| POLÍTICA | |
Câmara de Tarauacá afasta prefeito Vando Torquato é acusado de cometer várias irregularidades administrativas, inclusive corrupção |
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Desde que assumiu, em janeiro de 2005, Torquato vem sendo denunciado por seus opositores. É acusado de crimes de corrupção e enriquecimento ilícito. As suspeitas aumentaram porque, antes de tomar posse, conforme declaração de bens apresentada à Câmara, suas posses se limitavam a uma motocicleta e uma casa em construção. Logo no primeiro mês, o prefeito passou a comprar gado. Quatro meses depois já tinha uma fazenda. Na época, quando foi questionado sobre a rapidez do seu progresso pessoal, respondeu que não ia “ser besta para terminar o mandato pobre e depois ter que vender ovos de galinha para sobreviver”, referindo-se a um dos ex-prefeitos que sobrevive hoje dessa atividade. Quando Torquato estava no quinto mês de mandato, uma CEI foi instalada para investigar denúncias de superfaturamento e contratos irregulares com empresas para a coleta de lixo. O processo está tramitando na Justiça. Novas denúncias sugiram. Torquato foi novamente denunciado de ser o dono de uma fazenda adquirida por um empreiteiro amigo e prestador de serviços à prefeitura. Segundo a pessoa que vendera a propriedade, o pagamento foi levado em uma sacola pelo empresário. Meses depois, o prefeito passou a transportar gado para a mesma propriedade. Hoje, ele assume que a fazenda lhe pertence. Ano passado, o mesmo empreiteiro comprou próximo à mesma propriedade uma outra fazenda. O pagamento foi feito também com dinheiro em espécie. Há suspeita da oposição de que Vando Torquato seja o proprietário desse imóvel rural. No início deste ano mais denúncias. Desta vez, a acusação foi de comprar gado roubado da fazenda do ex-deputado Franesi Ribeiro. Mas as denúncias mais graves ainda estavam por vir. O vice-prefeito César Melo declarou que o prefeito comanda um esquema de superfaturamento na compra de medicamentos e equipamentos de saúde, denúncia reforçada pelos vereadores Raimundo Maranguape de Brito e Chico Batista, ambos do PDT, partido que pertencia à base sustentação de Torquato. Instalação da CEI - Em função da gravidade das denúncias, a Câmara de Vereadores decidiu instalar uma CEI para proceder averiguação. O requerimento de criação da comissão foi assinado por unanimidade. No decorrer das investigações, Torquato passou a obstruir os trabalhos, deixando de responder as informações solicitadas. Em seguida, o prefeito resolveu contra-atacar, denunciando o relator da comissão, seu ex-aliado Chico Batista, de está envolvido em desvio de dinheiro da prefeitura referente à construção e reformas de escolas. Por meio de uma liminar na Justiça, o prefeito conseguiu afastar o relator. Mesmo com Chico Batista afastado, Torquato continuou omisso em relação aos pedidos de informações da Câmara. Quando percebeu a reação dos vereadores com o intuito de afastá-lo, realizou intensa movimentação fazendo reuniões com vereadores, oferecendo-lhes, segundo um dos participantes da reunião, cargos e vantagens pessoais. Segundo o presidente da Câmara, vereador Hugo Júnior (PC do B), na semana passada Vando Torquato foi à sua casa, acompanhado de um empreiteiro da cidade, convidá-lo para ele se filiar em um partido novo para ser seu candidato a vice-prefeito nas eleições do próximo ano. Ofereceu, ainda, a Secretaria de Obras para ser ocupada pelo seu pai, Hugo Oliveira. A contrapartida seria barrar as investigações. Ontem à tarde, a Câmara expediu decreto comunicando a decisão à Justiça, ao Ministério Público Estadual e ao prefeito. Segundo o vereador Chico Batista, os atos de corrupção são tantos que a população ainda não sabe a metade. Ele cita o caso de um convênio de R$ 370 mil, referente à pavimentação de ruas. Garante que 80% desse valor foi desviado. Batista assegura que tijolos que eram para ser adquiridoscom os recursos do convênio foram fornecidos da cerâmica do município. Os serviços de base e aterro tiveram sua execução com as máquinas da prefeitura. A empresa contratada para executar os serviços recebeu apenas o valor referente à mão-de-obra. Cita, ainda, o caso de uma área de terra de propriedade da prefeitura que o prefeito repassou para um particular como pagamento de acordo de campanha. Com o afastamento de Torquato, o vice-prefeito César Melo, que está em Goiânia, já foi comunicado. Deve voltar às pressas para tomar posse interinamente. |
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