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POLÍTICA

Câmara de Rio Branco entra na luta contra a homofobia

Vereadora propõe criação de um dia para o combate ao preconceito


Val Sales

A luta travada pela comunidade GLBT no Acre contra a homofobia ganhou adeptos também na Câmara de Rio Branco. Depois de a Assembléia Legislativa do Acre criar, no início da semana, a Frente Parlamentar Estadual pela Cidadania GLBT, foi a vez do parlamento municipal assumir o compromisso de apresentar e aprovar proposições de interesse de homossexuais, assim como trabalhar para colaborar na garantia de recursos e ações voltados para a promoção da cidadania plena de direitos civis dessa população no município de Rio Branco.

Na última quarta-feira, data da criação da Frente na Câmara, a vereadora Ariane Cadaxo (PC do B) apresentou também um projeto de lei que institui o Dia Municipal de Combate à Homofobia. Na oportunidade, ela lembrou que a proposta tem como objetivo a promoção do direito à livre orientação sexual.

“Com a instituição do Dia Municipal Contra a Homofobia, verifica-se o incentivo a ações que proporcionem discussão sobre o direito à livre orientação sexual”, explicou.

A parlamentar lembrou os dados da pesquisa realizada pelo professor Luiz Mott, apontando que em 2002, 126 homossexuais foram assassinados, totalizando-se, no período de 39 anos (1966 a 2002), 2.218 homicídios no Brasil. “Esses números representam apenas a ponta do iceberg do quadro de violência e discriminação”, acrescentou.

De acordo com dados fornecidos por uma pesquisa da Unesco envolvendo alunos do ensino fundamental e médio, 39,4% dos entrevistados do sexo masculino e 16,5% do sexo feminino não gostariam de ter homossexuais como colegas de classe. Numa pesquisa envolvendo os pais desses mesmos alunos, verificou-se que 41,5% dos homens declararam que não gostariam que homossexuais fossem colegas de classe dos filhos. Já em Fortaleza (CE), 6,8% dos professores não gostariam de ter homossexuais como alunos.

Bancada evangélica condena proposta

Os vereadores evangélicos, que em maioria também são pastores de igrejas, criticaram ontem, alguns, com discursos grosseiros, a proposta da comunista Ariane Cadaxo de criar o Dia Municipal Contra a Homofobia. Em suas falas, acusaram a parlamentar de estar tentando destituir a instituição família e ressaltando que ela somente defende o projeto por não ser mãe.

Os ataques fizeram com que Ariane se retirasse do plenário antes do fim da sessão. Triste com o comportamento dos colegas, a vereadora rebateu as acusações e explicou que não está se colocando contra a instituição familiar, mas defendendo o direito da igualdade para todos. Segundo ela, é contra esse tipo de preconceito que as classes consideradas minorias lutam.

Ariane lembra que não assumiu um cargo no legislativo para abraçar uma categoria e discriminar outra, mas respeitar as diferenças e defender os direitos de todos, independentemente do gênero, da cor, da crença, da classe social e da naturalidade de cada um.

A parlamentar costuma estar na linha de frente dos movimentos pela igualdade de direitos das mulheres, negros, índios, homossexuais e demais classes que convivem diariamente com o preconceito. Ela assegura que continuará trabalhando na defesa dessas populações porque, ainda que abrigasse algum tipo de discriminação pessoal em relação a elas, o que não ocorre, respeita os direitos da pessoa como ser humano.

Homossexualismo não é doença

Historicamente, no dia 17 de maio de 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade do rol de enfermidades, que até então era considerada doença ou perversão. O referido ato reconheceu que a homossexualidade é um estado mental tão saudável quanto a heterossexualidade, sendo esse um dos mais importantes marcos para o avanço da cidadania e de direitos de gays, lésbicas e transgêneros.

Para a vereadora Ariane Cadaxo, solenizar anualmente o 17 de maio como Dia Municipal Contra a Homofobia, além de aproximar o Acre dos países mais civilizados do mundo, que já incluíram tal data em sua agenda anual de celebrações, proporciona uma profunda discussão e reflexão sobre o cenário discriminatório que essa população vive hoje em o município.

 
 
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Rio Branco-AC, 14 de setembro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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