COTIDIANO
 COLUNAS
 EDITORIAL
 ENTREVISTA
 ESPECIAL
 POLÍTICA
 OPINIÃO
 VIA PÚBLICA
 VARIEDADES
 EDIÇÕES
 EXPEDIENTE
 E-MAIL
 
POLÍTICA

Fundação Elias Mansour ganha novasede no Calçadão da Gameleira

Acompanhado de Glória Perez, Jorge Viana inaugura o endereço

Sérgio Valle/Secom
Escritora Glória Perez foi a
convidada de honra do evento


Edmilson Ferreira

“Bendita sejas tu, preguiça amada, que não consentes que eu me ocupe em nada!”.

Assim começa o poema que em sua essência se parece por demais com a índole de seu autor, Juvenal Antunes, o mais gaiato hóspede do Hotel Madrid, vivente de uma das ruas mais movimentadas de Rio Branco no começo do século passado. “Boêmio inveterado, irreverente e anarquista, Juvenal Antunes escandalizava a sociedade acreana do começo do século com a defesa do amor livre”, descreveu uma vez a novelista Glória Perez, autora de “Amazônia - de Galvez a Chico Mendes”, a minissérie que contará a história do Acre e seus belos personagens. Entre eles está Juvenal Antunes, que teve estátua esculpida por Cristhina Motta na entrada da nova sede da Fundação Cultural Elias Mansour, inaugurada no começo da noite desta segunda-feira pelo governador Jorge Viana.

A sede é o endereço definitivo da cultura do Acre e não somente um escritório de administração. No acesso, uma galeria permanente de artes plásticas. Mais adiante, o visitante encontra o setor administrativo. Localizada na rua Eduardo Assmar, que aos poucos vai se transformando no Circuito Cultural da Gameleira, a FEM agora ocupa o prédio do antigo Hotel Madrid, onde moraram Juvenal Antunes e seus ídolos inseparáveis - Laura, a musa distante, e o ócio, presença constante.

A reinauguração da FEM ocorreu como importa a uma instituição dada à cultura: com festa e alegria, muita alegria. A presença de Glória Perez, acreana que consegue fazer milhões de pessoas atentarem durante meses e meses à telinha da TV Globo, deu um brilho especial à festa. O antigo prédio do Madrid foi revitalizado ao longo de mais de seis meses para abrigar a FEM e consolidar a política de suporte às artes e ao pensamento: agora, a intelectualidade acreana possui um endereço de fato e de direito. O governo do Estado adquiriu o prédio de seus proprietários. A herdeira, dona Ida Rodrigues, com seus 92 anos, esteve presente e recitou quadrinhas de Antunes. “Ele era muito pornográfico”, disse ela, tia de Glória Perez. Ida foi proibida pelo marido de ficar muito tempo perto do poeta.

A estátua de Juvenal Antunes mostra-o conforme foi na boa parte da vida: de robe, com uma caneca de cerveja (“era a Gato Preto, Ga-to Pre-to, enfatizou a escritora Florentina Esteves, que também conheceu Antunes), uma caneta e um caderno. O ato Ivan de Castela apresentou uma belíssima perfomance do poeta, bêbado, satírico e anarquista -uma loucura para o Acre daqueles tempos.

Muitas presenças – O evento lotou a rua, o Calçadão e as dependências da FEM. Estiveram presentes o governador eleito Binho Marques, o senador Tião Viana, o prefeito e o vice-prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim e Eduardo Farias, o líder do governo na Assembléia Legislativa, Edvaldo Magalhães, e muitos artistas de todas as áreas.

“Cresci ouvindo as histórias dele”, disse Glória Perez. De fato, segundo os que o conheceram de perto, mais que um afeito à preguiça era um homem de alma generosa, que por isso atraia a atenção das pessoas - e sua pessoa paradoxal parece ter inspirado a frase de Jorge Viana na reinauguração da FEM: “aqui é a casa do possível e do impossível”.

Placa traz texto de Armando Nogueira sobre Juvenal Antunes

A placa de reinaguração da Fundação Elias Mansour traz um texto do jornalista acreano Armando Nogueira sobre Juvenal Antunes. “Foi o grande trovador de minha infância”, diz Nogueira, completando com uma biografia do escritor boêmio: O promotor público e poeta Juvenal Antunes de Oliveira nasceu aos 20 de abril de 1883, em Ceará-Mirim (RN). Chegou ao Acre em 1913, onde trabalhou como promotor público e delegado de polícia, publicou dois livros - Cismas (1922, Natal) e Acreana (1922, Acre). Morreu em Manaus no dia 30 de abril de 1941, aos 55 anos de idade, quando viajava de volta à terra onde nasceu.

“Convido a todos que façam desta casa a extensão de suas casas”, pede Jorge Viana

O endereço das artes não poderia ter sido melhor traduzido: exatamente às margens do rio Acre, ao lado de espaços importantes como o Cine Teatro Recreio e a Tentamen, surge revitalizada a Fundação Elias Mansour, que no seu início se chamou Fundação Cultural do Estado, esteve agonizando algum tempo mas foi fortalecida pelo então secretário de Educação e Cultura, Binho Marques, hoje eleito governador. A FEM faz parte do complexo de comunicação e cultura do Estado, integrando um eficiente sistema que beneficia milhares de pessoas em todos os municípios.

“Convido a todos a fazerem desta casa a extensão da casa de vocês”, disse o governador Jorge Viana pouco antes de descerrar a placa de inauguração junto com Glória Perez, Binho Marques e convidados.

Sede em prédio histórico coroa investimentos na cultura

Para o presidente da FEM, Assis Pereira, instalar-se no circuito cultural da Gameleira e em um prédio histórico é mais que uma ação administrativa mas o coroamento de tudo que o que foi feito pela cultura do Acre nos últimos anos. “Esta sede é o coroamento dos investimentos nas artes e na cultura”, disse Pereira.

“Este espaço oferece muito melhores condições de trabalho para os servidores da FEM, disponibiliza obras para visitação pública e abre para exposições temporárias”, completou o presidente.

 
 
© Copyright Página 20 todos os direitos reservados    -      Imprimir       -       TOPO
Rio Branco-AC, 15 de novembro de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
P E S Q U I S A