| OPINIÃO | ||
| CRÔNICA | ||
José Cláudio Mota Porfiro * |
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Perguntas esparsas, notas dispersas Certa vez, um analista amigo observou que, ao nível da ideologia e da política, seria eu muitíssimo importante lidando também com os mais jovens que freqüentam o ensino secundário. Trata-se do Professor Doutor Manoel Severo de Farias, a quem muito estimo pela luta em prol da formação da consciência crítica dos desassistidos deste Estado. Tenho andado às voltas com alguns poucos garotos e garotas de dezoito ou dezenove anos que, no Cebrb – Colégio Estadual Barão do Rio Branco - têm-me feito perguntas muito sugestivas. Constituem uma minoria, é claro; todavia, aí, já vislumbro um ponto de partida de onde muitos frutos podem ser colhidos. Ora, eles são oriundos das classes mais humildes da sociedade e, por conseguinte, freqüentam escolas onde noções mínimas lhes são passadas no tocante ao papel da política em suas vidas tão simples. Acentuo que é de causar grande contentamento o fato de alguns terem contato com pessoas mais velhas ligadas a movimentos comunitários e sindicais, o que os tem levado a fazer questionamentos como os que aponho neste texto. Até seria oportuno pedir licença aos economistas. Meus alunos do secundário perguntaram sobre quem ganha e quem perde nos processos de privatização das empresas estatais brasileiras. Perguntaram ainda sobre alguns outros tópicos. Prometi-lhes que, na medida do possível, passar-lhes-ia algumas notas dispersas (mesmo porque não sou especialista), iria produzindo alguns textos, em palavras bem acessíveis, que apontem direcionamentos que lhes possam sanar as dúvidas. Observo que é conveniente enriquecer-lhes os argumentos para os debates que se travam no seio das comunidades que se politizam a cada dia. (Em Xapuri, por exemplo, numa reunião com seringueiros, fiquei maravilhado com o elevado nível das discussões, em vista da pouca escolaridade das pessoas e considerando o alcance das pregações de Chico Mendes e outros paladinos). É gente que tem sede de saber e poucos são os que se dispõem a lhes ensinar alguma coisa. Ah, as elites são medrosas! Numa síntese grosseira ao que escreveu Paul Singer, no livro O que é economia (São Paulo: Melhoramentos, 1988), é preciso observar que a economia de um país deve voltar a sua atenção para as classes pobres da sociedade, o que não ocorre na prática. Por outro lado, segundo os economistas que guardam o dinheiro dos ricos, quando a economia é controlada pelo estado, são os impostos cobrados das classes privilegiadas que pagarão os benefícios sociais dos que não têm dinheiro. Poderia acrescentar que há uma certa dose do que chamo de lambança teórica. No mundo capitalista moderno, os dirigentes das nações são pessoas ricas que esquecem que a pobreza existe no quintal ao lado. Ademais, a classe média paga algum imposto, mas as elites não pagam. Querem estes últimos ainda que os mais pobres se comportem muito bem em sociedade. Todavia os impostos que não são pagos por eles não constroem escolas, não geram empregos, mas alimentam o sentimento de injustiça social numa marginália que não mais lhes bate à porta a pedir um prato de comida, mas lhes assalta e mata pelo simples fato de estarem com fome. No Brasil, então, os impostos são pagos por uma parcela mínima da sociedade, o que não dá sequer para construir presídios em número suficiente para guardar as mazelas humanas que temos criado desde o Brasil colônia. Tem ocorrido então é que a classe média começa a querer privatizar todos os setores. Como a educação já é privatizada e o ensino de boa qualidade é pago a altos custos, as nossas elites hoje tomam para si tudo o que gera dividendos, principalmente, os polpudos lucros vindos da exploração do petróleo, do ouro, do sistema bancário, dentre outras mais. Então, se um setor é privatizado, o Estado deixa de exercer poder sobre ele. Aí, as empresas passam a ser controladas pela rigidez dos grupos privados – em busca de lucros – que passam a fazer um trabalho competentíssimo nesse sentido. A elite, com a privatização, ganha muito dinheiro, sim, mas sonega impostos e ainda envia recursos para bancos de outros países, onde o seu dinheiro fique longe das vistas de um Governo que não foi eleito para ver os disparates e imoralidades praticados pelos poderosos. Lembremos o caso do Banacre. Preliminarmente, diria que se o banco dos acreanos tivesse sido entregue à iniciativa privada, não teria falido, visto que desapareceriam as comodidades, os conchavos, os apadrinhamentos tão nocivos à vida de uma empresa que visa lucros. Mas o banco era uma instituição pertencente apenas aos acreanos mais ricos, donos do Estado; exatamente aqueles que o jogaram precipício abaixo. Faltou ao Estado, então, competência suficiente para colocar no Banacre pessoas com competência real, mesmo que fossem do PT ou do PC do B... E isto não aconteceu. Os economistas do banco e os governadores do Acre eram gerentes de seringal que mal conseguiam ver além das suas cozinha imundas. São as humildes vidas das pessoas mais simples que perdem espaços e oportunidades. Aqueles que têm sede de saber não podem dispor de uma escola com qualidade suficiente que lhes faça compreender algumas verdades como a do Caso Banacre, onde os impostos foram sonegados, a injustiça social alcançou índices alarmantes e só a elite saiu ganhando. Tal como estas notas são verdades tão dispersas, Karl Marx até hoje e sempre continuará tendo razão: quem era rico ficou mais rico e quem era pobre faliu. Uma lástima! * Cronista |
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