Cadê a água?
Há um mês o repórter fotográfico deste matutino Regiclay Saady fez um flagra só permitido em épocas excepcionais, convencionadas pela natureza. Era um daqueles dias de enchente, quando o rio extrapolava alguns centímetros de sua cota de alerta.
O alto nível das águas encorajava meninos do bairro 6 de Agosto a praticar um esporte um tanto radical: saltar da ponte de concreto de “facada”, como dizem por aqui.
Os saltos, bonitos e assustadores ao mesmo tempo, faziam com que os carros passassem pela ponte desacelerados e pedestres ocupassem boa parte de calçada, na tentativa de presenciar o espetáculo.
Mas isso já faz um mês. Hoje, nenhum garoto do bairro 6 de Agosto se atreve a fazer isso.
É que mais de 10 metros do nível das águas evaporaram, restando apenas 3,86 metros, o ideal para quebrar um braço ou o pescoço de quem se atrever a pular de “facada”.
Tudo indica que a grande vazante é o anúncio de mais um ano de estiagem, semelhante ao de 2005, quando os bairros de Rio Branco ficaram desabastecidos devido à falta de água no Rio Acre.
Ninguém gostaria de rever os bancos de areia no meio do rio, tampouco ribeirinhos atravessando o afluente a pé, imaginando o dia em que ele voltará a ter um nível normal.
É triste, mas é uma previsão e toda a população deve estar preparada para o possível caos. |