COTIDIANO
 COLUNAS
 EDITORIAL
 ENTREVISTA
 ESPECIAL
 POLÍTICA
 OPINIÃO
 VARIEDADES
 EDIÇÕES
 EXPEDIENTE
 E-MAIL
 
POLÍTICA

Tributo a Francisco Cartaxo

Homenagem póstuma ao líder do governo no parlamento estadual emociona amigos e familiares

Regiclay Saady
Fotografias de Francisco
Cartaxo ilustraram o plenário da Assembléia durante sessão realizada ontem em sua homenagem


Val Sales

O plenário da Assembléia Legislativa do Acre (Aleac) ficou lotado ontem durante a sessão solene em homenagem ao líder do governo na Casa, Francisco Rildo Cartaxo Nobre (PT). O salão, que foi palco de eventos festivos desde a eleição do ano passado, exalava ar de consternação e tristeza pela perda do parlamentar, ocorrida na madrugada do último sábado, vítima de complicações respiratórias em conseqüência de um câncer.

Além dos amigos e familiares, estavam presentes o prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim, o representante do governo do Estado, Francisco Nepomuceno (Carioca), e os vereadores da Câmara da capital, que suspenderam a sessão para participar da homenagem feita ao colega político.

Ao abrir a sessão, o presidente da mesa diretora, Edvaldo Magalhães (PC do B), falou do homem que, para ele, “tinha o coração plantado nas colônias e nas ruas do Acre”, mas também tinha a cabeça voltada para o mundo. Surpreendendo todos os presentes e a própria família, Magalhães anunciou o primeiro orador do dia: “Com a palavra, o deputado Cartaxo”.

Depois de alguns segundos de silêncio, a voz do líder petista foi ouvida na sala, o que emocionou a maioria dos presentes. Na gravação, Cartaxo fazia um de seus últimos pronunciamentos na casa, por ocasião de uma sessão especial sobre a Campanha da Fraternidade deste ano, proposta por ele próprio e que reuniu várias lideranças ligadas ao meio ambiente.

Durante o discurso, já estando enfrentando um tratamento doloroso contra o câncer, Cartaxo falava da necessidade de preservação do meio ambiente e da conscientização da sociedade quanto aos cuidados referentes às riquezas do meio ambiente do planeta.

Trechos do pronunciamento feito no dia 29 de fevereiro deste ano:

“(...) Esse é um momento muito precioso da humanidade, em que todo mundo está avaliando o seu presente, mas muito mais preocupado com o futuro. (...) Nós, que moramos nessa região do planeta, temos a obrigação moral e ética de estar colocando em foco informações que possam contribuir, decididamente, para que a Amazônia seja preservada naquilo que lhe é mais caro. Que seja respeitada, e mais particularmente, que a cultura e a vida dos povos da Amazônia sejam considerados nesse aspecto.

(...) Diante da questão das queimadas e das mudanças de clima no planeta, como ficamos nós, que moramos no meio da floresta amazônica? Qual o papel que nos cabe? O que nos é reservado nesse momento da história? (...) Isso ocorre desde a época da revolução industrial, de maneira a até a creditar que, os recursos são explorados continuamente sem nenhum prejuízo para o futuro. Como ficam os nossos netos? Como ficarão nossos bisnetos? Alguém já parou um dia para pensar sobre isso?.

(...) A gente que vive na Amazônia tem esse papel de ajudar no debate, e por meio da Aleac, da classe política e da sociedade civil organizada, chegarmos muito mais longe do que já se chegou até hoje.

“(...) Na medida em que se cria um projeto que tem como seu maior patrimônio econômico a floresta em pé, por si só ajuda à gente a preservar uma parte importante do nosso planeta”, Nesse trecho ele também questiona: Será que só o Acre preservando é suficiente?.

(...) Trata-se do respeito, que é o que as populações tradicionais têm pela sua riqueza natural. Devemos aprender com essas populações, de que o consumismo desenfreado e a política neoliberal de ocupação econômica dos espaços no planeta estão ultrapassados, e não leva a nada, a não ser à destruição, à destruição da própria humanidade”.

Cartaxo nasceu em São João do Rio do Peixe, na Paraíba, mas há muitos anos havia adotado o Acre como sua terra do coração. Ele defendia que o Estado, com suas riquezas, biodiversidade e culturas, servisse de exemplo no trato das tradições da Amazônia, assim como se colocasse como um grande espelho para o resto dos países e outras nações do planeta.

Para os amigos, Cartaxo foi exemplo de luta e persistência

O ex-deputado federal Marcos Afonso fez questão de prestar sua última homenagem ao amigo petista e disse tratar-se de um político generoso e preocupado com as causas sociais. “Sua generosidade se estendia para todos os campos, desde a política, o trabalho e o partido”, ressaltou.

Segundo Marcos, Cartaxo deixa uma lição de persistência. “Mesmo sabendo da possibilidade de partir prematuramente, ele optou por lutar. Não se exilou. Lutou e nos deixa uma lição de que não se deve desistir nunca”, concluiu.

O ex-deputado estadual e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Ronald Polanco também participou da homenagem feita ao parlamentar morto. Segundo ele, Cartaxo foi um nordestino que fez a trajetória dos bravos homens que construíram a história do Acre.

“Ele veio construir uma nova fase para o antigo morador do alto sertão nordestino. Cartaxo fazia parte de um grupo seleto de intelectuais que atua na política e tinha muito vínculo com a realidade”, completou.

Já o representante do governo, Francisco Nepomuceno, lembrou da facilidade que o amigo petista tinha de se expressar, além de ser um pensador sempre com um discurso bem elaborado. “Nós nos orgulhamos dele hoje e para sempre”, concluiu.

O líder do PT na Aleac, Taumaturgo Lima, ressaltou que o colega de parlamento fazia a defesa do governo do Estado com confiança e dedicação, tendo ele colocado sua saúde em segundo plano para cuidar dos interesses da coletividade. “Era um amigo para todas as horas e estava sempre preocupado com as causas populares”, completou.

Francisco Rildo Cartaxo Nobre, ou simplesmente Cartaxo, como era conhecido, foi vitorioso na última eleição geral, com mais de quatro mil votos. Exerceu a presidência da Executiva Municipal do partido e a vice-presidência da Executiva Estadual. Era presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Aleac, onde assumia o cardo de líder do governo na casa. Nasceu no dia 21 de julho de 1962 e morreu aos 44 anos, por volta das 6 horas de sábado, 12, vitima de câncer.

 
 
© Copyright Página 20 todos os direitos reservados    -      Imprimir       -       TOPO
Rio Branco-AC, 16 de maio de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
P E S Q U I S A