OPINIÃO
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José Cláudio Mota Porfiro *

 

 

Brasil Telecom, a fratura exposta

Fernando Henrique Cardoso e a trupe tucana, por pura falta de tino político, promoveram, no Brasil, o maior festival de privatizações de que a história do capitalismo internacional tem notícia. Venderam muitas empresas nacionais lucrativas, a preços módicos, para as ratazanas que vieram da Espanha, do México e de Portugal, entre outros, com o objetivo único de extorquir bilhões de dólares de uma nação dirigida por um grupelho que não via um palmo adiante dos narizes rotundos.

No grande embrulho, também foram empacotadas as ricas e famosas teles, como é o caso da nossa Teleacre, um exemplo pouco rentável se considerarmos a Telesp, a Telerj e a Telemig, entre outras vinte e uma que foram passadas, quase-de-mão-beijada, para que a ganância internacional usasse e abusasse como bem quisesse. Os ladrões espanhóis e mexicanos, especialmente, levaram a melhor porque estavam lidando, inclusive, com Armínio Fraga, à época presidente do Banco Central do Brasil e porta-voz do escárnio de tudo enquanto é gatuno estrangeiro de maior porte.

É claro que a Brasil Telecom age de muitíssima má fé, como todas, como não poderia ser diferente.

Pois bem. De março a setembro de 2006, cobraram-me R$ 225 ou R$ 230 por um telefone fixo através de débito em conta-corrente. A metade desse valor, em vista do uso da internet discada, sempre depois das vinte horas. Eu pagava sem reclamar. Ocorre que as faturas de outubro e novembro não apareceram na minha caixa postal, como têm aparecido nos últimos vinte anos. Mas os débitos na conta corrente continuaram em valores bem próximos dos anteriores. Eis, enfim, que, em dezembro e janeiro, reapareceram as faturas, só que, agora, cobrando R$ 461,22 e R$ 472,97. Duplicaram, na marra, um item importantíssimo do meu fraco orçamento de professor.

Foi então a vez de telefonar para um 0800 da Brasil Telecom. A mocinha do telemarketing, seguindo ordens, é claro, disse que eu teria de pagar pelo que consumi, “sim, senhor!” Como, antes, eu dissera ser do Acre, ela foi adiante e ameaçou arrogantemente: “o senhor será obrigado a pagar porque, do contrário, a empresa vai entrar com mandado judicial e vai penhorar seus bens ou mandar-lhe prender...” Fiquei estupefacto. Mas, depois, lembrei que ela age a mando dos ladrões do México e da Espanha.

Próximo passo. Fui gentilmente atendido por uma moça do Procon-Acre. Ela telefonou para a Brasil Telecom e pediu que especificassem o meu consumo, uma vez que a fatura nada especifica. Na de R$ 472,97 há, sim, os gastos com a internet (R$ 215,64). E o pulso além franquia é de R$ 219. Um acinte, posto que o telefone é bloqueado para celular e para chamadas a cobrar há cerca de três anos. A dona patroa, Sra. Simone Oliveira, permanece em casa, diuturnamente, pois está desempregada há dez anos, é de índole essencialmente econômica, presta atenção máxima aos gatos mínimos e tem um celular, como o meu filho de catorze anos também tem, como a própria funcionária... Ora! Eu não quero ter a santa paciência. Esses R$ 219 devem ser especificados por eles, uma vez que eu não posso pagar por aquilo que não tenho certeza de haver comprado.

Pior é que há cinco meses venho pedindo que seja instalado o sistema ADSL que fica a um custo de R$ 70. Mas eles se negam a instalar dizendo que não há vaga para a minha área - o meu Acre. Para eles, é bem melhor que eu pague parte da fortuna que não tenho a pagar esses míseros R$ 70, tão compatíveis com a minha realidade de funcionário público.

E a gentil moça do Procon interpelou a da telefônica. Ao que esta respondeu que o reclamante deveria entrar com uma ação nas “pequenas causas”, o que demanda tempo demais para quem precisa da linha porque pesquisa e escreve como colaborador institucionalizado de uma comunidade - a acreana - sempre alvo de discriminações.

Ora, senhores da magistratura. Esses cartéis internacionais são, exatamente, os mais bem colocados no ranking dos falsários que mais ludibriam o povo brasileiro, segundo o Procon nacional.

* Doutor em Filosofia e História da Educação pela Unicamp. Pesquisador da Ufac

 
 
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Rio Branco-AC, 14 de fevereiro de 2007
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Com Moisés Alencastro
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Da Redação
 
 
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