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POLÍTICA

Prefeitura começa incineração de metano, no aterro sanitário

Procedimento visa dar destino adequado ao lixo da capital

Rafael Bonamim
Tubos de concreto para a queima do metano têm cinco metros de profundidade


Resley Saab

A Prefeitura de Rio Branco começou a incinerar o metano, gás altamente tóxico e acumulado há anos, no aterro sanitário da cidade, a 11 quilômetros da cidade pela Estrada Transacreana. Se não for queimado, o metano, que se forma a partir do grande acúmulo de lixo, poderá contaminar o solo do local.

O procedimento é mais um entre muitos outros da atual administração do prefeito Raimundo Angelim para resolver o problema da má destinação do lixo na capital.

A queima do gás é realizada em tubulações de cimento, compostas de uma manilha de esgoto preenchida com brita e garrafas plásticas de refrigerantes. Essas tubulações são colocadas na área do aterro destinada ao despejo de resíduos orgânicos, aqueles restos de comida originários das residências, dos supermercados e dos restaurantes.

Cada tubo será colocado a uma distância de quinze metros um do outro e terá cinco metros de profundidade. O processo de descontaminação, no entanto, é lento. Levará em média 15 anos, mas também faz parte do plano de construção do novo aterro sanitário, com data prevista para entrar em funcionamento em meados de julho de 2008.

Dois milhões dos R$ 10 milhões financiados pela Caixa Econômica Federal para que a Prefeitura de Rio Branco construa o novo aterro estão sendo gastos nesta fase, que é a de encerramento do atual depósito. Depois de fechado, vai continuar sendo controlado pelo Município durante anos, até que se torne remota a possibilidade de ele causar algum prejuízo ao meio ambiente.

A medida é uma das respostas da atual administração a procedimento da Procuradoria da República no Acre, recomendando medidas para conter a contaminação do solo local. Essa recomendação foi expedida pela PGR ainda na administração do prefeito Isnard Leite, considerando que o atual aterro nunca funcionou de acordo com a legislação específica sobre aterros sanitários no Brasil.

“O que estamos fazendo aqui é uma operação necessária e alternativa, e que não pode ser paralisada nem nessa administração, nem nas demais que virão”, diz o secretário Municipal de Serviços Urbanos, Gildo Rocha. Ele e técnicos da empresa PRT, Prestação de Serviços, a firma responsável pela coleta do lixo na cidade, estiveram ontem pela manhã acendendo o primeiro ‘queimador’ do metano.

Atualmente, 140 toneladas de lixo, entre entulhos, resíduos hospitalares e domésticos, são lançadas no aterro de Rio Branco.

Gás é 21 vezes mais poluente que o carbono

Para Marcello Buzzeto, técnico responsável da PRT, a queima do metano possibilita uma redução expressiva de poluentes na atmosfera, uma vez que segundo ele, o gás tem 21 vezes mais poder poluidor que o gás carbônico. “A constatação foi de estudiosos no Protocolo de Kyoto”, explica ele.

O protocolo, assinado em 1997, em Kyoto, no Japão, se tornou naquela época, no novo componente da Convenção Marco sobre Mudança Climática da Eco-92, e continha, pela primeira vez, um acordo que compromete a maior parte dos países desenvolvidos a reduzir suas emissões de gás carbônico na atmosfera.

Ele explica que a queima do metano funciona naqueles locais do aterro que são conhecidos por “células de resíduos domiciliares”. São nessas células que é despejado todo o lixo orgânico.

Desse modo, para que aconteça o fluxo do gás, do interior dessas células até a superfície, foram criados dutos por meio de garrafas plásticas de refrigerante. Essas garrafas, quando amontoadas uma às outras, permitem deixar espaços por onde o gás escoa até a boca da manilha. Na superfície, sobre a brita, o gás encontra a chama que o transforma em gás carbônico.

Novo aterro padrão - O novo aterro sanitário de Rio Branco terá 80 hectares – 62 hectares a mais que o atual – e passará a se chamar de Unidade de Tratamento e Disposição Final de Resíduos Sólidos Urbanos, Utre. O aterro terá capacidade para até sete toneladas por mês, média de três mil a mais que o atual.

Serão exatamente R$ 9.618.300, do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o FGTS, da Caixa Econômica Federal e uma contrapartida de R$ 1.068.700 da prefeitura.

 
 
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Rio Branco-AC, 15 de dezembro de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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