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| Elson Martins | |
Franceses gostaram do Acre A ativista política e ex-primeira dama da França Danielle Mitterrand visitou o Acre de 1 a 5 de setembro, acompanhada de cientistas e pesquisadores que começam a trabalhar no levantamento dos índices de qualidade de vida no Estado. Os números divulgados pela ONU quase sempre rebaixam a condição de vida dos povos da floresta (que a instituição pouco conhece), com discriminação e distanciamento. A equipe de madame Mitterrand, por certo, vai enxergar melhor a realidade regional, o que poderá ajudar na defesa de programas junto a entidades financeiras nacionais e internacionais. Os índices da ONU colocam crianças da cidade de Marechal Thaumaturgo no alto Juruá, por exemplo, entre as menos assistidas do mundo. Sabem por que? Porque, entre outras coisas, em Thaumaturgo não existem creches. Como se as crianças de lá, filhas de índios, seringueiros e ribeirinhos necessitassem ficar enclausuradas entre quatro paredes, estando acostumadas com um ambiente livre e saudável lá fora!
No Estado do Amapá, durante os dois mandatos de João Alberto Capiberibe no governo (1995-2002), Danielle Mitterand através de sua ong France Libertés colocou boa soma de euros em projetos sócioambientais. Outras instituições e universidades francesas, colaboraram fazendo pesquisas e treinando gerentes para a execução do Programa de Desenvolvimento Sustentável local (PDSA). Entre os parceiros e colaboradores franceses especiais naquele estado esteve mais presente o casal Alain e Françoise Ruellan, integrantes da comitiva que veio ao Acre durante a Semana da Pátria. Alain é engenheiro agrônomo especialista em solos, doutor em Ciências Naturais e professor emérito da Universidade de Montpellier, no Sul da França. É também membro de institutos de pesquisa como Agropolis, Cirad, Cnearc e Cnrs, que concentram estudiosos interessados nos temas amazônicos. Françoise Ruellan, por sua vez, trabalha numa rede de instituições internacionais (mais de cem) empenhadas na troca de informações cientificas e em projetos ambientalistas desenvolvidos no mundo.O casal permaneceu em Rio Branco até o dia 11, interessado em conhecer o trabalho realizado pela Prefeitura na capital. No sábado, 9, Alain e Françoise visitaram bairros periféricos de Rio Branco e dois pólos agro-florestais na área rural, acompanhados dos secretários municipais Jorge Fadel (Agricultura) e Arthur Leite (Meio Ambiente), e dos engenheiros agronômos Marina Jardim e Paulo Sérgio Bräna. O casal já havia participado de uma reunião com o prefeito Raimundo Angelim e seu secretariado no início da semana, ocasião em conheceram o modelo de gestão adotado na capital. Ficou claro no encontro dos franceses com a equipe municipal, o interesse mútuo na formação de futuras parcerias. Alain Ruellan é um cientista que demonstra atenção especial pela Amazônia. Quando menino, ele morou no Brasil e acompanhou o pai, geógrafo, nos estudos de campo que este fez para escolha do terreno onde foi construída Brasília. O cientista e sua esposa visitam constantemente o Brasil onde participam de trabalhos de pesquisa relacionadas a questão ambiental e da produção sustentável. Ambos, com mais de setenta anos de idade, não recusam viagens cansativas pelas entranhas da floresta. Nem se privam de experimentar os sabores regionais. No pólo agrícola Hélio Pimenta, eles conheceram dona Èlida, agricultora bem sucedida que há sete anos saiu da periferia da capital para ocupar um lote rural de onde obtém a renda de R$ 3 mil mensais com a venda de hortaliças e frutos. Simpática e generosa, ela ofereceu um farto café da manhã aos visitantes, constando de leite fresco, café, cuscuz, picadinho, pé de moleque, açaí e caju. Surpreendentemente, Alain e Françoise encheram o prato de cuscuz e açaí, uma mistura muito próxima da tradicional “baixaria” acreana. A companheira deles, Danielle Mitterrand não chegaria a tanto. Numa das visitas que fez a uma aldeia indígena no Vale do Uaçá, no Amapá, embora com fome ela olhou feio para um ensopado de jacaré. O SABIÁ DO DESERTO! Lúcia Helena Pereira * A região nordeste, sem dúvida, tem sido alvo das más conseqüências da seca, resultando, por conseguinte, no macabro resultado de milhões de famintos, analfabetos e enfermos, enfileirados para a morte. Tudo isso, pela má administração política. Mas o nordeste - quase uma ironia - é uma região privilegiada pela natureza: mares, dunas, sol, frutas, cenários fantásticos, rios, serras, a chuva para salvar ou embelezar as nuvens, etc. Tem muita gente boa neste nordeste brasileiro. Gente que marcou seu nome à história: sociológica, humana, literária, artística e, por incrível que pareça, até mesmo a história política. Nesta região, com chuva ou seca, temos as nossas riquezas, como o sal, de excelente qualidade, farta vegetação: xique - xique, umburanas, oiticicas, manacás, juremas, cana - de - açúcar (na produção do açúcar), castanha de caju, babaçu, coqueiros, cajueiros, mangueiras...Temos as festas populares comemoradas a cada ano: São João e São Pedro, festas das padroeiras dos estados nordestinos, o Bumba - Meu - Boi, o Boi dos Reis, e, em alguns lugares, cadeiras nas calçadas para um bom papo e saudosismo, compadres e comadres, enfim, um rico folclore como bem nos ensinou Luis da Câmara Cascudo. Muitas figuras de Natal, do Rio Grande do Norte e de outros estados nordestinos galgaram altos degraus: o ex - Presidente Café Filho, Oscar Schimit, Virna, Clodoaldo Silva, Magnólia Azevedo, Gileno Azevedo (Leno, da ex - dupla Leno X Lílian), Zé Dantas, Rachel de Queiroz, Dom Nivaldo Monte, Tonheca Dantas, José de Alencar, Ariano Suassuna, Enélio Petrovich, Diógenes da Cunha Lima, Giselda Medeiros, entre outros! Desse nordeste querido, uma moça bonita, filha de grande compositor pernambucano, uniu - se a um descendente direto das areias movediças. Dessa união nasceu a deusa da canção popular, de Natal, cantando ao sopro da sinfonia de um sabiá, a canção do avô Zé Dantas - compositor pernambucano. E Marina Elali nasceu! Nasceu para cumprir o seu destino e para tornar vivo e redivivo, o nome do avô, que, inspirado num ”psiu”, popularizou a poema musical - SABIÁ, além de outras que fizeram igual sucesso. Elali é a melhor intérprete da canção do Sabiá, orgulho nordestino. * Escritora, membro da Academia Feminina de Letras do RN, do Instituto Histórico e Geográfico do RN, primeira presidente regional (RN) e nacional da AJEB (Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil), presidente da casa do Poeta Brasileiro em Natal. |
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