COTIDIANO

Igualdade racial

Tema da Conferência Nacional, proposta por Lula, está sendo debatido em todo o país

 


Val Sales

A Secretaria Extraordinária da Mulher (SEM) ultima os preparativos para a 1a Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial, marcada para o período de 18 a 20 deste mês, no Anfiteatro Garibaldi Brasil, no campus universitário. O evento foi proposto pelo governo federal, visando a busca de saídas para a superação das desigualdades no país. Para ampliar o leque de debates, Luiz Inácio Lula da Silva instituiu 2005 como sendo o ano da Promoção da Igualdade Racial.

Abraçando a idéia, o governador Jorge Viana convocou a conferência que vai discutir o assunto e reunir todas as camadas sociais do Estado. A abertura está marcada para as 18, horas, mas a programação já vem sendo desenvolvida desde o mês passado em todos os municípios do Acre. O processo de discussão começou com a realização das Plenárias Regionais, cujo objetivo foi refletir sobre realidade acreana, sob a ótica do Estado e da sociedade civil organizada.

O Brasil é a segunda maior nação com presença de negros, perdendo apenas para a África. Apesar disso, as pessoas acabam negando sua identidade como forma de suavizar o preconceito fenotípico que lhe é atribuído. Elas acham mais fácil se assumir como pardo, do que afirmar que é negro.

De acordo com a secretária Extraordinária da Mulher, Mara Vidal, o momento deve ser aproveitado, pois existem grandes mudanças acontecendo no contexto nacional e estadual. “Não se pode esquecer que desde a abolição da escravatura (1888) é a primeira vez que se tem a oportunidade de participar e contribuir para um debate público sobre temas como este”, lembrou.

As plenárias regionais serviram para que as comunidades elegessem os temas prioritários a serem trazidos para a conferência estadual. Do mesmo modo, o encontro em Rio Branco vai servir como uma prévia para tirar propostas as a serem apresentadas na 1a Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (1a CONAPIR), que vai acontecer em Brasília, no período de 30 de junho a 2 de julho deste ano. O evento vai reunir representantes de todos os estados do país e convidados estrangeiros.

Nações indígenas

Uma peculiaridade que torna o Acre diferente, de outros Estados que também realizarão Conferências é a presença da população indígena nas discussões. Desde a criação da secretaria dos Povos Indígenas, muitos índios que não assumiam sua identidade estão voltando às suas raízes. Atualmente, 14 etnias ocupam reservas na região acreana e lutam para ter seus direitos respeitados. Com o sentido de valorização proposto pelo governo do Estado, as nações passaram a valorizar ainda mais as culturas e rituais que as diferenciam das outras comunidades.

Diversidade de cultura

A Secretaria Extraordinária da Mulher, e demais setores responsáveis pela discussão da temática, conseguiram reunir pessoas de varias denominações ligadas à cultura e a religiões como candomblé e o Daime. “Achamos importante aprofundar este tema para que possamos descobrir as riquezas culturais do Estado”, disse Mara Vidal. Nesse processo de discussão, o grupo descobriu que o Daime, religião característica desta região, possui alguns rituais que se assimilam aos rituais africanos e algumas delas foram fundadas por negros.

A medicina e a população negra

A anemia falciforme, caracterizada por uma alteração dos glóbulos vermelhos do sangue é uma doença que vem sendo amplamente estudada pela medicina. Trata-se de um problema para a saúde de 50 mil brasileiros, em maioria negros. A Organização Mundial de Saúde reconhece que a anemia é a doença genética mais popular do mundo, onde os pacientes precisam receber sangue com freqüência. A falciforme não tem cura, mas pode ser controlada com tratamento adequado. O problema surgiu na África e chegou às Américas com a imigração forçada de escravos. Com a miscigenação, pessoas de pele mais clara também passaram a apresentar a doença no Brasil. Os pacientes com anemia falciforme sofrem de icterícia, lesões de órgãos e sentem dores generalizadas. Elas têm mais propensão a problemas de saúde, como acidente vascular cerebral e infecções.

 

 
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Rio Branco-AC, 14 de maio de 2005
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