| OPINIÃO | ||
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| Fernando Melo * |
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Por que sou mandioqueiro Desde a campanha política de 2006 percebi a necessidade de a Amazônia resgatar a mandiocultura. Conversando com o empresário Raimundinho, de Tarauacá, sensibilizei-me com o esforço dele em abastecer a sua região e também parte do sudoeste amazônico. Falamos muito da mandioca, da cachaça à farinha, à fécula e aos seus derivados cosméticos e farmacêuticos. Foi pensando e muitas vezes sonhando com o dedesenvolvimento do Acre, e analisando tudo o que já foi feito até aqui, e acima de tudo o que estamos fazendo, que a encontrei e resolvi estudá-la e compreendê-la. A mandioca é uma planta genuinamente brasileira. Antes da chegada dos portugueses, já era cultivada pelos índios que dela se alimentavam sob a forma de iguarias. Nossos nativos também fabricavam bebidas muito consumidas e apreciadas em festas. Eis aí o sucesso da caiçuma. Tenho visitado mandiocais, cientistas e mandioqueiros em geral. Hoje mesmo estou em Botucatu, no interior de São Paulo, percorrendo campos experimentais e conhecendo os laboratórios do Centro de Raízes e Amidos Tropicais (Cerat) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). É a seqüência de um estudo que iniciei com pesquisadores da Embrapa em Rio Branco. O senador Sibá Machado também esteve aqui. Vi tudo e me admirei. Precisamos resgatar a mandioca, da qual extraímos a farinha fina, extra fina, beneficiada, média, grossa e bijusada. E, em tempo de biocombustíveis, o etanol. Aliás, os governantes amazônicos têm essa obrigação. Disponho-me a contribuir, consciente que há muitos e até solitários cientistas estudando a mandioca, descobrindo suas múltiplas utilizações e, sobretudo, nela apostando como instrumento firme de desenvolvimento da Amazônia de forma sustentável. Antes de vir para cá, na quarta-feira encontrei-me com o valoroso Eron Bezerra, membro do PC do B e atual secretário de Produção do Estado do Amazonas. Nossos vizinhos apostam na produção da mandioca e sobre o assunto falarei em próximos comentários. A mandiocultura é a minha nova paixão e objeto de estudo. Minha cabeça está cheia de números. Sei, por exemplo, que a sua produtividade média nacional é de 13 toneladas por hectare, mas pode alcançar fabulosas 150 toneladas, conforme estudo que me foi mostrado pelo agrônomo “acreúcho” Dione Salla, na Fazenda Experimental Lajeado. Mandioca é igual ao bombril: tem 1001 utilidades, da produção de alimentos ao etanol. Contudo, foi no cientista e doutor da Unesp que encontrei o seu maior entusiasta. Seus argumentos são fabulosos. Salla é um dos poucos que dominam a matéria. Me orgulho dele. Seus argumentos são profundos e nos conduzem a acreditar que a nossa macaxeira pode ser sim um instrumento que, de forma sustentável do ponto de vista econômico e ecológico, trará melhor qualidade de vida aos amazônidas, especialmente acreanos e rondonienses. Ainda não está provado, mas possivelmente a casa da mandicoca que hoje está espalhada em todo o planeta seja o Acre e Rondônia. A mandioca se sente em casa no Acre. Sua produtividade é muito maior aquí do que em qualquer outro lugar. A mandioca é produzida principalmente por produtores de pequeno porte, em sistemas com pouco ou nenhum uso de tecnologia moderna, especialmente agroquímicos. Outra característica agronômica importante é sua raiz, que pode ser armazenada n o próprio solo por um período razoável, sem perdas consideráveis e rendimento. Comparando-a com o cultivo da seringueira, vejo a possibilidade do resgate proposto. Ambas são amazônicas. São visíveis os avanços do estado ao instalar a fábrica de preservativos com látex natural em Xapuri. Mais que a seringueira, a mandioca pode ter o domínio do seu cultivo e exploração por todos que trabalham com a terra. O mundo que leu sobre os antigos seringais, hoje toma conhecimento de que aqui ainda se produz borracha da boa. E os brasileiros, depois o mundo, poderão saber brevemente, que a mandioca é nobre e deve ser reconhecida como uma das maiores riquezas da Amazônia. Vamos trabalhar a idéia? * Deputado federal (PT-AC) e membro titular da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados |
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