OPINIÃO
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Taumaturgo Lima *

 

Atenção para com os menores

E viva o povo brasileiro, dizia o poeta. Estamos todos de parabéns. O mundo houvera entendido que apenas na Itália fervilhavam juízes espertalhões. Hoje, todos vêem que também temos conseguido jogar alguns dos nossos na cadeia por corrupção e fraude. Então, seriam esses os famosos “peixes grandes”? Talvez sim!

É preciso atenção para com os menores. Preocupa-nos, agora, a miudeza. Os corregedores fisgam os tubarões, mas não podem se esquecer dos peixes miúdos que têm também dentes afiados e apetite incomum. Estes, primeiro estraçalham a rede para, depois, levar cada qual o seu bocado que se soma aos demais para fazer estrago colossal.

No Brasil do século XXI, distante dos olhos da imprensa, os pequenos ladrões fazem a festa. Seu trabalho é forjar orçamentos, mudar leis, trocar dívidas por apartamentos, fraudar licitações e desviar repasses. Nos sertões brasileiros, vilarejos e até cidades de porte médio tornam-se reféns dos sacanas. Pequenos municípios tomados pelos peixes pequenos não avançam contra os problemas culturais e sociais. Algumas vezes, até aceleram em sentido contrário, destruindo o pouco que construíram.

Se por sorte a justiça consegue o flagrante, o pequeno ladrão se afasta. O objetivo é “facilitar as investigações”. Aí, uma autoridade local constitui comitê independente de investigação e o circo programa alguns dias de espetáculo. Seguem-se declarações de efeito, bloqueios e desbloqueios de contas e bens, golpes e contragolpes, liminares e habeas corpus, escutas e mais denúncias. Shows de grande impacto permanecem algum tempo na mídia. Shows menores são restritos aos cantos de página e saem rapidamente de cartaz. Em pouco tempo, o velho esquema volta a agir, ou um novo peixe toma o lugar do descuidado.

Conforme o Dr. Thomaz Wood, da Universidade de São Paulo, “a Transparência Internacional divulgou o primeiro Barômetro Global de Corrupção, uma pesquisa que envolveu dezenas de países de todos os continentes. O Barômetro mediu atitudes e expectativas sobre os níveis futuros de corrupção”. Uma das perguntas-chave da pesquisa era a seguinte: se os cidadãos tivessem uma “varinha mágica”, capaz de eliminar a corrupção, onde eles mais gostariam de utilizá-la? Responderam à questão mais de trinta mil pessoas de quarenta e quatro países. Significativamente, os partidos políticos foram os “eleitos” em trinta e três dos países pesquisados. Os porcentuais foram especialmente altos na Argentina e no Japão.

Para a Transparência Internacional, “os cidadãos estão enviando uma mensagem clara aos líderes políticos: é preciso reconstruir a credibilidade”. É tempo de reconhecer a extensão da corrupção entre as elites políticas tanto no mundo desenvolvido, como no mundo em desenvolvimento. Urge tratar convenientemente os conflitos de interesse e reduzir a imunidade política.

Os olhos nacionais ficaram esbugalhados porque viram o Juiz Lalau ser preso. Peixe grande. Mas parece que o espanto foi tal que continuamos bestificados e não vemos que o meu prefeito, o meu secretário e o meu chefe de gabinete de Sucupira d’Oeste rouba mais que rato em noite de lua cheia. Cuidemo-nos!

* Deputado Estadual do PT

 

 
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Rio Branco-AC, 16 de janeiro de 2004
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