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Marcos Inácio Fernandes * |
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No sábado em que fomos hipotecar solidariedade ao Senador Tião Viana, apanhando-o no aeroporto e fazendo aquela magnífica carreata, encontrei no box de revista do aeroporto uma publicação de Filosofia cuja manchete era As Tentações do Poder e seus Efeitos Colaterais. O tema me chamou a atenção e, ato contínuo, comprei a revista e comecei a ler enquanto esperava a chegada do vôo de Cruzeiro do Sul. A revista, de número 02, também trazia uma matéria sobre a felicidade, tema por demais ambíguo e subjetivo, que continua a desafiar filósofos e pensadores de todos os tempos. A felicidade existe? Qual a sua relação com a política e o poder? Quais as virtudes que devem ser cultivadas para ser feliz? A felicidade é um fenômeno estritamente individual ou também pode ser um fenômeno coletivo? São muitas as questões, as subjetividades e controvérsias sobre o tema e há apenas um ponto comum onde todos os pensadores, filósofos e poetas concordam – “a felicidade não é eterna”. Como disse o nosso imortal Tom Jobim num clássico da Bossa Nova “a felicidade é como a gota do orvalho numa pétala de flor/ brilha tranqüila, depois de leve oscila/ e cai como uma lágrima de amor...”/ “a felicidade é como a pluma/ que o vento vai soprando pelo ar/ Voa tão leve mas tem a vida breve/ precisa que haja vento sem parar...”. São imagens poéticas belíssimas, que retratam a efemeridade desse sentimento. Já Maysa (ex-Matarazzo) cantora e compositora da melhor qualidade, que interpretou como ninguém as desilusões amorosas (ouça Meu Mundo Caiu, Amargura, etc.) disse que “felicidade é privilégio de gente burra”. Já um outro anônimo amargurado falou que a receita da felicidade é “nascer burro, crescer ignorante e morrer de repente”. Que tal? E a relação da felicidade com a política? Como professor e estudioso dessa área considero que melhor o conceito de política foi dado por Aristóteles (384 -322 a.C) quando disse que “a política consiste em organizar a cidade feliz”. Fica a pergunta: é possível se aferir a felicidade de uma cidade, de um país? Pois essa revista de Filosofia traz uma matéria sobre um novo indicador criado pela New Economics Foundation (NEF) em parceria com a Friend of the Earth para definir o ÍNDICE PLANETA FELIZ (IPF), que é um pouquinho mais sofisticado que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Entre outras variáveis, o IPF leva em consideração a expectativa e qualidade de vida, o sentimento de alegria na população e a quantidade de recursos naturais consumidos. É interessante registrar que nenhum país do G-8 (as grandes potências capitalistas, mais a Rússia) estão bem no ranking do IPF. Os E.E.U.U, como diria o saudoso carnavalesco João Aguiar, está na “rabagésima” colocação, é 150º colocado. A França é o 129º e o nosso Brasil é o 63º, índice que coincide com o nosso IDH. E qual é o país mais feliz? O 1º lugar é de VANUATU, um arquipélago com 83 ilhas no oceano Pacífico, com 211 mil habitantes, que dista 1.750 Km da costa da Austrália e cuja economia é baseada na pesca, agricultura e turismo. Taí caros amigos o endereço da felicidade – um arquipélago do pacífico, longe da turbulência das grandes metrópoles, sem a síndrome do terrorismo, sem a ansiedade do consumismo desenfreado, vivendo sem temores e com a moderação, que segundo os especialistas, possibilita o “prazer contínuo” . Como mais uma vez nos ensina Aristóteles “ser feliz é possível, mas dá trabalho” e é no trabalho político, no exercício virtuoso do poder que reside a promessa de felicidade. P.S. Hoje estou mais feliz e quero crer que o povo do Acre também compartilha desse sentimento com a avaliação do nosso governo como o melhor do país. Secretário da Seater |
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