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Idoso vive mais e enfrenta os tabus do sexo

Oficina reúne idosos para falar de doenças sexualmente transmissíveis, rompendo tabus da vida sexual a partir dos 60

Marcos Vicentti
Encontro discutiu os tabus em relação ao sexo entre idosos e as formas de contaminação de doenças sexualmente transmissíveis, entre elas a Aids


Andréa Zílio

Não há idade para o sexo, ou seja, homens e mulheres saudáveis podem se manter sexualmente ativos por toda a vida. É o que dizem especialistas que estudam o assunto diante do fato de que hoje as pessoas vivem mais. O Acre compartilha essa realidade, mas com uma estatística lamentável: nos anos de 2005 e 2006, 40 casos de doenças sexualmente transmissíveis (DST) foram detectados em pessoas acima de 60 anos, constatando um amento em relação aos outros anos.

Dessa forma, os tabus em relação ao sexo entre idosos tornaram-se alvo a ser rompido, e discutir sobre DST/Aids tornou-se essencial. Por isso, esse foi o tema da oficina realizada ontem, em uma organização conjunta das áreas técnicas de Saúde do Idoso e de DST/Aids, do Departamento de Ações Básicas de Saúde (DABS).

Grande parte dos idosos participantes integra uma geração que na juventude não teve qualquer proximidade com os pais no diálogo sobre o assunto, tendo como alternativa tirar as dúvidas com os colegas, na rua, ou aprender com a própria experiência de vida. Esses homens e mulheres que recebem informações em oficinas e palestras há tempos exercitam uma relação mais aberta, sincera e companheira entre pai e filho e até mesmo com os netos.

Essa mudança faz parte de uma necessidade dos atuais idosos, que acreditam que falar do assunto de forma positiva é a solução de muitos problemas. O acreano João Mauro, 61, que mora em Brasília, conta que no Distrito Federal recebe informação sobre DST/Aids em postos de saúde ou com a visita de agentes em sua residência. “Fui saber o que era sexo aos 25 anos. Hoje não é mais assim, antes nossos pais falavam do sexo como algo errado e feio, hoje temos de falar aos nossos filhos que é uma coisa boa, mas que precisam se prevenir, porque se não aprenderem com a gente, aprenderão na rua e errado”, comenta.

A responsável da Área Técnica de Saúde do Idoso, Silvia Maria de Assis Pereira, diz que trabalhar a sexualidade, a sexologia e a sensualidade é sempre um tabu, e com os idosos eles são ainda mais fortes. Por isso, é realizado um trabalho permanente gerando informações nos Centros de Saúde e Unidades de Saúde da Família, em Rio Branco, e as oficinas atuam para fazer dos idosos, multiplicadores. “Falamos abertamente do assunto, mas com a cautela de estarmos lidando com pessoas idosas, que estão mais fechadas a transformações. Adotamos uma linguagem técnica mas totalmente acessível para que todos eles sintam vontade de participar e interagir”, comenta.

O sexo entre idosos – Segundo o Dr. João Roberto D. Azevedo, médico neurocirurgião, autor do livro “Ficar Jovem Leva Tempo… Um Guia para Viver Melhor” (Editora Saraiva), “a atividade sexual em qualquer idade é demonstração de um estado de boa saúde tanto física como mental”.

O preconceito e a falta de informação surgem como fatores que atrapalham o desenvolvimento da sexualidade na terceira idade, e que não são as mudanças no corpo as responsáveis pelo fim da intimidade de um casal de idosos, mas sim, os as barreiras socioculturais, de que sexo é coisa de gente jovem.

Rompendo tabus – Entre os tabus, Iana Sarquis, da Área Técnica de DST’Aids, conta que a falta de informação é a grande barreira a ser rompida, e elas passeios por diversos assuntos, desde ao uso da camisinha aos sintomas das DST.

Com 60 anos e três filhos, Lindomar Guimarães diz que apesar de ter sido criada sem poder conversar com o pai sobre sexo, educou os filhos de outra forma, sempre tratando do assunto de forma mais aberta, acreditando no diálogo. “Fiz diferente com meus filhos, oferecendo o que não tive. Falar do assunto em oficina e palestra é muito importante para acabar com a falta de informação, porque muitos acabam se prejudicando por falta de conhecimento”, diz.

“É importante quebrar tabus e acabar com a escravidão que vive o ser humano. Se tivermos conhecimento, erramos menos”, completa João Mauro.

Mais informações pelo telefone de contato da Coordenadoria de Saúde Comunitária: (68) 3226-5809


 

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Rio Branco-AC, 15 de março de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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