| OPINIÃO | ||
| CRÔNICA DE DOMINGO | ||
José Augusto Fontes |
||
Causa de mãe Minha mãe, mães que vi e vejo, sinto, não alcanço. Por onde passam, seus olhos e mãos deixam rastro de carinho, rastro que a gente vê e segue, mas ninguém imita, senão outra mãe, com mãos e olhos. Abraçada a causa, o ser torna-se conceito, realiza a definição de amor, dizer parece fácil. Pelo mundo, nos olhos que vemos, quase sempre há uma cortina, ou uma porta falsa, ou um fundo inacessível. Nos olhos do mundo há algo escondido, quase sempre. Quase nunca, muitos olhos se dão a ver. Não os das mães. Nestes, nada há por trás, nada há demais, tudo é entregar-se, parece simples. Mãe que não dorme olhando filho, mãe que vigia caminho por onde filho anda, mãe que se perde seguindo filho, esperando, segurando, guardando, querendo, sempre se dando. Mãe que se encontra em filho, mãe que segura na mão, que aperta o coração, que não há explicação, me ajuda, mãe. Meu filho, minhas filhas, minha mãe, as suas mães, eu vejo, nesses olhos, que o que vejo não imito. Também vejo que os filhos vêem que os olhos das mães olham diferente, que as mãos delas seguram e soltam de outro jeito, que por onde passam fica um rastro, que todos vêem mas não seguem. Abraçada a causa, torna-se o ato razão de vida, torna-se a vida conexão, o passo vira extensão. Toda mãe é minha, mas não mais que a minha, devoção. Desertos atravessados, florestas desencantadas, águas passadas, caminhos vencidos. Do parto ou do abraço, mãe, te reconheço, mas não é tudo. |
||
|
||
| COTIDIANO |
| COLUNAS |
| EDITORIAL |
| ENTREVISTA |
| ESPECIAL |
| ESPORTE |
| POLÍTICA |
| OPINIÃO |
| VIA PÚBLICA |
| VARIEDADES |
| EDIÇÕES |
| EXPEDIENTE |
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
| |