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Festa do Pirarucu em Manuel Urbano Manejadores de fauna vão comercializar carne dos peixes arpoados no lago Santo Antônio |
![]() Pescadores preparam mantas de pirarucu para serem salgadas |
O primeiro Festival do Pirarucu Manejado acontece de sexta a domingo desta semana, em Manuel Urbano, onde os visitantes terão a oportunidade de provar pelo menos 13 tipos de pratos preparados com o pescado fresco ou salgado. A carne vem dos peixes abatidos durante toda a semana passada no lago Santo Antônio, pouco acima da balsa de travessia do Purus. Ali, os associados da colônia de pescadores Z-7 e ribeirinhos têm um dos três lagos onde é feito o manejo do pirarucu em Manuel Urbano. A primeira despesca coletiva do pirarucu autorizada pelo Instituto de Meio Ambiente (Ibama) em apoio ao projeto de Manejo de Pirarucu do Alto Purus que vem sendo executado desde 2002 pelo governo do Estado através das Secretarias de Assistência à Produção Familiar (Seaprof) que trabalha em parceria com a Fundação para a Vida Selvagem (WWF – Brasil) e a Secretaria Especial da Pesca da Presidência da República (Seap-PR). Ibama, prefeitura de Manuel Urbanp, a Ufac e Colônia de Pescadores Z-7 e Imac apoiam a realização do festival. O trabalho de manejo atinge seis lagos, beneficiando mais de 600 famílias em Manuel Urbano e Sena Madureira, onde a colônia de Pescadores Z-3 também apóia as atividades, que a partir de agora começarão a ser expandidas para outros lagos existentes ao longo do Purus e seus afluentes. “A proposta de criação desse projeto veio por parte das próprias famílias de pescadores e ribeirinhos que participavam do Fórum Municipal de Pesca de Manuel Urbano. A partir daí, buscamos orientação e assistência técnica através do pesquisador Marcelo Crasso, que trabalhava no projeto de pirarucu do Inpa na ilha de São Miguel, em Santarém, no Pará”, explica Carlos Leopoldo Lima de Oliveira, coordenador do Projeto Alto Purus pela Seaprof. Foi de Santarém que, além da tecnologia para o manejo e criação de pirarucus, vieram também os pescadores Juvenal Silva Pinto e Raimundo Pinto Rocha para ensinar aos manejadores acreanos a técnica de arpoamento e abate dos animais. Também ensinaram macetes na hora de tirar a camada de escamas, o corte das mantas de carne, bem como sua conservação fresca ou salgada. Os pescadores foram trazidos por Antônio Oviedo, um dos coordenadores do WWF-Brasil que acompanhou todo o trabalho de despesca iniciado na segunda-feira da semana passada e que só terminou na sexta-feira, depois de terem sido abatidos 19 animais e outros seis capturados para repovoar um lago do município. “Nosso objetivo é garantir a preservação do pirarucu e de mais de 50 outras espécies comercialmente interessantes que nós identificamos nos lagos do Purus. Isso através de um manejo sustentável que permita aos pescadores e ribeirinhos continuar pescando, mas de maneira consciente, porque sendo feito dessa maneira o volume de peixes a ser pescado tende a crescer e todos vão ganhar mais com isso.” O argumento vem se comprovando na prática, já que, depois de realizar um inventário em 134 lagos da região, os técnicos, ribeirinhos e pescadores firmaram um acordo comunitário proibindo, por um ano, a pesca de malhadeira no lago Santo Antônio. “Em 2005 realizamos a primeira contagem quando encontramos 56 pirarucus adultos mais os bodecos; em maio deste ano realizamos nova contagem e encontramos 187, o que comprova que, estando protegida, sua população se recupera muito rapidamente.” Diante desses números, o Ibama decidiu autorizar a pesca de até 30% dos pirarucus adultos, ou seja, com tamanho superior a 1,5 metro de comprimento. Foi autorizado o abate de 27 pirarucus adultos, dos quais seis foram manejados para outro lago e a carne dos 19 abatidos estará sendo vendida durante o festival. “A média dos pirarucus abatidos é de 1,90 a 2 metros de comprimento e mais de 150 quilos de carne. Os pescadores de Santarém já trabalham com manejo de pirarurucu há 12 anos. Também porque dominam a técnica do arpoamento dos peixes, o que nossos pescadores não sabem fazer. Até agora eles pegavam os pirarucus em redes que eram facilmente partida pela força dos animais maiores”, concluiu Leopoldo. A matança dará lugar ao primeiro festival do pirarucu que acontece nesta sexta, sábado e domingo, em Manuel Urbano. Lá a extensionista Marlene Braga está realizando um treinamento com cozinheiras de bares e restaurantes a fim de desenvolver pelo menos 13 diferentes pratos preparados com o pescado. Durante a feira também será realizada uma exposição sobre todo o trabalho de manejo do Alto Purus, como também uma mostra das 50 espécies identificadas, mais a apresentação de tanques com pirarucus vivos. |
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