COTIDIANO

Prefeitura entrega ponte no Ayrton Senna

Ponte, denominada Raquel e Dayana, vai beneficiar cerca de 4 mil pessoas do bairro e do Aeroporto Velho

Da Assessoria
Prefeito Raimundo Angelim rebateu críticas durante a inauguração


Um pesadelo que há muito atormentava mais de quatro mil pessoas dos bairros Ayrton Senna e Aeroporto Velho acabou-se ontem, com a inauguração da ponte que ligará essas duas localidades, substituindo uma pinguela onde em abril deste ano mãe e filha morreram afogadas ao tentar cruzá-la num dia chuvoso.

A ponte passa a se chamar Raquel e Dayana - nomes das vítimas do trágico acidente - e foi inaugurada ontem pelo prefeito Raimundo Angelim, num grande ato ecumênico que contou com a presença de familiares das vítimas, de representantes das associações de bairros locais, de vereadores, secretários municipais e de autoridades religiosas.

A nova estrutura é toda de madeira reforçada, tem 86 metros de comprimento por nove metros de altura, agrega luminárias protegidas contra vândalos e custou aos cofres do município R$ 96 mil.

Ao lado de dona Idalécia Martins Teixeira – mãe de Raquel e avó da menina Dayana –, o prefeito Angelim voltou a lamentar o acidente e lembrou que percorreu o lugar, durante a campanha, quando prometeu uma ponte “que seria simples, porém muito segura”.

Angelim rebateu as críticas de alguns setores da oposição, de que há época do fatídico, a atual administração deveria ser responsabilizada pelo acidente. É que as mortes aconteceram “num momento em que estávamos organizando a casa”, apenas pouco mais de três meses de ter assumido a prefeitura.

“Como pai e como pessoa humana, sentimos muito e sentimos ainda mais ao ver no jornal que o prefeito não tinha feito a ponte em tempo hábil. Isso era impossível, porque ainda estávamos organizando a casa, dentro de nossas limitações como gestores públicos”, asseverou.

Na oportunidade, ele anunciou a chegada do asfalto para 2006, até a localidade e partindo da Rua Jatobá, a principal do bairro, que já está pavimentada com asfalto.

Durante a solenidade, Idalécia, a mãe de Raquel, mostrava com carinho as fotos da filha e da neta.

“A partir de agora ninguém daqui poderá sofrer a dor que eu sofri, porque vemos que a construção é resistente e vai facilitar a vida de nós, trabalhadores, e de nossos estudantes”, afirmava ela, em tom de quem já parece consolado.

No bairro, são muitos os moradores que já passaram algum susto por causa da pinguela de antigamente. Entre eles estão Ortiz Alves dos Reis, de 72 anos, 35 deles vividos às margens do córrego, e Jovenice Viana Bezerra, 23, há quatro morando lá. Ambos já se machucaram feio, ao cair dentro do córrego. Enquanto Reis mostra a perna defeituosa, Bezerra exibe uma grande cicatriz no joelho.

“Estamos gratificados com a obra, porque nos dá mais dignidade e alegria. As marcas ficam, mas o mais importante é que continuamos vivendo e agora, com mais dignidade”, destacou o ancião.

A construção foi realizada pela Secretaria Municipal de Obras com a Empresa Municipal de Urbanização, a Emurb, num prazo de quatro meses, faz parte do programa de revitalização e de construção de pontes e passarelas, da Prefeitura de Rio Branco e dá condições de tráfego a pedestres e a motociclistas, encurtando em pelo menos dois quilômetros o acesso dos moradores à Rua Rio Grande do Sul, no Aeroporto Velho.

 

 
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