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Fera engolindo fera

A doçura da vitória e o amargor da derrota na escola dos negócios em que só sobrevivem os mais bem preparados


Turma da Doce Aroma comemora
a vitória conquistada em sua
aventura pelo mundo dos negócios


Juracy Xangai

Glamour e emoção marcaram a formatura dos jovens estudantes de quatro escolas públicas de Rio Branco que participaram do programa Junior Achievement. Criado em 1919 nos Estados Unidos com o objetivo de estimular o espírito empreendedor entre os jovens para que criem seus próprios negócios, o programa está concluindo o treinamento de 890 jovens acreanos neste ano.

“As iniciativas estruturantes são aquelas que tem capacidade de mudar a situação das coisas para melhor e o programa Junior Achievement é uma dessas iniciativas porque seu papel é formar uma nova geração de empreendedores construindo a esperança de um Brasil mais competitivo para brigar por espaço no cenário comercial dentro e fora do país”, afirmou a presidente do Conselho Administrativo da Junior Archievement, Érica Smargiassi. “Nesse treinamento, aprenderam que há altos e baixos no mundo dos negócios e desafios a serem vencidos a cada momento, nisso compreenderam que a riqueza se cria quando nós fazemos as coisas acontecerem. A honestidade gera dividendos e é importante persistir para vencer.”

Ela lembrou que o sucesso de cada equipe também é fortemente influenciado pelo apoio e incentivo que esses alunos receberam de seus próprios pais, em casa, como também dos professores, demais funcionários e colegas das escolas que representavam.

Aprender pelo exemplo

Durante o treinamento eles aprenderam todos os procedimentos desde a criação de uma empresa até colocar seus produtos no mercado, e ao enfrentar o desafio de criar uma microempresa Júnior, descobriram a doçura da vitória e o amargor da falência sem perder a coragem de se levantar de novo e seguir adiante.

Eles pertenciam às escolas públicas Glória Perez, Humberto Soares, José Rodrigues Leite e Darci Vargas. Tiveram o apoio especial de empresários como Edilene Maria dos Santos Lima, da transportadora Roda Viva, que como outros membros das 23 empresas mantenedoras do programa no Acre manteve contato direto com os alunos falando sobre sua experiência de vida à frente dos negócios. “Nós contribuímos com esse programa por entender que ele ajuda esses jovens a compreenderem melhor o mundo dos negócios, com isso estarão mais estimulados a criar seu próprio negócio para que vivam de forma mais independente e não como a maioria, que infelizmente sonha tornar-se servidor público. Não que isso seja desonroso, mas porque o setor produtivo e o mundo dos negócios são os geradores da riqueza que sustenta o Acre e o Brasil.”

Falência produtiva

Josiel Marques presidente da Recipet S.A.E. que fabricou cortinas modulares reciclando garrafas pet montada pelos alunos do colégio Humberto Soares declarou: “Acreditamos no apelo ambiental e descobrimos a dificuldade que é apresentar um produto alternativo ao mercado, mas valeu pela experiência porque aprendemos a entender o que leva uma empresa a ser competitiva e sobreviver no mercado. Nós falimos e ao contrário de perder, ganhamos conhecimentos que serão úteis pra toda vida”.

Sonhando um dia fazer medicina, Natan Lima, 16 anos, ganhou menção honrosa pelo esforço e responsabilidade com que se comportou buscando mais qualidade e resultados na empresa Recipet S.A.E. na produção das cortinas reciclando garrafas pet. “Investimos numa proposta ecologia alternativa para transformá-la em negócio rentável. Nos esforçamos muito, mas infelizmente o resultado com as vendas não foi bem o esperado porque o público ainda não conhecia bem o produto. Como diretor de marketing fui muito exigente para que garantíssemos um produto funcional e de boa qualidade, trabalhamos com seriedade, mas num ambiente descontraído e respeitoso”.

Ricardo Barbosa da Reciclart, empresa montada pelos alunos da escola Glória Peres para fabricar caixas e outras embalagens decorativas a partir de papel reciclado para vender chocolates caseiros, esclareceu que: “Pensando no meio ambiente, nós trabalhamos uma proposta de baixo custo, mas muito, muito trabalhosa, teve momentos que deu até vontade de desistir, mas encontramos soluções e alcançamos nossas metas de produção, embora as vendas não tenham atingido o esperado. Agora nós já sabemos os erros que não devemos cometer de novo para sobreviver num mercado tão competitivo”.

Orgulho do papai

Orlando Aguilar e a esposa estavam dentre os pais que foram prestigiar a formatura de seus filhos no treinamento Junior Achievement: “Quando minha filha Yheimy chegou em casa, explicou a proposta e pediu autorização para participar desse treinamento eu disse para que fosse ligeiro porque uma oportunidade dessas não acontece todo dia. E o resultado foi mesmo no caminho que eu esperava porque ela se comprometeu com a proposta, trabalhou muito, estudou e ganhou a compreensão de que é necessário estar bem preparado para sobreviver neste mercado cada vez mais competitivo”.

Voluntários

Além das 23 empresas privadas que em parceria com o Sebrae mantiveram o programa Júnior Achievement, o Acre teve, proporcionalmente, no país, a maior adesão de apoio da educação com os jovens recebendo orientadores da Uninorte, Iesacre e Max. Já no novo período de Engenharia Florestal pela Ufac, Anderson Bryan, 22 anos, embora sua universidade não apoiasse o programa, atuou como voluntário junto aos estudantes : “Minha esposa já faz isso há mais tempo, vim para ajudar mas aqui aprendi muita coisa que nem imaginava e, por incrível que pareça isto ajudou a despertar em mim um espírito empreendedor que ainda não conhecia. Fiquei tão animado que convenci quatro colegas a participarem como voluntários do programa e no ano que vem estaremos aqui de novo”.

Sabor da vitória

Doce Aroma S.A.E. empresa criada pelos estudantes da Escola José Rodrigues Leite para fabricar sabão líquido foi a que conseguir melhor resultado com a venda de 1.179 fracos do produto a R$ 1,0 cada um e que após ter pago as despesas com matéria prima, trabalhadores, impostos e ainda recuperado o capital dos acionistas que investiram dinheiro na firma, conseguiram um lucro de 38,65%.

Dentre suas vendedoras, destacou-se a jovem Vânia Nery que explicou seu segredo: “O importante é apresentar o produto ao cliente e, enquanto isso ir notando o comportamento dele, porque a gente precisa convencê-lo, se não funcionasse, apelava para que nos ajudasse porque estávamos participando de uma competição escolar, isso amolecia o coração deles. Experimentavam nosso produto e ainda pediam mais”.

O sucesso do grupo teve como ponto marcante a fabricação de um produto de baixíssimo custo de produção e grande uso pela população para lavar louças, limpar e desinfetar ambientes. Também pela ousadia empreendedora de seus integrantes que se comprometeram totalmente com a proposta indo às ruas e participando de outros eventos como forma de garantir o sucesso da empresa.

 
 
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Rio Branco-AC, 13 de dezembro de 2006
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