COTIDIANO

A luta pela liberdade do Santo Daime na Europa

Brasil e França unidos na expansão do desenvolvimento sustentável

Cedida
Claude Bauchet criou firma na
França para importação de
produtos da Amazônia brasileira


Flaviano Schneider

Tendo se aproximado do Acre através do Santo Daime, o francês Claude Bauchet montou uma firma comercial em seu país destinada a importar produtos da região amazônica. Mas não é qualquer produto. Há certos componentes fundamentais necessários nos produtos: devem ser orgânicos, sem utilização de agrotóxicos, fruto de desenvolvimento sustentável, sem exploração de pessoas, de preferência atividades que contribuem para manter a floresta em pé. A empresa trabalha especialmente com o comércio pela internet.

Segundo Claude, que é casado com a acreana Marinês, há um mercado crescente na Europa para produtos originários de florestas preservadas, no entanto as regras de importação na comunidade européia são rígidas e as empresas que se habilitarem a exportar terão que se adaptar a elas. Claude que passa seu tempo dividido entre a casa na Colônia Cinco Mil, em Rio Branco e o outro endereço em Saint Prix, nos arredores de Paris, está identificando produtos passíveis de exportações. Por ora, a Miragina de Rio Branco e a Tawaya, de Cruzeiro do Sul, são as duas empresas que têm seus produtos de acordo com as regras de exportação.

No entanto, os negócios tendem a se expandir. Claude quer firmar parcerias com cooperativas e quaisquer produtores da floresta para comercializar óleos como os de copaíba e andiroba, outros como guaraná, castanha e até mesmo a farinha e quaisquer outros produtos originários da floresta. Claude reafirma que por ser um trabalho temático, ele não poderá admitir nenhum produto que seja obtido através de exploração humana e de destruição da natureza. É exigência da clientela desses produtos um movimento muito forte na Europa de hoje. Até pequenos quesitos como uso de papel reciclável nas embalagens são itens importantes para consumidor europeu. A Tawaya embala seus sabonetes exclusivamente com papel reciclado.

Segundo Claude no site www.amazon-vie.com se pode obter mais informações.

Liberdade - Claude conheceu a Ayahuasca no Peru em 1996. Depois participou de trabalhos com Santo Daime no Sul da França e finalmente, em 1998, liderou a formação do “Centro Livre do Céu de Paris”. No ano 2000, os daimistas franceses foram vítimas de repressão por parte do governo francês, alguns foram presos, tachados de traficantes, e os trabalhos com o Daime ficaram paralisados.

No entanto, as acusações foram caindo uma por uma, depois de um longo processo. Todos os daimistas foram libertados e absolvidos na Justiça francesa. Três meses depois, isto, já em 2005, depois de terem ganhado a questão judicial, o governo francês expediu uma resolução proibindo as plantas Banisteriopis caapi (cipó jagube) e Psychotria viridis (folha Rainha ou Chacrona).

Claude explica que no momento os daimistas franceses estão com uma ação no Supremo Tribunal Federal de lá, que é o Conseil d’Etat. A ação está para ser julgada e Claude considera que o tribunal pode liberar finalmente o Santo Daime como Doutrina religiosa e liberação da bebida sagrada para as sessões. Segundo ele, as argumentações dos advogados estão muito bem formuladas.

A resolução do governo baseou-se num laudo do Ministério da Saúde, segundo o qual, o Daime era um problema de saúde pública, sem apresentar as provas para isso. Segundo Claude, o Ministério da Saúde não procurou os daimistas para saber seu estado de saúde, antes tratou a todos com discriminação. A resolução, portanto, foi arbitrária, à revelia da constituição e agredindo princípios constitucionais como a liberdade de culto.

Por outro lado, diz Claude, a banca de advogados também argumentou com os exemplos de Holanda, Espanha e Inglaterra, além do Brasil e EUA, onde o Daime é legalizado. Claude conta que em caso de derrota também no Conseil d’ État, ainda restará a apelação à Corte de Direitos Humanos da Europa.

Ainda há na Europa poderosas forças conservadoras, principalmente em países como França, Alemanha e Itália, que vêem a expansão da Ayahuasca como uma ameaça, disse Claude.

 

 
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