursos públicos ainda carece de mais transparência, que os comunistas chamam de “inanição ética”. “As conquistas alcançadas no plano estadual precisam se municipalizar”, afirma José de Sousa Lima, o Zequinha, da Câmara de Cruzeiro do Sul, a segunda cidade mais importante. Na avaliação dos que participaram da Conferência, a Frente Popular se agigantou e a fragilidade política na organização dos partidos mais ideológicos abriu caminho para que setores conservadores ocupassem “espaços privilegiados” no seio da FP. “E com isso eles trouxeram seus vícios para dentro da aliança”, diz o vereador Luiz Meleiro, de Tarauacá, onde a luta contra uma administração conservadora na cidade dá a tônica da disputa atualmente. O PC do B acredita que é preciso “haver ruptura” para que os velhos vícios não interrompam ou contaminem o caminho traçado desde 1992, na primeira vitória da FP. Os comunistas acreditam que é preciso experimentar “exemplos de gestões democráticas” nas prefeituras do interior do Acre. E isso só será possível com a eleição de prefeitos e vices-prefeito “comprometidos” com a unidade política, com um programa avançado de desenvolvimento e, principalmente, com “a saúde ideológica” da Frente Popular. Binho mais à esquerda O governador do Acre foi recebido pelos comunistas na Conferência com pompa e muitos aplausos. Chamado até de “comandante”, respondeu: “Com uma militância dessas não precisa de comandante”, sendo ovacionado pelas mais de 400 pessoas presentes ao auditório da Secretaria de Educação. Para o deputado Edvaldo Magalhães, o governo Binho Marques ainda não está plenamente conhecido. A eleição do governador, segundo o parlamentar, sustentou-se no coletivo e na participação dos militantes da Frente Popular, que souberam em pouco tempo transformar o secretário e vice-governador numa pessoa completamente conhecida em todos os municípios. Edvaldo diz que o programa de governo ainda está sendo implantado. “O governo Binho ainda não é totalmente conhecido. O seu programa é avançado e deixará resultados extraordinários no Acre. Mas para isso precisamos avançar à esquerda, manter a amplitude e lutar pela unidade da FP.” Edvaldo resume o que, em síntese, expressou o debate de dois dias de discussão da Conferência Estadual do seu partido. “Nosso futuro, da Frente Popular, será do tamanho da nossa sabedoria.” Quanto ao PC do B e às eleições municipais, explica as decisões tiradas entre os delegados: 1 - Construção de chapas levará em conta co-relação-de-forças e necessidade de proteger legado político e ideológico da FP. 2 - Qualidade de vida do povo 3 - Desenvolvimento econômico com sustentabilidade ambiental e justiça social 4 - Inflexão à esquerda E, por último, conforme Edvaldo Magalhães, o PC do B terá como objetivo central da sua “tática eleitoral’ construir as condições políticas para a realização de suas primeiras “experiências administrativas à frente de um governo municipal”. |
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