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Natal Chaves * |
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Breve reflexão da história do Acre As terras onde atualmente está localizado o Estado do Acre apresentam aspectos físicos singulares no contexto brasileiro. Situadas entre o extremo noroeste do Brasil e a parte sudoeste da região amazônica, ocupam 152.589m km² de área, divididos em duas micro-regiões: Alto Purus e Alto Juruá. No presente, este território é constituído de 22 municípios a saber: Rio Branco (capital), Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Feijó, Tarauacá, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Rodrigues Alves, Jordão, Sena Madureira, Manoel Urbano, Xapuri, Assis Brasil, Brasiléia, Plácido e Castro, Senador Guiomard, Acrelândia, Capixaba, Porto Acre, Bujari, Santa Rosa e Epitaciolândia. As populações destas localidades são derivadas dos contatos inter-étnicos entre vários grupos indígenas que secularmente ocupam as terras acreanas, brasileiros de diversas regiões (especialmente do nordeste), e estrangeiros, destacando-se, entre estes, sírios e libaneses. O processo de ocupação da região acreana esteve vinculado às suas potencialidades naturais. No período convencionalmente denominado de Colonial, estas terras ocupadas por indígenas possuidores de chaves culturais diferenciadas sofreram investidas de brasileiros e estrangeiros através de expedições voltadas tanto para a apropriação de produtos da natureza, quanto à escravidão de índios. No entanto, foi no final do século XIX que as terras do Acre passaram a ser ocupadas de forma mais efetiva devido à existência de árvores (seringueiras) produtoras do látex, matéria-prima fundamental para o desenvolvimento industrial vivenciado na Europa e nos Estados Unidos, especialmente para a indústria de pneumáticos. Dessa forma, o Acre até então pertencente ao território boliviano, conforme o Tratado de Ayacucho (1867), foi integrado à economia-mundo com suas riquezas naturais, representadas não apenas pela borracha, e que passaram a ser exploradas conforme a lógica do capital industrial financeiro. Essa fase áurea da economia gomífera durou praticamente até 1912, quando a produção dos seringais de cultivo da Malásia superou a posição brasileira no mercado externo. Paralelamente a esse processo, desencadeia-se a luta dos brasileiros pela anexação do Acre ao Brasil. Este movimento ficou conhecido pela historiografia oficial como “Revolução Acreana”, cujo desfecho levou à assinatura do Tratado de Petrópolis, em 17 de novembro de 1903, muito embora as questões de fronteira com o Peru só mais tarde (1909), tenham sido equacionadas. Com a resolução das indefinições quanto às suas fronteiras, foi o Acre integrado ao Brasil na condição de território, até 15 de junho de 1962, quando adquiriu autonomia política, erigido a Estado. Entre os anos de 1912 e 1939, embora a economia acreana tenha continuado essencialmente extrativista, desenvolveram-se também colônias agrícolas. Porém, foi com o eclodir da 2ª Guerra Mundial que a região passou a ser alvo novamente de interesses internacionais que, aliados aos nacionais, criaram condições para o desencadear da “Batalha da Borracha”. Outra vez, levas de nordestinos vieram para a Amazônia na perspectiva de, através de seu trabalho (produzir borracha para atender as demandas do esforço de guerra), contribuir para a vitória dos países aliados (França, Inglaterra e EUA), especialmente este último, em confronto com os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Os remanescentes destes “soldados-seringueiros” guardam na memória, até o presente, a representação construída de que prestaram um grande serviço à nação brasileira e à democracia, apesar de, nem todos, se sentirem verdadeiramente reconhecidos seja pelo Estado, seja pela sociedade nacional. Estas duas últimas assertivas são verdadeiramente corretas. *Natal Chaves é historiador, professor e suplente de senador pelo PSB/AC. |
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