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VARIEDADES

Hoje é dia do Poeta

Uma saudação aos poetas que falam com a alma e transformam em sentimento tudo que seus olhos vêem

Cedida


Nada passa despercebido aos olhos dos poetas. Uma simples imagem, que geralmente não é observada no corre-corre diário das pessoas que vem e vão apressadas, ganha importância e brilho, assim como a pequena flor, que ao ser ofertada passa a ser especial. Dessa forma também podem ser traduzidas as obras da poetiza (radialista) Nilda Dantas (foto).

Para ela, o poeta é um invasor dos sentimentos alheios, da vida das pessoas, o ser que lida com o surrealismo e a ficção. Em 2000, Nilda lançou o livro: “Quase Nua”, onde fala da sensualidade vista pela janela dos seus olhos. A obra foi publicada pela Fundação Elias Mansour, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, mas outra já está a caminho e promete surpreender mais que a primeira.

Ela descobriu que sua capacidade é ilimitada no que se refere à poesia, e em seu segundo livro irá surpreender o leitor com uma linguagem diferenciada e caipira. Apesar do talento nato, Nilda não tem o hábito de ler poesias de outros autores. Nunca teve, mesmo antes de descobrir que tinha essa facilidade seus pensamentos e pontos de vista.

“O próximo livro que vou publicar chama-se; “Devora-me”, para o qual já estou com as poesias prontas, faltando somente passar pela avaliação da comissão julgadora da fundação. Acho que o segundo livro irá surpreender mais que o primeiro”, frisou.

Passando todos os dias pela praça do centro da cidade a caminho do trabalho, em 1993, Nilda compôs uma poesia para uma jaqueira plantada na praça do centro da cidade, quando essa ainda tinha frutos. A obra chama-se “Resistência” e está escrita no livro “Quase Nua”:

Fui testemunha de brigas, confidencia e gemidos,
Fui esconderijo das crianças e encosto dos cansados,
Homens, meninos e cães usaram-me e resisti.

Meus frutos perderam o viço mais ainda sou fértil,
Envelheci, estou deformada mais ainda tenho vida.

Com os olhos atentos, Nilda percebe que depois da construção da nova praça, o espaço da velha jaqueira foi cerceado e agora está morta. Suas raízes ficaram presas embaixo do concreto e ninguém fez nada por ela e nem a tiraram do lugar. O novo cenário rendeu uma segunda poesia que estará entre a coletânea do segundo livro da autora “Devora-me”:

Quem me cercou e prendeu não me conhece e nem aos meus,
Perdi minha liberdade depois de tanto sofrer,
Secou toda a minha seiva e não me deram de beber.

Quem só aprecia o belo passa rindo e não me vê,
Agora que mau respiro não posso sobreviver.

Já fui bonita e viçosa, enfeitei a cidade,
do meu verde e amarelo um dia terão saudade.

Minha aparência está feia e não se importam se eu morro,
Na hora em que eu cair já não terei mais socorro.

Com um programa de grande audiência da Rádio Difusora Acreana, Nilda Dantas conquistou uma legião de fãs de todas as idades, e neste dia do poeta estará entre os jovens e adolescentes da Escola José Rodrigues Leite, onde participará de uma gincana cultural.

“Fico feliz por ter despertado para a poesia que está na alma do poeta, assim como também acho que existe a hora certa de ela se manifestar. Me sinto privilegiada pelo convite de várias escolas, quando realizam eventos culturais. Este ano o meu primeiro presente veio da diretora da Escola José Rodrigues Leite, que vai realizar uma gincana cultural e serei entrevista pelos alunos sobre o meu trabalho com a poesia”.

 

 
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Rio Branco-AC, 14 de março de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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