| COTIDIANO |
| COLUNAS |
| EDITORIAL |
| ENTREVISTA |
| ESPECIAL |
| POLÍTICA |
| OPINIÃO |
| VIA PÚBLICA |
| VARIEDADES |
| EDIÇÕES |
| EXPEDIENTE |
| POLÍTICA | |
Biscoito feito de goma é uma das iguarias mais apreciadas do Acre Produção artesanal e sabor agradam a todos que o provam |
|
Às quatro horas da manhã a lenha crepita no forno que começa a receber as primeiras levas de massa que em segundos vão sair transformadas nas irresistíveis broas de goma que dona Guida vende aos sábados e domingos na feirinha dos produtores do mercado novo. O dia a dia na colônia do quilômetro 55 da estrada de Porto Acre é carregado de trabalho que começa de madrugada e se estende até o anoitecer. É ali que está a última “fábrica” de biscoitos de goma, que com sua doçura delicada que desmancha na boca, faz a deputada Naluh Gouveia levantar cedo aos sábados e domingos para buscar pelo menos um pacote. “Parece incrível, mas toda vez que nossos parentes que vivem fora do Acre me fazem uma encomenda pedem pirarucu, farinha de Cruzeiro do Sul, mas nunca esquecem de recomendar que querem matar a saudade da broa de goma preparada pela dona Guida”, confessa a deputada. Nascida num dia de Natal no seringal Pirapora, em Boca do Acre, Margarida Frota da Silva que hoje tem 61 anos, lembra que ainda menina foi levada para Manaus onde viveu boa parte de sua vida até voltar para Rio Branco onde, já casada, foi viver numa colônia do Panorama onde seu compadre Francisco Divino ensinou-lhe a receita e o modo de preparar as broas de goma. “A receita é simples, leva goma seca, açúcar e clara de ovos, o resto é jeito de fazer, dá muito trabalho, já ensinei a várias pessoas, mas ninguém levou o trabalho adiante. Não é fácil acertar o ponto, mas quando você pega o jeito acontece isto que se vê aqui, as pessoas vindo uma atrás da outra para comprar este biscoito que desmancha na boca”, afirma ela sem falsa modéstia. Francisco Divino vendia os biscoitos a praça da bandeira, Guida aprendeu a receita e só produzia para a família em casa, ater que ele disse que não iria mais à feira e ela então foi substituí-lo. “De lá para cá são 27 anos fazendo e vendendo broas de goma. Comecei na Praça da Bandeira, depois fomos jogados ali praquela antiga praça abandonada onde construíram o Terminal Urbano, dali ganhei espaço para trabalhar no mercado novo que hoje é um espaço decente pra se trabalhar”. Mãos à massa - Pode parecer incrível, mas para atender sua freguesia dona Guida compra uma média de 60 quilos de goma escorrida por semana. Depois de lavar e secar o amido da mandioca, ela Lea para o forno de farinha levemente aquecido para secar de ver e obter assim um pó branco, muito fino e de aroma suave. Pacientemente passado em peneira fina, a goma vai recebendo açúcar e clara de ovos que depois de aquecidos dão origem à massa que vai descansar enquanto esfria para poder pegar o ponto. Sem pressa, mas com segurança a massa vai sendo estirada e cortada em rodinhas que devidamente enfarinhados secam e entram no forno pra lá de aquecido. Lá estalam como pipoca para sair transformado numa broa “cheia de vento”, crocante e levemente doce. Nesse momento entra em campo a perícia do forneiro, um dos filhos de dona Guida, para que a broa não fique crua, nem ressecada, mas no ponto certo. Sabor de saudade O funcionário público Antônio Sales, 46 anos, pai de dois filhos, é outro que vai ao mercado todo domingo e não consegue voltar para casa sem um pacote de biscoitos de broa na sacola. “É uma receita tão simples que minha esposa diz não entender porque é que eu gosto tanto disso. Mas gosto mesmo dessa doçura crocante que vai derretendo na boca. Também tem a saudade da minha infância quando saía de tabuleiro na mão vendendo as broas que dona Judite Nogueira preparava. Depois que ela morreu levando a receita, é só aqui que encontro esta delícia”. |
|
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
| |