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| OS CUSTOS DA INTEGRAÇÃO (parte 1) Acreanos mais uma vez se superam e fazem da construção da BR-364 a verdadeira epopéia amazônica |
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“Não é uma obra, é uma universidade”, disse, suspirando, o engenheiro Fernando Moutinho, um dos responsáveis pelo asfaltamento da BR-364 no trecho entre Tarauacá e Cruzeiro do Sul. Ele se referia aos ensinamentos amealhados no dia a dia-da-obra, na sobreposição obrigatória das adversidades e nas intensas pesquisas e estudos realizados para entender a natureza da região (porque cada trecho da obra é uma história diferente) e seguir superando obstáculos. Como nos feitos heróicos de Ulisses, a criatividade e a bravura de muita gente foram postas à prova. Depois de um ano de estudos e simulações em laboratórios do Acre e de São Paulo, o engenheiro Salvador Almeida criou um sistema para aproveitar o solo do tipo montemoreronita, a popular tabatinga, e o inferno virou céu: aos 59 anos, formado pela Universidade de São Paulo (USP) no núcleo de engenharia de São Carlos (SP), Salvador reinventou a defenestrada tabatinga e passou usá-la na fundação de terraplagem, uma espécie de base para assentamento de outros solos. Considerada extremamente fraca, a tabatinga até então era o terror de engenheiros e motoristas. Basta uma pequena chuva e ela se transforma num barro grudento e veículo algum consegue ultrapassá-la. A técnica não é nada muito difícil, bastando que se faça uma compactação em grau que impermeabilize a tabatinga. Em seguida, é “envelopada” em outros solos e pronto: a vilã agora é festejada. “Os custos foram reduzidos em cerca de 20% por quilômetro de terraplanagem porque agora não temos mais que importar solos”, diz, faceiro com a invenção, o técnico, que possui título de especialista em pavimentação e terraplanagem. Ver a tabatinga sendo usada deixou o governador Jorge Viana com ar desconfiado. “Estão usando tabatinga?”, perguntou Viana ao secretário Sergio Nakamura. Dele ouviu algumas explicações, detalhadas mais tarde pelo dono da invenção. Salvador tem tanta segurança no “envelopamento” da tabatinga que irá apresentá-lo ao comitê científico da Associação Brasileira de Pavimentação, que reúne professores, pesquisadores e instituições que atuam com pavimentação no País. Recicladora – O governador fez nesta última quarta-feira uma viagem desde Tarauacá até Cruzeiro do Sul, trecho que pretende entregar em grande parte asfaltado e com plenas condições de tráfego até o fim de seu mandato. Nessa viagem, Viana ganhou mais convicção de que jamais será possível construir uma boa estrada no Acre - no máximo, consegue-se fazer um asfalto razoável. São tantas as dificuldades que os custos são diferenciados e obrigam a uma logística de guerra: o seixo, por exemplo, sai da região de Japurá, na fronteira com a Colômbia, no Amazonas. Viaja 3.410 quilômetros de balsa pelos rios Japurá, Madeira, Juruá e só então consegue chegar a Cruzeiro do Sul. Para cortar a terra compactada seriam necessárias três máquinas diferentes, além de um caminhão-pipa para umedecer o material. Para reduzir custos e otimizar a logística é necessário investir em tecnologia de ponta. Foi o que fez uma das empreiteiras ao comprar uma máquina conhecida como recicladora, que trabalha a terra de modo que ela fique com até 20 centímetros de altura, mantendo-a com a taxa de umidade estabelecida pelo operador. Só existem três exemplares dessa recicladora no Brasil. Seu preço passa dos US$ 2 milhões. Há números que sequer passam pela imaginação das pessoas que já viram estradas serem construídas em regiões onde o solo é mais forte e há facilidade de se encontrar pedra e transportar o material: os cortes que tiveram de ser feitos na terra para reduzir a menos de 6% as ondulações do terreno chegam a 40 metros de altura, algo comparável a um edifício de treze andares. Para efeito de comparação, não há em Rio Branco nenhum prédio com essa altura. As regras de inclinação foram ditadas pelo Departamento Nacional de Infra-Estrutura Terrestre (Dnit). Mas não é só isso: ao fazer os cortes com tal dimensão, as máquinas acabaram encontrando lencóis freáticos, que são rios subterrâneos. Esses lençóis tiveram de ser rebaixados e drenados com canos para evitar contato com a terraplanagem. Na década de 70, na falta da melhor tecnologia, o Exército chegou a enterrar enormes toras de madeira para separar a água do aterro. Anos depois, a madeira apodreceu e o solo ficou destruído. “É uma epopéia”, repetia o governador. “No Acre só dá para fazer a estrada do possível.” Supervisão - A falada logística de guerra não é uma teoria. Para garantir a qualidade a obra, o Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (Deracre) contratou o Consórcio Lenc, de São Paulo, que mantém quatro equipes percorrendo os trechos em andamento, observando, analisando e sugerindo correções quando necessárias. No total, 23 técnicos supervisionam a obra. DE ONDE VEM OS EQUIPAMENTOS Insumo - Origem/Destino - Distância - Tempo Ponte sobre Pirajá sofre escorregamento de aterro e uma nova já está sendo construída A ponte sobre o igarapé Pirajá, no trecho entre Tarauacá e Cruzeiro do Sul, foi construída no governo de Orleir Cameli e sofreu um escorregamento de aterro, obrigando a mudanças tão importantes que terá de se construir uma obra nova ao seu lado. A ponte nova terá 46 metros de extensão. A anterior era de 25 metros. As novas medidas permitirão que o aterro das cabeceiras seja espalhado e faça menos pressão sobre a base. Cameli e Jorge Viana são os dois únicos governadores que construíram estradas no Acre - e Viana é o responsável pelo maior processo de integração rodoviária na história do Estado. Apenas em pontes nesse trecho, já são 1,2 quilômetros construídos. Outros sistemas de condução de água, como galerias triplas, duplas e simples, estão espalhados ao longo de toda a rodovia desde Sena Madureira até o Vale do Juruá. Chamadas de obras de arte, muito pouco resta para ser implantadas em galerias e bueiros. Para Jorge Viana, construir as pontes foi a melhor medida para garantir o bom tráfego no maior prazo possível naquela rodovia. Em anos anteriores, mesmo com a estrada em condições de trânsito, passar rios e igarapés não era fácil. Entre Tarauacá e Cruzeiro estão sendo construídas mais quatro pontes, além do Pirajá. A meta é entregá-las ao uso público ainda este ano. CONSTRUÇÃO DE PONTES NA BR-364
PONTE EXTENSÃO METROS Período 2006 Integração do Juruá gera crescimento econômico maior que média brasileira, diz Siqueira O grande objetivo de Jorge Viana é integrar os municípios do Juruá pela BR 364 até o final de dezembro. Ou seja: a partir de Feijó, todas as cidades ao longo da rodovia terão acesso por terra assegurado o ano inteiro. A BR foi reaberta ao tráfego no mês passado pelo oitavo ano consecutivo e muita coisa já começa a mudar na região, desde Sena Madureira até as cidades mais distantes. Queda de preços em mercadorias, reencontros de pessoas, integração cultural e novos negócios são parte do fenômeno gerado com a rebertura da estrada. Asfaltá-la, portanto, é consolidar esse processo. “Vamos ver nesta região o que se vê no Vale do Acre. Nosso Estado registra crescimento econômico anual de 6%, o dobro da média nacional”, afirmou Gilberto Siqueira, secretário de Planejamento que acompanhou o governador na inspeção às obras. Até o final do ano, o Governo do Acre conclui o processo de licitação dos sete últimos trechos que farão o asfaltamento de Sena Madureira a Feijó. “Assim, deixo para o governador seguinte a possibilidade de concluir toda o asfaltamento dentro do seu mandato”, disse Viana. Ambiente de parceria e harmonia política sustenta obras e programas O governador Jorge Viana e seus aliados criaram um ambiente de harmonia política, estabelecendo relações sérias, respeitosas e cheias de êxito. Compuseram ainda uma teia de parcerias que envolve o Presidente Lula, a bancada de parlamentares em Brasília e no Estado, prefeituras e instituições. Somente a partir desse trabalho foi possível, por exemplo, levar adiante as obras da BR 364 com suas dificuldades e adversidades extremas. “Manter esse ambiental é fundamental para o Acre”, disse o deputado Edvaldo Magalhães, líder do Governo na Assembléia Legislativa. Sem isso, o Estado poderá sofrer todo tipo de revés e derrotas, alerta o governador Jorge Viana. “O Acre já viveu muito no atraso”, disse ele, referindo-se à necessidade da manutenção da paz política no Estado. |
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