| POLÍTICA | |
Para onde vai o Acre? Ao voltar seu foco de ação para o setor produtivo, o governo cria um novo conceito de desenvolvimento voltado à pessoa |
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Hoje é 15 de maio e muitos milhares de famílias de produtores rurais ainda estão ilhados em suas colônias sem poder retirar o milho, o arroz e até a castanha da última safra colhida em março. Isso acontece porque praticamente todos os 8 mil quilômetros de ramais existentes no Acre estão tomados pelos buracos e pela lama, portanto, intrafegáveis. Ainda há muita dificuldade no funcionamento das escolas, serviços de saúde e para garantir a assistência técnica, o que acaba dificultando até a liberação de créditos para os produtores rurais e suas famílias. É por conta dessa situação que muitos agricultores, querendo oferecer melhores condições de vida e um futuro mais seguro para seus filhos, continuam deixando o campo para viver na cidade a desventura do desemprego, do desprezo e da marginalização de seus filhos. Mas isso começa a mudar. “Ainda me lembro, quando era produtor e sindicalista, as duas únicas vezes que conseguimos entrar no Palácio Rio Branco. Na primeira fomos barrados por 30 soldados da companhia especial da Polícia Militar equipados com escudos, capacetes e cacetetes que davam choque. Só depois de muito insistir fomos deixados falando sozinhos na mesa pelo então governador Cadaxo. Na segunda vez, estávamos no Grito da Terra com mais de 1.500 produtores em frente ao Basa e Banco do Brasil, mas quando nos dirigimos para a o palácio a fim de pedir ajuda ao governador Romildo Magalhães, os soldados não nos deixaram chegar nem nas escadarias alegando que o palácio tinha acabado de ser pintado e não queriam que a gente sujasse as paredes”, recorda o senador Sibá Machado. As lembranças buscam referência num triste passado para que as pessoas tenham uma idéia mais clara da importância do primeiro Fórum Consultivo de Desenvolvimento do Acre, realizado na manhã de ontem, quando o governador Binho Marques, acompanhado de seus secretários e seis deputados, além do senador Sibá, que promoveu o evento, estiveram lá para ouvir das lideranças rurais de 22 municípios do Acre suas orientações sobre quais e que ações são indispensáveis para garantir uma vida digna aos produtores e suas famílias. Sinais da mudança - “Sempre fomos esquecidos ou desrespeitados em nossos direitos mais fundamentais que são o de ir e vir por ramais trafegáveis, de ter escolas e postos de saúde que dêem um atendimento digno aos nossos filhos, créditos liberados no tempo certo e em condições que permitam a gente pagar, mas quando vínhamos pedir isso éramos recebidos pela polícia”, lamenta Sibá. “Agora o movimento social do Acre vive um novo momento, onde o próprio governador e seus secretários vêm à Federação da Agricultora ouvir e pedir conselhos aos produtores. Mais que isso, permitem que os produtores conheçam o orçamento e possam orientar o planejamento das ações que serão realizadas.” Para Sibá, essas coisas são fundamentais para garantir que o Acre tome o caminho do verdadeiro desenvolvimento, que só é válido quando faz diminuir as desigualdades sociais permitindo que todos recebam o que é fundamental para ter uma vida digna e a partir daí ser agentes de sua promoção social. Suor e sacrifício - Para chegar a esse novo momento, os primeiro oito anos do governo da Frente Popular liderado pelo ex-governador Jorge Viana teve os primeiros quatro anos fundamentados na reorganização administrativa e financeira do Estado dando início às grandes obras estruturantes das estradas, pontes, criação de um novo distrito industrial e investimentos em grandes projetos como a reativação da usina da Álcool Verde, em Capixaba, as fábricas de preservativo, tacos e decks em Xapuri e abatedouro para aves em Brasiléia já no final do segundo mandato. O terceiro começa na prática, agora, depois de cinco meses de planejamento, nos quais a estrutura de governo foi reconstruída para que todas as secretarias e órgãos voltem suas ações para o desenvolvimento comunitário. Nele os investimentos estarão sendo realizados com o objetivo de chegar a todas as pessoas nas áreas urbanas e rurais de todo o Acre através de milhares de pequenas obras. Objetivos claros - “Não entendo de saúde nem de educação, por isso meu compromisso pessoal é com a produção e, nesse momento, um dos pontos que mais me preocupa é encontrar o ponto de partida para o desenvolvimento econômica de cada um de nossos municípios localizados ao longo da BR-364, que está sendo asfaltada a partir de agora”, declara Sibá. “Os grandes investimentos dos dois primeiros mandatos foram focados no eixo da BR-317 no Caminho do Pacífico, quando Capixaba teve reativada a Álcool Verde, Xapuri a fábrica de tacos, de preservativos e usina de castanha, Brasiléia sua fábrica de castanha, abatedouro de frangos e despolpadeira de frutos. Cada uma tem sua atividade principal que irá estimular e financiar o crescimento das demais e, este é o desafio que temos para garantir o desenvolvimento dos outros municípios.” Modernizar o tradicional Considerando um princípio fundamental que é trabalhar com o que já existe e de preferência já esteja integrado à cultura e à vocação dos produtores locais, Sibá vê como primeira alternativa a ser otimizada o aproveitamento mais eficiente do extrativismo beneficiando seus produtos madeireiros e não-madeireiros para agregar valor a eles, gerando empregos, aumentando a renda e evitando que o Estado continue sendo mero fornecedor de matéria-prima. “O mais importante é promover intercâmbios para que as lideranças e produtores conheçam experiências que já estão dando certo, porque isso acende neles o espírito empreendedor. Eu mesmo fiquei surpreso com os resultados que conseguimos na cadeia produtiva do leite ao estimularmos o lacticínio da Coopel. Ele nos mostrou que para ter sucesso é preciso ter conhecimentos e informações para planejar nossas ações de forma objetiva, que o sucesso de toda atividade produtiva depende da capacidade de organização do setor, mas que ao apresentarmos os primeiros resultados positivos, enquanto uns ainda esperam por financiamentos, outros produtores já investiram os próprios recursos na melhoria da produção porque acreditam num Acre cada vez melhor.” |
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