COTIDIANO

Nível das águas do rio Acre sobe

Defesa Civil emitiu alerta devido à cheia do rio Juruá, mas afirma que a tendência é de vazante nos próximos dias

Marcos Vicentti
Bairros mais baixos da cidade já
estão sendo atingidos pela cheia


Whilley Araújo

A elevação do nível das águas do rio Acre, que apresentou um acréscimo de mais de 50 centímetros da manhã de domingo para ontem, preocupa os moradores das regiões mais baixas da capital. O excesso de chuvas no Estado já provocou o alagamento de várias comunidades ribeirinhas nos municípios de Marechal Thaumaturgo e Porto Walter, após cheia súbita do rio Juruá. A Defesa Civil está em alerta quanto à região de Cruzeiro do Sul e aguarda que os mananciais apresentem sinais de vazante nos próximos dias.

No Ayrton Senna, que comumente é o primeiro bairro a alagar em Rio Branco antes mesmo que o rio Acre atinja a cota de alerta (13,50 metros), a água já se aproxima de inúmeras residências e invade parte do quintal das casas mais baixas da comunidade.

A comerciante Josineide de Freitas Amaral, que se mudou para o bairro há sete meses, conta que quando acordou na manhã de ontem a água já estava bem próxima do banheiro de sua residência. “Há dois dias o nível do rio Acre subiu repentinamente. Desde que me mudei para este bairro, não tinha visto a água chegar tão perto de minha casa. Espero que o rio não continue subindo nesse ritmo”, relata Josineide.

Quando foi morar no Ayrton Senna, a comerciante já sabia que o bairro era periodicamente atingido pelas cheias do rio Acre, porém, o sonho de possuir uma casa própria falou mais alto do que a possibilidade de sofrer com a alagação.

“Morei os últimos anos com minha família nos bairros Wilson Ribeiro e União e não fomos vítima de enchentes. Mesmo assim preferimos vir para o Ayrton Senna, pois mesmo correndo um sério de risco de sermos atingidos pela alagação, nós não precisamos mais pagar aluguel”, destaca Josineide. “É melhor pagar aluguel durante um mês – caso tenhamos que sair daqui devido à cheia – do que continuar pagando moradia a vida inteira”.

A maior preocupação de Amaral é em relação ao comércio que funciona em sua casa. Segundo ela, uma alagação a deixaria vários dias sem trabalhar, e consequentemente, sem obter nenhum lucro para o sustento de seus quatro filhos. “Realmente o prejuízo seria grande. Só nos resta torcer e pedir a Deus que as chuvas dêem uma trégua”, enfatiza.

Na alagação ocorrida em 2006, o nível das águas do rio Acre praticamente cobriu toda a casa do aposentado Euzimar Lopes Bezerra. Ele e seus dois filhos tiveram que alugar um apartamento, onde permaneceram até que a enchente chegasse ao fim. Morador antigo do bairro Ayrton Senna, o aposentando já enfrentou muitas alagações, mas acredita que neste ano não ocorrerá uma grande cheia.

“Com minha experiência creio que a água poderá até atingir uma pequena parte do quintal, mas certamente não subirá pelo assoalho. Acredito que 2008 não é um ano de alagação”, frisa.

Mananciais começam a dar sinal de vazante, diz Defesa Civil

Embora tenha ocorrido elevação no nível das águas do rio Acre na capital nos últimos dias, a Defesa Civil do Estado informa que nos municípios de Brasiléia e Xapuri o manancial já apresentou sinais de vazante, de acordo com a medição feita na manhã de ontem.

“Em Xapuri o escoamento foi de 1,5 metros. Vale ressaltar ainda que o rio Purus também está baixando, o que deve influenciar numa vazante rápida do rio Acre”, destaca Carlos Cordeiro, técnico da Defesa Civil.

Devido à situação de alerta no vale do Juruá, o Corpo de Bombeiros, secretarias de Assistência Social, Saúde e Articulação Institucional do Estado e dos municípios atingidos pela enchente estão mobilizados e tomando as providências cabíveis para solucionar o problema.

O governador Binho Marques autorizou durante o final de semana a missão de uma equipe da Defesa Civil na região do Juruá. Na manhã de ontem o vice-governador César Messias percorreu municípios daquela área para avaliar os impactos do mau tempo e das ações de apoio aos atingidos. Um relatório da Defesa Civil deve ser divulgado hoje informando os prejuízos causados pela cheia do rio Juruá e o total de famílias atingidas pela alagação.

 

 
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Rio Branco-AC, 15 de janeiro de 2008
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Com Moisés Alencastro
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