| OPINIÃO | ||
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Cleber Borges * |
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| A importância que minha filha e Rio Branco têm para mim Minha caminhada de hoje foi particularmente nostálgica. Fui entregar dois livros de Química e Matemática para a Paula, lá da escola AME, que pertenciam à minha filha Clara. Há seis meses ela não mora mais comigo. Depois que me separei, ela e a mãe foram morar nos EUA. Tinha a certeza que os livros poderiam ser mais úteis para um aluno bolsista, assim como a Clara foi quando começou estudar naquela escola que pra mim, que ultimamente não ando lendo nada. Fui a pé. Ao sair do meu “bunker” rumo ao Novo Horizonte, passei pela curva do Manicoré, onde um velho picolezeiro amigo da gente foi atropelado e morto por uma motorista que covardemente sequer socorro prestou. Deu uma saudade enorme do tempo em que a Clarinha corria atrás do vendedor - só de calcinha – pedindo um sorvete duplo de gosto duvidoso por conter mais Maizena que chocolate, e a nossa inesquecível cadela correndo atrás e latindo pra ele. Acho que era a voz fina do Seu Américo que irritava tanto a Marmota. De lá da rua do Danilo D´Sacre avistei a casa que foi nossa. Minha cabeça virou um turbilhão. Cheguei na Antonio da Rocha Viana, desci por aquela calçada onde, às vezes, minha linda menina moça subia à pé quando eu não ia buscá-la ou quando ela desencontrava da Fátima do Yuri, que sempre lhe dava carona. Morria de dó da minha filha. A vontade que dava era de carregá-la no colo pra compensar aquele “sofrimento”. Passei pela nova ponte sobre o igarapé São Francisco (onde sempre eu dizia quando passava com ela sobre qualquer curso d´água: Olha o rio, Neném!) e, logo adiante, em frente à parada de ônibus do Horto Florestal, onde também ela ficava a espera de carona. Pensei, cá com meus botões: No ano passado, no ano retrasado, ela podia fazer isso porque não era “tão pequenininha”, já era uma verdadeira mocinha. Já era mais dona de si. Na frente do Horto pensei novamente: como nossas mentes são poderosas, não? Como elas têm o poder de nos transportar no tempo. Lembrei das nossas sofridas e rotineiras caminhadas de mais de um quilômetro que enfrentávamos da frente do Horto até à escola Álvaro Rocha. Fazia aquilo por puro capricho porque sabia que, naquele momento, aquela era a melhor unidade de ensino do município. Na época, eu queria o melhor para a Clara da mesma forma como continuo querendo hoje. Lembrei também de um memorável passeio que fizemos por lá, onde ela, os primos Tales e Bernardo e a Clara Beck tiraram a fotografia mais espontânea e linda que já vi. Essa foto está comigo, mas vou doar para eles. Passando pela rua esburacada de tijolos da AME, avistei vários carros, todos conhecidos. Todos de pais que continuam pacientemente buscando seus filhos. Avistei a moto do filho do dono da escola, um conhecido Ford K azul, uma perua branca de uma jovem senhora que foi vizinha nossa da casa velha do Bosque e, dentre outros, o Pálio Weekend branco da Bernardete/Turu (Amigos da Maria da Luz), pais de uma grande amiga da Clara. Lá dentro da escola foi ótimo. Revi todo mundo. Os donos, professores, funcionários. Muita gente me reconheceu. Muita gente perguntou, de forma carinhosa pela Clara. Conversei com a Renata e com a Karol, que estava do lado de fora, sem farda, e querendo entrar. Ela está linda. Está usando aparelho nos dentes e com a formosura típica de uma adolescente. Ao sair, olhei de lado, vi a quadra de esportes nos fundos e lembrei da noite em que eu e a mãe da Clara fomos levá-la para a primeira festa Hallow een (é assim que se escreve?) da vida dela. Aliás, sua primeira festa só, pelo menos que eu me lembre. Mais na frente, em direção a Valdomiro Lopes (rua estreita, movimentada, perigosa e feia), continuei andando e vi, do lado direito, um terreno baldio onde alguém, há muitos anos, cria cavalos. O cheiro no local é bem característico. O nome daquele bairro, talvez o menor da cidade, É Santa Quitéria. Sei disso porque trabalhei na prefeitura de Rio Branco por longos oito anos. Exatamente em frente, do lado esquerdo, no pátio de uma firma empreiteira de estradas, onde os portões estão constantemente abertos, é possível ver sempre um bando de gansos e marrecos. Uma pequena parada que fiz foi suficiente para eles virem, em massa, me atacar fazendo uma barulheira danada. Outra vez que passei por ali devagar, mesmo estando de carro, eles também atacaram. Isso é bom. Isso significa que eles são bons guardiões. Além de tornarem o lugar bastante bucólico, eles permitem que os portões fiquem abertos e, por conseguinte, que a espaçosa e bem organizada área interna seja vista e apreciada. Na rua da casa da Renata virei à esquerda, novamente rumo a Avenida Antonio da Rocha Viana. Em direção à parada de ônibus olhei a escola Mozart Donizeth, onde a Clara também estudou, e reparei que ela continua com a mesma pintura de quando foi reformada logo depois que minha filha foi transferida para a AME. De repente apareceu o “baú” da linha Irineu Serra. Embarquei e, sentado numa poltrona almofadada, pensei se a diferença do conforto dos ônibus daqui é muito grande em relação aos dos EUA. Na época em que estive lá era. Depois conclui: que bobagem! Quem está, ultimamente, andando de limusine em Nova York não está preocupada com a qualidade da frota de ônibus não, apesar dela ser a terceira melhor do país. Que país? Do Brasil, é claro! Clara. Em Tempo: Um grande beijo para a Clara que, por força do destino me deixou, e para Rio Branco também, que pelo mesmo motivo, também estou me separando. * Jornalista e professor |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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