COTIDIANO

Tião defende democracia racial

Senador acreano diz que discriminação é o maior flagelo que envergonha a humanidade

 


Vasco Silva e Chico Araújo

Brasília - Representando a Presidência do Senado, em audiência pública realizada hoje na Subcomissão de Igualdade Racial e Inclusão comemorativa a abolição da escravatura, Tião Viana, vice-presidente da Casa, classificou a discriminação racial como “flagelo que envergonha a humanidade”. Viana lamentou ainda o triste fato de que essa prática “cresce em todo o mundo”.

Na oportunidade, destacou a participação do Senado no combate a essa discriminação, elogiando a louvável ambição da Casa de implantar a democracia racial. Nesse sentido, Viana conclamou as instituições públicas, juntamente com o povo, a se empenharem, com coragem e determinação, na luta efetiva contra o racismo.

A convite do senador, o presidente do Tribunal de Justiça do Acre, desembargador Samoel Martins Evangelista, participou da sessão especial que contou com a participação do jogador Edinaldo Batista Libânio, o Grafite; da ministra Matilde Ribeiro, da Igualdade Racial, e de ativistas do movimento negro no Brasil. Grafite foi homenageado durante a cerimônia.

Emocionado, Tião Viana lembrou a conhecida mensagem da Bíblia quanto ao nosso dever de amar ao próximo como a nós mesmos, exaltando a grandeza, o ato nobre e a coragem do presidente Lula em sua viagem à África de pedir perdão ao povo africano, sacrificado pelo longo “passado de escravidão”.

- Isso comprova que somos capazes de acreditar sempre na autodeterminação do povo brasileiro de fazer com que suas instituições públicas sejam um instrumento efetivo na construção do amanhã, onde se afirme de fato o amor pela pessoa humana.

Referindo-se à agressão discriminatória recentemente sofrida pelo atacante Grafite, do São Paulo Futebol Clube, que recebeu Voto de Solidariedade e moção de apoio a pedido do senador Paulo Paim (PT-RS), Tião Viana lembrou as palavras do apóstolo Paulo de que toda ferida se cicatriza. E que as feridas abertas pela discriminação racial sejam fechadas.

O jogador são-paulino foi vítima de ofensas racistas por parte do zagueiro argentino Leandro Desábato, durante partida entre o São Paulo e o Quilmes, da Argentina. Detido pela polícia, o agressor foi liberado dois dias depois de pagar uma fiança de R$ 10 mil.

Mácula - Não podemos deixar de combater, em todos os momentos de nossa atividade política, o odioso sentimento racista, mácula maior de uma sociedade que almeja a liberdade democrática e o respeito absoluto aos direitos humanos, ressaltou em discurso que pronunciou no evento. “Não nos acomodaremos enquanto as estatísticas oficiais demonstrarem a situação, ainda perversa, dos negros no Brasil”, asseverou.

Tião Viana lembrou ainda que todo o país terá oportunidade inédita de participar da Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, a ser realizada neste mês. Ali serão discutidas as políticas públicas com o objetivo de promover a reparação social “dos nossos irmãos segregados”.

Citou, como iniciativas práticas nesse sentido projetos como o Estatuto da Igualdade racial e o sistema especial de reserva de vagas para estudantes negros e indígenas.

Finalizando, convocou-nos a atentar para um lendário discurso proferido por Luther King em 1963: “Busquemos satisfazer a sede pela liberdade, tomando a taça da amargura e do ódio. (...) Sempre e cada vez mais, devemos nos erguer às alturas majestosas de enfrentar a força física com a força da alma”.

 

 
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