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VARIEDADES

Exposição de cartazes no Museu da Borracha

Coleção do historiador Gerson Albuquerque é usada pelo Departamento de Patrimônio Histórico na Semana do Museu

Marcos Vicentti
Ana Carla diz divulga também
oficina de Educação Patrimonial


Andréa Zílio

“Uma exposição que reflete a trajetória de muitas lutas, aspirações, idéias, movimentos em todas as direções”. Assim é definida a Exposição de Cartazes que está sendo apresentada no Museu da Borracha, como parte da programação da Semana do Museu, de 14 a 20 de maio, realizada pela Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) por meio do Departamento de Patrimônio Histórico.

Todo o material pertence ao historiador Gerson Albuquerque. São cartazes de divulgação de temas variados como: Constituintede 1986; 1º Encontro Nacional da Cultura e Juventude; Queimadas; Drogas; 1º Simpósio Brasileiro sobre Personalidade; Cinco anos da morte de Chico Mendes, dentre outros.

A coordenadora do Museu da Borracha, Ana Carla Lima, diz que a exposição feita a partir da coleção do historiador tem como proposta mostrar a história de uma forma subjetiva, em que o público a identifica por meio dos cartazes, expressadas com liberdade para que ele recorde caso tenha participado de alguns assuntos, ou se imagine neles.

As arquitetas do Departamento de Patrimônio Histórico, Aurinete Franco e Claudia Ribeiro, contam que a idéia foi preencher o espaço dedicado a exposição de forma que pudessem apresentar uma exposição com movimento, que não se resumisse a ser estática. Ambas criaram esse dinamismo com cordas e pesos, que ao serem puxadas, trazem aos olhos dos visitantes alguns cartazes.

Além da exposição, Ana Carla explica que o Museu da Borracha está com outras atividades como contação de histórias, exibição dos documentários “Mestre Vitalino” e “Cidades tombadas como patrimônio histórico” - em que o professor, junto aos alunos visitantes, define qual desejam ver -, e também, oficina de educação patrimonial, que será realizada nos dias 17 e 18, das 8 às 12h e das 14 às 17h, com a diretora do Museu da Abolição, de Recife (PE), Evelina Grunberg.

Ela diz ainda que este ano, na terceira edição da Semana Nacionaol do Museu, o Acre participa priorizando a participação de escolas longe do centro da cidade, que sempre ficavam de fora por falta de estrutura. Através da parceria com a Secretaria de Estado de Educação, é oferecido transporte para os alunos irem até os museus e casas de memória.

Colecionador de cartazes

Na apresentação da exposição, Gerson Albuquerque, convidado a participar emprestando algumas peças de sua coleção, diz que teve a idéia de ficar guardando coisas antigas, fotografias impressas em cartazes, desenhos, letras, atos públicos, campanhas políticas, entre outras, por meio do pai. Segundo ele, em suas lembranças, foi o pai quem primeiro lançou essa idéia, guardando revistas, santinhos, cartazes de campanhas num velho baú que trancava a sete chaves. Gerson viu outra pessoa fazer isso, a amiga dos tempos da UJS, Sonia Amélia. “Rolou a idéia de uma coleção de cartazes: ela tinha uma; eu comecei outra. Certa feita propus juntarmos as duas, mas ela não topou. Nem me lembro direito qual foi sua resposta. Apenas sei que dessa conversa restou uma fotografia nossa, na porta da antiga sede do PcdoB, ali na Rio Grande do Sul. Nem sei se ela ainda tem seus cartazes. Acho que seria uma bela idéia juntarmos todos, hoje, 21 anos depois”, comenta.

História registrada

Gerson fala que tudo nos cartazes reflete um pouco de sua trajetória, enquanto um sujeito político, depois que “passou a se governar”, para usar a feliz expressão de Hannah Arendt. Muita coisa que os cartazes expressam, ele diz que teve a oportunidade de viver, outras de imaginar que viveu, e outras, os amigos e companheiros de caminhada viveram por ele e outras, ainda, viveu de ouvir contarem, de ver falarem, de querer e de sonhar ter vivido. “A carga de emoção e de todas as subjetividades possíveis acompanha a coleção, mesmo porque a forma de pegar, ‘roubar’ das paredes, guardar e transportas em todas as mudanças que fiz, já perfazem longas e, muitas vezes, engraçadas histórias. O importante é que, nessa coleção de cartazes, está parte de uma jornada de 27 anos. É quase toda a minha vida fora do ‘terreiro’ da casa de minha mãe e de meu pai”, diz.

Gerson contribuiu com a exposição, que segundo ele, espera que “sirva ao menos para percebermos que desaprendemos muita coisa e que não vale a pena desistir, pois, como nos lembra Edward Said, sempre há uma saída”.

 
 
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Rio Branco-AC, 16 de maio de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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