COTIDIANO

Farinha de banana do Acre faz sucesso em Brasília

 


Seis mulheres do assentamento Pedro Peixoto, em Acrelândia, tiveram uma idéia diferente em 2005: produzir e vender farinha de banana, uma das culturas típicas da região Norte do país. Dois anos depois, Regina Gonçalves da Silva, 37, está feliz. Ela trouxe a farinha de banana para expor na 4ª Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agrária, que aconteceu recentemente em Brasília. Vendeu todos os 300 quilos do produto antes de a feira acabar. “Se tivesse 500 quilos, teria vendido. Não deu para quem quis, acabou no segundo dia do evento”, contou a produtora rural.

Regina tem outros motivos para comemorar. Por intermédio do Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA) - executado em parceria pelos ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), do Desenvolvimento Agrário (MDA) e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA/ Conab) -, o Grupo de Produtores Rurais Novo Ideal, do qual ela é líder, passou a ter a garantia de compra de 1.500 quilos da farinha de banana por mês - a produção é de 4.500 quilos/mês. Os outros 3 mil quilos, o grupo vende parte para as secretarias estadual e municipal de Saúde.

A morena de riso largo e olhos sérios, que hoje compartilha com 47 famílias a experiência de produzir farinha de banana, café não beneficiado (em grãos) e barrinhas de rapadura, explica como é o trabalho: “Cada uma recebe um salário mínimo por mês, pelo menos. E o mais importante: a mulher é quem administra o dinheiro. Não existe maior alegria e coisa melhor pra auto-estima de uma mulher que poder participar, trabalhar, opinar, comprar alimentos para os filhos.” O produto adquirido pelo MDS é destinado a 42 entidades assistenciais, entre creches, asilos, casas de apoio a menores, hospitais e casa de atendimento a portadores de hanseníase.

Regina Silva é formada em administração de empresas e trocou uma carreira em São Luís (MA) para ser produtora rural no Acre quando, ao visitar a irmã em Acrelândia, conheceu o marido, o produtor rural Miguel Donizete Tomazini, o “Doni”, com quem tem duas filhas. Agora, Regina tem mais planos: até 2010 o grupo quer exportar a farinha de banana e também beneficiar o café. De acordo com Regina, os americanos e os italianos são os mais interessados.

O grupo Produtores Rurais Novo Ideal faz planos: até 2010, pretende exportar a farinha de banana e também beneficiar o café.

Ela conta que usou sua formação como administradora para gerir o negócio e captar recursos. A agroindústria do Grupo Novo Ideal foi financiada da seguinte forma: 50% com recursos advindos da venda do café e a outra metade por uma instituição italiana. “Depois que o MDS nos beneficiou com a compra antecipada, nossa vida ficou melhor, pois agora temos mais tranqüilidade pra trabalhar, capital de giro para investir no negócio e, aumentou muito a qualidade de vida das famílias, principalmente das mulheres”, revelou.

A farinha de banana verde tem grande valor nutricional e é utilizada principalmente na alimentação das crianças, idosos e gestantes porque substitui o trigo, mas sem conter glúten. Ela é utilizada no preparo de pães, bolos, vitaminas e mingau ou creme de banana. Na região Norte, a banana é aproveitada integralmente – fruta, folhas e casca. A fruta verde é usada para fabricar a farinha. “A fruta tem que estar no ponto certo. A banana é descascada, higienizada por meio de clorificação ( adição de cloro para evitar que o produto estrague), depois é desidratada, triturada e embalada. A casca e as folhas são moídas e misturadas à ração para gado, pois aumenta o valor nutricional”, explica a administradora do grupo Novo Ideal.

 

 
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