POLÍTICA

Participação popular é tema da terceira Conferência da Cidade

Avanços e conquista no âmbito das cidades estão sendo discutidos

Cedida
Evento conta com cerca de 500 participantes de vários segmentos sociais


Cerca de 500 pessoas, entre lideranças comunitárias, dos movimentos populares, servidores públicos, profissionais liberais e políticos, participam da 3ª Conferência da Cidade de Rio Branco, no auditório da Diocese de Rio Branco. O espaço discute o que precisa ser melhorado e serve para avaliar o que já foi realizado no âmbito da cidade, nos mais diversos setores da atividade humana.

A primeira conferência ocorreu em 2003, dois anos antes da gestão do prefeito Raimundo Angelim. Já 2005, na segunda conferência, a ênfase foi para a criação do Plano Diretor de Rio Branco, que está em vigor desde o ano passado, e para os Centros de Referência em Assistência Social, os chamados Cras, criados dentro dos bairros e que servem para que as comunidades possam desfrutar atividades sociais e desportivas.

Na área da agricultura, o grande trunfo, que está em execução, foi a aprovação das obras da Central de Abastecimento de Produtos Agroflorestais e Extrativistas, a Ceasa, a um custo de R$ 6,8 milhões. A Ceasa, única na Amazônia, permitirá que se organize a cadeia produtiva agrícola, não só de Rio Branco, como também dos municípios do Baixo Acre e do Vale do Iaco.

“Obtivemos êxito na última conferência. Hoje temos um dispositivo, que disciplina a cidade (Plano Diretor de Rio Branco) e os nossos bairros são muito mais assistidos que no passado, mas estas discussões sobre o que deve ser melhor para a comunidade devem sempre existirem, e que já são uma marca de nossa administração”, destacou o prefeito Raimundo Angelim.

Por causa da 3ª Conferência, os vereadores resolveram, por maioria, cancelar a sessão de hoje, para que os parlamentares também pudessem participar das discussões. Convidado especial do evento, o presidente do Fórum de Desenvolvimento do Estado do Acre, o ex-governador Jorge Viana, proferiu palestra abordando, primeiro, a história da formação das primeiras cidades no mundo, depois sobre o papel de cada indivíduo para o sucesso da coletividade e depois sobre a necessidade de se criar mecanismos para acabar com o que ele chamou de “analfabetismo ambiental” de nossas crianças. Veja, ao lado, alguns pontos defendidos por Viana.

Coletividade

“A história de que cada um tem que fazer a sua parte não conta mais nesse mundo. Não podemos ser egoístas de olhar somente para nós mesmos, porque a participação popular é algo muito mais amplo e que deve ser exercido para que o todo seja modificado. Essa é a oportunidade mágica porque tem o propósito claro de que vai dar certo. Hoje as mudanças devem ser globais e não locais, assim como o interesse coletivo sobrepõe o meu ou o seu interesse. Quando a minha parte ganha, o todo perde.”

Educação

“É impressionante como as concepções são diferentes em Berlim, onde estive recentemente, com a queda do muro que separava a Berlim oriental da ocidental. Na cidade, devemos buscar a absoluta igualdade social, porque a cidade deve ser justa, harmoniosa e ordenada. Mas para isso temos que ter um plano, um compromisso que reconheça que tão importante quanto criar leis é criar um mecanismo pedagógico para que essas leis sejam repassadas às nossas crianças, na escola, dentro da grade escolar. Daí o secretário de Educação ser o nosso maior aliado. Esse trabalho deve ser interessante com as crianças.”

Compartilhamento

“Muitos erros na administração pública aconteceram porque as decisões de quem mandava vieram erradas e que a gestão de quem estava lá não foi compartilhada. É como o versículo da Bíblia que narra a história da Torre de Babel, em que a idéia da convivência entre comunidades pode se tornar sem efeito se o gestor for um mau gestor. Rio Branco caminhou muito tempo no sentido contrário. Já vivemos uma época em que tudo era do ‘já foi melhor’. O argumento era de que Rio Branco era pequena e o atraso era porque o modelo extrativista estava errado. Mas não era isso, porque o que existia era apenas uma cultura, a borracha, e hoje provamos que quem pensava assim estava equivocado, pois a exploração da floresta com sustentabilidade prova o contrário.”

 
 
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Rio Branco-AC, 16 de agosto de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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