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Joaquim Maná Pesquisador e professor de Hãtxa Kuin (língua Kaxinawa)
Mas o pai Reginaldo se permitia cochichar com a mulher e os filhos em Hãtxa Kuin, a “língua verdadeira” de seu povo. E assim, Joaquim Maná tornou-se poliglota falando português fluente e “cochichando” em Hãtxa Kuin. Hoje, aos 45 anos de idade, é professor bilíngüe em sua aldeia e bem poderia ostentar o título de “doutor” em conhecimento tradicional da floresta amazônica. Eu o conheci sexta-feira na Comissão Pro-Índio do Acre, em Rio Branco. É um homem tranqüilo, de fala pausada, escritor e pesquisador dedicado. Um sábio da floresta. Sob sua coordenação ou com seu apoio, a CPI-Acre já publicou várias cartilhas que resgatam a história, os mitos, as artes do povo Kaxinawa ou Huni Kuin. Um desses livros, o Shenipabu Miyui que pode ser traduzido como História dos Antigos, foi produzido em parceria com os mestres em tradição em terras Kaxinawa no Brasil e no Peru. E já conta com uma versão editada pela Universidade Federal de Minas Gerais, que o adotou como tema de vestibular. Um trabalho precioso conduzido por Joaquim Maná tem o título de Nuku Kene Xarabu (nossos desenhos tradicionais), em que ele mergulha fundo na interpretação das artes das mulheres, expressas na tecelagem em algodão, nas palhas e nas tinturas. Maná conversou com suas avós e outras índias das nove aldeias existentes no vale do rio Tarauacá e no Peru, descobrindo que existem 62 nomes para esses desenhos, presentes nas peças artesanais do povo Huni Kuin (Kaxinawa). Os não-índios apreciam e valorizam as redes, saias, tiaras, adornos em arco e flexa, esculturas em cerâmica e madeira etc. – mas ainda estão longe de “ler” o que está por trás dos traços engenhosos e belos. Os próprios índios jovens entendem pouco da Arte do Kene, sufocada até 30 anos atrás pela dominação seringalista. Por isso Joaquim se empenha no seu resgate. Aliás, Joaquim Maná indaga que graduação poderia ser dada às velhas índias que produzem secularmente a Arte do Kene? E ele mesmo sugere, com razão, a graduação de “doutorado”. Na semana passada, eu escrevi neste espaço que o Governo do Estado poderia estudar a possibilidade de introduzir a língua Hãtxa Kuin na rede pública de ensino fundamental. Ou, pelo menos, criar uma escola piloto em Rio Branco, para ajudar os não-índios a entenderem melhor a floresta. A idéia agradou ao pessoal da Comissão Pró-Índio, e o antropólogo Terri Aquino, um dos fundadores da instituição, chegou a indicar Joaquim Maná para professor com honra e mérito. O povo indígena Huni Kuin é o mais numeroso do Acre. Sua população é estimada em 4.500 indivíduos. Nos últimos 30 anos, eles garantiram a posse da terra, organizaram escolas bilíngües nas aldeias e agora desenvolvem projetos de manejo como forma de sustentar as riquezas de seu território. Os agentes agro-florestais indígenas, por exemplo, coordenam desde o ano 2002 o repovoamento de tracajás nos rios e igarapés da reserva. As aldeias cuidam também de manter escolas e postos de saúde funcionando bem. Para isso, com apoio do CPI-Acre e outros parceiros, são produzidas cartilhas e publicações diversas em Hãtxa Kuin, que tratam do conhecimento de forma ampla, abrangendo: música, histórias antigas, plantas medicinais e Arte do Kene.
CORREIO
Caro jornalista: Já conversei contigo por telefone, intermediado pelo querido amigo Océlio de Medeiros. Quero que o nobre arauto das notícias tome conhecimento do que fizemos e as dificuldades da divulgação do livro que ilustrei. Fizemos uma impressão de 1.000 exemplares. Já tentamos de tudo junto ao Senador Tião Viana. Entreguei uma cópia ao Senador Sibá, outra ao ex-Governador Jorge Viana, e uma terceira cópia do livro foi para as mãos do Sr Marcos Vinicius, Presidente da Fundação Garibaldi Brasil, responsável pela cultura da Prefeitura de Rio Branco. Da parte do Senador Tião, já foi decidido: passou para a Prefeitura de Rio Branco. O Sr Marcos Vinicius já nos retornou dizendo que não tem dinheiro. Ou seja, o nosso esforço de meses de pesquisas, noites e noites desenhando a nanquim uma das mais belas histórias da formação geopolítica da nossa Pátria está malfadada ao esquecimento uma vez que, no nosso entender (Océlio Medeiros e eu), o Governo do Acre poderia abraçar a idéia do livro e torná-lo de leitura obrigatória em todas as escolas públicas do Estado do Acre, para conhecimento da epopéia do surgimento do Acre escrita de próprio punho pelo seu principal protagonista, o herói Plácido de Castro. Se o Acre não se interessar, a saga de Plácido de Castro ficará conhecida tão somente nos meios militares, pois a Biblioteca do Exército (BIBLIEx) vai publicar o livro e distribuir aos seus associados e bibliotecas do Exército espalhadas por todo o Brasil. A POUPEx - Poupança do Exército - já adquiriu 200 volumes ao preço de R$ 35,00 a unidade para distribuição aos seus clientes vips. Estou propondo à Prefeitura de São Gabriel-RS, terra natal de Plácido de Castro,a aquisição e distribuição da obra para os alunos das escolas públicas. E o Acre? Não há interesse? Se você ainda não recebeu um volume, me informe seu endereço para que possa enviar um exemplar. Saudações Coronel Luciano (Rio de Janeiro) Nota do editor: Luciano é coronel da ativa do Exército Brasileiro. Ele mora no Rio de Janeiro e tem acesso a arquivos raros sobre a questão do Acre. Há alguns anos passou a pesquisar sobre a vida de Plácido de Castro, em 2006 desenhou duzentas pranchas, em nanquim, para ilustrar os apontamentos de guerra do herói do Acre. É esse material, que ele já reuniu em livro, que ele acha importante difundir nas escolas do Estado e do país |
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