OPINIÃO
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Paulo Moura *

 


Contato com a natureza: Lago do Amapá

Conhecer o Lago do Amapá é quase uma ordem para quem se diz acreano de coração, pois tão próximo do centro de Rio Branco e tão pouco divulgado, faz deste local um esconderijo desconhecido. Devido a falta de sinalização, o Rio-branquense não conhece uma preciosidade natural e original, que é uma verdadeira floresta, optando assim por balneários como Fortaleza do Abunã e outros, gastando muito mais do que poderia gastar se ficasse por aqui, gerando emprego e renda para a comunidade desenvolver o eco turismo ou o turismo sustentável.

A Área de Preservação Ambiental do Lago do Amapá é uma ótima alternativa para quem gosta de passar finais de semana e feriados ou mesmo um dia em contato com a natureza e o local só precisa de uma infra-estrutura para desenvolver o eco turismo e envolver a comunidade nesse novo ramo que é uma realidade, nessa modalidade dentro do turismo, já que grande é o número de pessoas que se desloca para chácaras e sítios de amigos ou parentes por já não agüentar os programas rotineiros que inclui ficar em frente da televisão ou na internet balançando a perna, e vivendo num mundo virtual.

A sensibilidade e a interação com a natureza fazem o homem refletir e purificar seu pensamento em relação ao que veio fazer nesse plano e, ao visitar esse local, você ganha não só conhecimento, como também o sentimento de ser acreano, de gostar e de valorizar do que fomos e somos.

A APA do Lago do Amapá recentemente foi visitada por americanos que passaram uns quinze dias dentro da floresta, acompanhados pelo Senhor Gurgel, que é um antigo morador que nasceu dentro de uma embarcação que vinha do nordeste rumo ao Acre na época da Revolução. Os americanos tanto que gostaram, que patrocinaram a abertura de trilhas de mais de duas horas, que tanto servem para desenvolver caminhadas ecológicas quanto pesquisas científicas e conhecimentos de sobrevivência na selva.

Visitar a APA do Lago do Amapá é algo mais que conhecer: é parar para observar o que foi o inicio da vida do seringueiro e apreciar com olhos de quem foi e é o responsável pelo o que ainda resta de natural e que está ao alcance de todos, como aquele silencio que é quebrado pelo cantar dos pássaros e o vento que sopra na copa das grandes arvores, inclusive uma gameleira original; diversas flores silvestres; passear de canoa. E a paz que é estabelecida, é o encontro de você com você mesmo. Isso é o que aconteceu também com um grupo de gaúchos que veio visitar esta verdadeira floresta, quando então duas mulheres ficaram agarradas nas arvores, chorando, ao se despedir deste maravilhoso encontro natural que um dia também tiveram.

Para chegar a APA do Lago do Amapá, os interessados deve ir até a Via Verde e na segunda rotatória, entrar na antiga Estrada do Amapá e em seguida no Ramal do Gurgel, onde podem encontrar moradores que estão dispostos a auxiliar no que precisarem como o Senhor Raimundo ou o Senhor Gurgel e ainda outros que nasceram e cresceram brincando ou trabalhando na extração de borracha. Junto a estas pessoas você pode se esbaldar de informações, relacionadas à época da Revolução Acreana ou até mesmo conhecer várias receitas para a cura de doença, advindas da sabedoria popular, utilizando recursos naturais como a unha de gato, o jatobá, a andiroba, a copaíba, que é um dos mais potentes cicatrizantes conhecidos da flora amazônica.

Como a maioria dos medicamentos industrializados é retirada da natureza, a enorme variedade de árvores e ervas medicinais encontradas na APA do Lago do Amapá se constitui em verdadeira preciosidade natural ainda intacta.

* Acadêmico de turismo da FAAO (paulocamarada@yahoo.com.br)

 

 
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Rio Branco-AC, 14 de julho de 2006
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