COTIDIANO

Mostra Itinerante dos trinta e cinco anos do cinema acreano

Produtor apresenta diagnóstico das construções cinematográficas

 


Val Sales

A primeira Mostra Itinerante dos 35 Anos do Cinema Acreano teve início no dia 8 deste mês e se estende até 19 de abril. As películas estão sendo exibidas nas escolas públicas de Senador Guiomard, Bujari e Rio Branco, sendo que na capital, parte das apresentações está sendo feita na Biblioteca da Floresta Marina Silva, no Parque da Maternidade.

O produtor cultural Adalberto Queiroz explica que o objetivo da temporada é difundir a produção de todas as pessoas ao longo dos últimos anos, promover o encontro entre os realizadores e o público por meio de suas obras, além de ser um trabalho de edificação dos atores, roteiristas e outros integrantes, para que essas instituições programem os filmes e temas que queiram abordar entre a comunidade estudantil.

“As escolas podem fazer uso das temáticas para as atividades de ensino e aprendizado em todos os níveis, indo desde o Fundamental até o Terceiro Grau. Os temas também são variados e abordam desde o meio ambiente, a história da evolução e os problemas sociais”, lembrou. Ontem na Biblioteca da Floresta foi apresentado o filme “Sujeito Coletivo”, baseado na vida e morte do sindicalista Wilson Ribeiro.

Hoje às 19h30, será exibida a película “Agonia na Cidade”, abordando a problemática do meio ambiente. O filme foi produzido durante uma expedição no rio Acre, feita pelos jornalistas Josenir Melo e Ailton Oliveira. Para Adalberto Ferreira, 35 anos de cinema é muito tempo para um resultado que ainda deixa muito a desejar do ponto de vista das produções fictícias. “Esse quadro revela que muita gente, pouco ou quase nada, teve a preocupação de debruçar-se ao estudo para, ao menos, aprender o básico ou o mínimo que se pode exigir na concepção de uma idéia, roteiro, produção e direção,”, ressaltou.

Segundo ele, é vergonhoso que pessoas com mais de duas décadas de dedicação ao cinema, nos tempos atuais estejam produzindo filmes sem o mínimo projeto, onde o improviso é o timoneiro. “O resultado não poderia ser outro: trabalho de câmera mal feito, atores com interpretações que chegam a ser péssimas, histórias mal contadas e erros de seqüências, para não falar em outros absurdos”, observou.

Onde estão as boas produções?

Adalberto Ferreira questiona: “Onde estão as boas produções, cadê aquele espírito voltado para as boas construções que fizeram parte das primeiras produções em película super 8mm?”.

Ele lembra que, por ocasião do início do filme “Fracassou Meu Casamento” e quando foi fundado o Grupo Ecaja, há 35 anos, a equipe, na qual ele se inclui, queria fazer cinema arte numa época norteada por um regime militar e com todas as limitações. A intenção era fazer algo que respeitasse e orgulhasse o público.

“Por favor, não venham me dizer hoje que fazem produções amadoras por falta de recursos e de apoio. Esse é um discurso que não tem cabimento”, enfatiza. Para ele, antes há de se buscar seriedade no propósito de fazer cinema e vídeo. “Acabem com esses impulsos desvairados de querer fazer cinema de qualquer jeito”, acrescenta.

E o produtor vai mais longe ainda: “O pior, diante de todo esse quadro, é que quando se faz uma análise crítica desses filmes, justamente no sentido de ajudar a construir, sob a ótica de uma atitude amiga, como tem sido a proposta da Assacine nos últimos anos, essas pessoas ficam melindradas, por conta também dos resultados negativos nos festivais, e tornam-se inimigas”, declara.

Recado aos bons produtores

Depois de tecer suas críticas ao que considera como falta de interesse em produzir boas películas para o público, Adalberto Ferreira, manda um recado aos bons produtores de ficção, aos documentaristas, imbuídos nos bons propósitos e aos que estão preocupados com a sua formação e ao processo de elaboração dos trabalhos: “A minha gratidão a vocês que serão os autênticos representantes do cinema de qualidade que se busca no Acre, junto aos que, doravante, repensem suas atitudes diante de tudo”, sintetiza.

O público acreano está tendo a oportunidade de observar de perto as produções cinematográficas produzidas no Estado. A divulgação dos trabalhos está em pleno vigor, cabendo às pessoas e instituições buscarem os temas que mais lhe interessarem.

Os estudantes, por exemplo, podem aprender mais sobre os grandes nomes que se tornaram imortais, como é o caso dos líderes Wilson Pinheiro e Chico Mendes, além de temas que abordam a situação do meio ambiente e a problemática social do dia-a-dia das comunidades.

 

 
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Rio Branco-AC, 16 de março de 2008
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