| POLÍTICA | |
Mourão anuncia apoio à proposta da prospecção de gás e petróleo Deputado faz discurso em defesa de proposta de Tião Viana |
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Num longo discurso na Câmara Federal no qual analisou a situação da economia do Acre e a Amazônia como o diferencial do Brasil em relação ao mundo, o deputado Nilson Mourão (PT-AC) anunciou que é a favor da prospecção de petróleo no Estado e defendeu o senador Tião Viana (PT-AC), autor da proposta, dos ataques das pessoas contrárias à idéia. Mourão disse que, neste debate, o senador tem tido uma postura exemplar. “O senador vem promovendo debates, realizando seminários, visitando pessoas e instituições que têm responsabilidade pública, como prefeitos, parlamentares, religiosos, estudantes, empresários, jornalistas, líderes de movimentos sociais, sindicalistas, abrindo a discussão, colhendo sugestões, ouvindo críticas, prestando esclarecimentos, às vezes quase de modo personalizado, como muitas vezes somos obrigados a fazer no Acre, pois ainda somos uma grande família”. E acrescentou: “Estou convencido de que o envolvimento da sociedade no debate e no processo de decisão é o caminho correto para que possamos acertar mais e errar menos. Na verdade, se tivéssemos tido a oportunidade de debater os rumos da economia do Acre, sobretudo nos momentos de introdução de novas atividades econômicas, como a pecuária, nos anos 1970, como estamos fazendo agora, certamente não teríamos cometido tantos erros”. Nilson Mourão fez questão de deixar claro que é a favor da idéia. O deputado também afirmou que o problema não consiste na exploração da riqueza, mas na exploração com base na sustentabilidade ambiental e capaz de garantir a repartição equilibrada da riqueza explorada, tendo em vista uma sociedade justa e solidária. Geração de emprego - Para ele, a exploração de petróleo é um pólo radiador de desenvolvimento, um gerador de empregos, de renda, de qualificação de mão-de-obra, de recolhimento de impostos e de royalties, chegando mesmo a dobrar, triplicar, quadruplicar receitas de Estados e de municípios. “A introdução no Acre de uma nova atividade econômica, como a possível extração de petróleo, será de grande impacto. Mudará o perfil de cidades inteiras e será capaz mesmo de mudar o processo de desenvolvimento do Estado. Com efeito, o debate sobre a prospecção de petróleo no Acre e sua eventual exploração não pode ser feito de modo isolado, sem levar em consideração a realidade econômica e social do Estado. Qual a base da economia do Acre? Quais as principais atividades econômicas que geram postos de trabalho, riqueza, empregos e garantem a existência de uma população de 600 mil habitantes?”, indagou. O deputado lembrou que expressiva parcela do povo acreano ainda sobrevive do extrativismo da borracha, da castanha e de outros produtos florestais não madeireiros, além da agricultura familiar, dedicada prioritariamente à produção de alimentos nos assentamentos do Governo Federal da pecuária, cujo plantel já alcança mais de 2 milhões de cabeças de gado e cuja carne é considerada uma das melhores do País. Este segmento, segundo o deputado, utiliza muita terra, emprega pouco e hoje atravessa uma crise sem precedentes dado os métodos superados da pecuária extensiva. “A extração e a comercialização da madeira, com algumas honrosas exceções, ainda se faz de modo predatório, sem agregação de valor, sem beneficiamento — enfim, a prática que prevalece é a do puro e simples corte raso da madeira. Os projetos de manejo, quer sejam empresariais, quer sejam comunitários, são experiências ainda em seu início. Na verdade, 3 empreendimentos recentes merecem destaque: a fábrica de camisinhas, financiada pelo Governo Federal, cuja matéria-prima é a borracha, que temos em abundância; a fábrica de produção de tacos, para incentivar a cultura da madeira manejada e certificada, com alta agregação de valor; e o frigorífico de aves caipiras, que promoverá uma nova atividade econômica que nosso povo maneja muito bem: a criação de aves. A empresa já está estabelecida e trabalhará em parceria com a agricultura familiar”, lembrou. Esses empreendimentos, segundo o deputado, vão gerar milhares de empregos e qualificarão a mão-de-obra local, além de ampliar as possibilidades da agricultura familiar. Prospecção se impõe na economia - É por isso que a busca de alternativas econômicas capazes de impulsionar o desenvolvimento do Acre, como a prospecção de gás e petróleo, torna-se imperativa, lembrou Mourão. “A população cresce, o consumo aumenta, o campo vai-se esvaziando num processo quase irreversível e as cidades vão inchando. Todos vão em busca de trabalho e dos serviços essenciais que o Poder Público normalmente oferece, como saúde, educação e moradia”, afirmou Segundo Nilson Mourão, a descoberta de petróleo e sua exploração colocará o Acre em novo patamar de desenvolvimento. “Disso não podemos abrir mão. O povo acreano merece um padrão de vida mais elevado. Podemos colocar-nos como o Estado mais próspero da Região Amazônica, não somente, pela extração de petróleo, o qual, certamente, dará uma contribuição decisiva que dificilmente outra atividade econômica seria capaz de fazer”, disse. Nilson Mourão defendeu a necessidade de se continuar debatendo a questão. Com isso, segundo ele, ganhará o povo acreano e ganhará o povo brasileiro. “Quanto ao petróleo, um dos vilões do aquecimento global, está em fase de esgotamento, e a busca de alternativas energéticas, creio, é um processo, no mínimo, de médio prazo. Como abastecer a frota de automóveis mundial? Como mover fábricas? Como produzir energia com tantas usinas termoelétricas espalhadas pelo mundo? Temos que seguir o caminho de buscas alternativas de energias mais limpas. Por isso, o Presidente Lula vem se empenhando na produção do álcool. Contudo, ainda existem reservas de petróleo, que, em qualquer país do mundo, serão exploradas até a última gota, e no Acre não será diferente”, afirmou. |
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