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POLÍTICA

Inauguração de casa de farinha mostra saída para comunidades isoladas

Gabinete do senador Tião Viana monta parceria para buscar alternativas de geração de emprego e renda às comunidades do Purus

Cedida
Senador Tião Viana junto aos produtores e familiares da comunidade São Miguel, em Sena Madureira, durante a inauguração da casa de farinha, semana passada


Tião Maia

São Miguel, Rio Purus - Um exemplo de que a solidariedade, aliada à vontade política, é capaz de transformar a vida de pessoas e de comunidades inteiras foi dado no último fim de semana, na comunidade São Miguel, às margens do rio Purus, a quatro horas de barco de Sena Madureira.

A inauguração de uma casa de farinha como o embrião de um projeto que visa inserir a comunidade no cada vez mais rentável negócio da produção e exportação da farinha de mandioca mostrou que, mesmo em localidades isoladas e de difícil acesso, quando há determinação em fazer as coisas acontecerem, o que parecia algo impossível acaba se tornando uma realidade transformadora.

A comunidade São Miguel, na divisa do Acre com o Amazonas - a maioria vivendo em território amazonense, mas os benefícios que recebe, quando recebe, são patrocinados pelo governo do Acre ou pela prefeitura de Sena Madureira -, não tinha perspectiva de trabalho e corria o risco de engrossar a lista das comunidades isoladas onde a presença do poder público e a promoção do desenvolvimento são coisas sempre muito raras. Mas, ao manter contato com o gabinete do senador Tião Viana (PT-AC) numa reunião com as lideranças rurais e do movimento social de Sena Madureira em 2005, os líderes da comunidade descobriram que nem tudo estava perdido.

A luz do fim do túnel esboçada naquela reunião materializou-se no último sábado, quando a casa de farinha foi inaugurada com a presença de Tião Viana e do prefeito de Sena Madureira, Nilson Areal (PR).

Construída em madeira com parte do material doada por órgãos como o Imac e Ibama, além da iniciativa privada e a ajuda da Assimanejo (Associação das Indústrias Manejadoras do Estado do Acre), consultoria do Sebrae e financiamento do Banco do Brasil, a casa de farinha foi inaugurada com capacidade de produção de sete toneladas do produto por mês e de geração de pelo menos 32 empregos diretos, em dois turnos. É o embrião de outras seis que serão construídas ainda este ano em diferentes localidades.

Isso significa que muitas pessoas que não tinham emprego nem perspectivas de trabalho agora vão produzir e gerar riqueza para si e para a comunidade, onde residem pelo menos 17 famílias. Além da atividade da produção da farinha, as pessoas do lugar vivem da criação de pequenos animais, da pesca e da agricultura. “Isso aqui vai abrir um mundo de possibilidades para nós. Temos a pesca, a agricultura, pequenos animais, mas não tínhamos liquidez, renda. Agora, com a produção da farinha, vamos ampliar a base da nossa economia”, disse o produtor Raimundo Lima, dirigente da associação de moradores da localidade.

Joaquim Moisés, técnico em extensão rural da Secretaria de Assistência Técnica e Extensão Rural (Seater), trabalha com os produtores e está convicto de que as casas de farinha vão melhorar a situação de quem vive ali. “A farinha já sai daqui pesada, embalada e em boa qualidade. Muito breve, a exportação vai começar e as dificuldades de quem vive em comunidades isoladas terão fim fim”, comemorou. “Se continuarmos obtendo o apoio que recebemos aqui, as coisas vão melhorar ainda mais.”

Parte do apoio é o financiamento do Banco do Brasil, que tem até uma carteira com essa finalidade. Trata-se do programa DRS - Desenvolvimento Regional Sustentável, que, no caso das seis casas de farinha, disponibilizou aproximadamente R$ 90 mil. “Mas isso ainda não era suficiente para atender a demanda. Para isso, tivemos que recorrer a quem se dispusesse nos ajudar e fomos atrás da comunidade em busca de areia, madeira e mão-de-obra”, contou Sílvia Monteiro, assessora parlamentar do gabinete do senador Tião Viana, que buscou diversos parceiros para aquisição desse material, como o Imac, o Ibama e pessoas da iniciativa privada, como Fátima Adelaide, da Assimanejo.

“Isso aqui é o resultado do esforço de muita gente. É uma mostra de que um gabinete, mesmo sem abrir mão de seu perfil eminentemente parlamentar, pode mobilizar apoios e ajudar quem precisa”, disse o senador Tião Viana, ao agradecer todos os parceiros que permitiram a obra. “Vamos continuar a luta para que possamos transformar esses sonhos em realidade.”

O prefeito de Sena Madureira, Nilson Areal, também comemorou o investimento. “Nossa administração tem o maior orgulho das parcerias que vem fazendo, principalmente em relação ao gabinete do senador Tião Viana, que é propositivo em todos os aspectos e quando tem que ir à luta, para mostrar na prática que é possível fazer, as coisas também acontecem”, disse o prefeito.

A iniciativa em são Miguel encheu de esperanças gente como Saturnino Leopoldino de Queiroz, 77, que nasceu e se criou no lugar. Ele praticamente já nem tinha esperanças de que as coisas pudessem melhorar por ali tal é o isolamento a que a comunidade fora historicamente submetida. “Mas de uns anos para cá as coisas vêm melhorando. Quando antigamente os políticos prometiam alguma coisa, a gente nem acreditava. Hoje é diferente: as coisas estão saindo e melhorando a vida da gente”, disse.

 
 
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Rio Branco-AC, 16 de maio de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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