PÁGINA DO EMPREENDEDOR

Maria Cosson: doçura e tradição

Receitas passadas de mãe para filho são transformadas em verdadeiras obras de arte gastronômica em Xapuri


Juracy Xangai

Ir a Xapuri e não passar pela casa de Chico Mendes ou provar um dos quitutes preparados por Maria Cosson é como ir a Roma e não ver o Papa.

Do alto de seus 77 anos e mãe de quatro filhos ela maneja com autoridade sobre a cozinha tradicional acreana influenciada pelos pratos nordestinos e sírio-libaneses atuando como elementos dominantes para criar um sabor com identidade regional que agrada a todos.

Filha de mãe cearense e pai maranhense, aprendeu com eles as primeiras lições culinárias como o preparo do queijo fundido e o preparo da cajuína, bebida que se transformou em tradição nas festas e banquetes de Xapuri, ou como refresco saboroso.

“Naquele tempo não tinha coca-cola e esses refrigerantes todos de hoje em dia, então se tinha uma reunião de gente importante ou simples encontro de família, a cajuína não podia faltar!” Mas os tempos mudaram e Maria Cosson vê-se quase solitária na guarda de uma saborosa tradição que pode deixar de existir pelo desinteresse da juventude em aprender o mister das quituteiras.

“Até pouco tempo atrás quem fazia a melhor cajuína de Xapuri era a finada Adelina Morte da Costa, hoje restam só eu e a Carmem. Os jovens não tem mais interesse por essas coisas, estão acostumados a pegar tudo pronto, por isso não se dedicam a aprender o preparo, mas de tomar todo mundo gosta”.

Maria Cosson conta que antigamente a produção desta bebida artesanal era impulsionada pela fartura de cajueiros que povoavam os quintais onde hoje estão cada vez mais ausentes. “Não é todo caju que dá boa bebida”, adverte. “É preciso escolher os frutos bem maduros, doces, sem defeito e que não tenham tomado chuva. A gente pega os frutos e passa pela máquina de moer carne, recolhe o caldo e o bagaço, espreme e côa para ficar bem limpinho. Daí acrescenta uma barra de cola e vai mexendo enquanto ela derrete, até ficar quente. Não pode ferver que estraga, mas se fizer com cuidado, esta bebida fica cristalina. Daí a gente côa três vezes nos panos com algodão, engarrafa e põem de pé dentro das panelas com água para ferver durante três horas, tampa e pode guardar por até três anos que fica muito bom”.


Maria Cosson aprendeu com os pais as deliciosas receitas de culinária

Quitutes da Cosson - Sem fazer segredo da receita de sua cajuína, ela também prepara pratos como as bolinhas de mel, comida típica da cozinha árabe onde é conhecida como filhós. São bolinhas crocantes de massa frita embebidas em mel aromatizado de flor de laranja, jasmim ou limão que Maria só faz por encomenda.

No balcão de sua lanchonete que funciona a poucos metros da igreja de São Sebastião, quem encosta á férias a dieta e aproveita a ocasião para saborear queijadinhas sobre massa folheada, esfiha aberta, pastel de forno, monteiro lopes, castanhas recheadas, bom-bons de tamarindo, castanha e outras frutas de época. Geléias variadas, licores de jenipapo, mutamba, tamarindo e muito mais.

No final fica a lembrança do bate-papo e da franqueza de quem pela idade e respeito não precisa omitir opiniões sobre o que quer que seja. Além dos pacotes para comer mais tarde, o cliente leva na boca as mais doces lembranças.

Encomendas pelo (68) 3542-2386.

Liquidação na Semana Santa

Produtores do Bujari estão vendendo 60 mil quilos de peixe a R$ 5 sempre das oito às quatro da tarde

Juracy Xangai

Começou ontem e vai até a próxima sexta-feira (21/03) a II Feira do Peixe do Bujari onde os piscicultores estão vendendo tambaqui, curimatã, tilápia, piau-açu e tambacu por apenas R$ 5 o quilo numa verdadeira liquidação que barateia o preço do pescado para toda população.

Mais de 60 mil quilos de peixe estarão sendo vendidos durante os sete dias da feira que em seu segundo ano já se transforma num dos principais eventos no encerramento da Quaresma quando a tradição religiosa desaconselha o consumo de carne vermelha na Sexta-feira Santa.

Tradições à parte, a feira traz novidades como as barracas onde as produtoras estarão tratando o peixe de acordo com a preferência dos clientes.

Além do pescado, outros produtores estarão vendendo galinhas caipiras, patos, porcos, verduras, macaxeira, frutos, além de manufaturados como doces de banana, mamão, goiaba, bolos e mel de abelha.

A Feira do Peixe é o resultado de três anos de trabalho executado em parceria pela prefeitura do Bujari com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-Ac), Secretaria de Assistência Técnica Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof), com apoio do governo do Estado, Ministério da Aqüicultura e Pesca, além da doação de açudes pela Fundação Banco do Brasil e liberação de créditos de custeio a baixo custo por meio do programa de estímulo ao Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS).

Através deste programa já foram construídos 216 açudes e treinados mais de 150 produtores, dos quais 55 estão participando da feira.

Neste ano, mais 120 produtores rurais estarão sendo treinados e recebendo açudes dando continuidade a esta ação que tem como meta transformar o Bujari no principal pólo de piscicultura do Vale do Acre.

Só neste ano, os piscicultores deste município estarão produzindo mais de 600 mil quilos de pescado, matéria prima que motivou a construção da Indústria de Filetagem de Peixe, cuja estrutura física estará sendo inaugurada no mês de abril e suas máquinas entrarão em operação no mês de novembro beneficiando uma média de 16 mil quilos por dia.

 

E x p e d i e n t e :
Textos publicados nesta página são de responsabilidade da Unidade de Comunicação e Marketing do Sebrae no Acre - Jornalista Responsável: Lula Melo - fotos: Evandro Souza e Claudwilson Diogenes. Colaboradores: Juracy Xangai, Vanessa França vanessa@ac.sebrae.com.br e Sandra Assunção. Sugestões, comentários e-mail para ascom@ac.sebrae.com.br

 

 
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Rio Branco-AC, 16 de março de 2008
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