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   EM DEFESA DO CIDADÃO

Alunos das escolas de Tarauacá e Feijó aprendem em gincana ecológica a tornar o meio ambiente mais saudável


Promotor de Justiça Marco Aurélio na abertura da gincana


Cerca de quatro mil pessoas, entre alunos e profissionais da educação, participaram do encerramento da 1ª Gincana Ecológica promovida pelo Fórum Municipal de Gestão Ambiental da Bacia Hidrográfica Tarauacá/Envira nos municípios de Tarauacá e Feijó, a cerca de 350 km de Rio Branco, nos dias 4 e 5 de setembro. Foram dois dias de muito trabalho, mas também de uma bonita festa, onde os trabalhos produzidos durante os três meses da gincana, que foi lançada em junho, foram expostos para avaliação dos jurados e apreciação de todos.

O promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Acre (MPE), da Bacia Hidrográfica Tarauacá/Envira, Marco Aurélio Ribeiro, que esteve à frente do evento, finalizado com grande participação dos alunos, professores, orientadores, coordenadores e diretores das escolas locais, lembrou a frase de Madre Teresa de Calcutá: “Eu posso ser uma gota no oceano, mas sem mim, o oceano seria menor”. Segundo ele, é essencial a ação de cada um. “A pessoa pode achar que a sua ação não significa nada, mas se essa ação não for feita, o meio ambiente vai ficar pior”. Ele disse que espera que a gincana tenha continuidade, transformando-se em um evento permanente, como é o Festival do Açaí em Feijó e o Festival do Abacaxi em Tarauacá. “Em Feijó o prefeito se mostrou bastante interessado em dar continuidade a esse trabalho e que faça parte do calendário do aniversário da cidade. A próxima, com certeza, será muito melhor”.

A equipe da Coordenadoria de Defesa do Meio Ambiente do MPE (CDMA) foi mentora do projeto, por acreditar que cabe a cada um estabelecer uma relação saudável com o meio ambiente e a educação. As ações de conservação requerem consciência, responsabilidade e criatividade, habilidades que pelo visto os estudantes vêm adquirindo, embora ainda haja muito a se fazer. Uma das coordenadoras do evento, Valdênia Sabóia, do CDMA, disse que o sucesso se deve à participação de todos. “Sem o trabalho coletivo, a gincana não teria sentido. Eu me sinto realizada em ver crianças e jovens tomando consciência de que hábitos simples do dia-a-dia, como não jogar lixo no chão, podem tornar o meio ambiente mais saudável e a vida mais segura.”

Em vários depoimentos de professores, coordenadores e diretores, foi destacado que a grande efetividade da gincana é o trabalho coletivo entre alunos, profissionais da educação e até a comunidade.

Na escola 15 de Junho, localizada na área rural de Tarauacá, foram feitos brinquedos, jogos para matemática, objetos de formas geométricas, alfabeto e números móveis de material que muitos considerariam lixo. Esse material é bastante usado pelos professores do ensino infantil e tem contribuído no desenvolvimento dos alunos. Além de estarem dando novo destino ao lixo, estão desenvolvendo habilidades que nem eles achavam que tinham.

Jardim de plantas medicinais

Na escola Rilza Maria Daniel do Nascimento, de Tarauacá, foi feito um jardim de plantas medicinais, com cerca de 30 plantas. É uma contribuição para a qualidade de vida de toda a comunidade. Segundo a professora Rodinéia de Abreu, as crianças são muito carentes e as plantas são usadas para fazer chá. “Às vezes, as crianças chegam com dor de ouvido ou de cabeça. Então a gente aproveita e faz um chá para elas. Ao invés do remédio, tomam um chazinho natural! Dipirona, então, para dor de cabeça, é ótimo.”

Vassoura ecológica

A questão da destinação do lixo é um problema que afeta as grandes e pequenas cidades. Uma boa alternativa é a reciclagem de muitos produtos que se usa no dia-a-dia. Beatriz de Andrade, 13, da escola Plácido de Castro, em Tarauacá, acompanhou a mãe num curso de artesanato de material reciclável, oferecido pela prefeitura, e aprendeu a fazer uma vassoura com garrafa pet. Criou então a vassoura ecológica. Ela gasta 18 garrafas pequenas para fazer uma vassoura. “Eu me interesso muito em aprender e fico feliz de usar um material que iria para o lixo. Dá muito trabalho, mas vale a pena”, afirma.

Exemplo de cidadania

A escola Vicente Celso Brandão, de Feijó, deu um grande exemplo de cidadania. O envolvimento dos alunos contagiou até a comunidade, que além de ajudar na coleta das pilhas e baterias, fizeram juntos uma limpeza pelas margens do Rio Envira, que infelizmente ainda é usado como depósito de lixo, coletando pilhas. O exaustivo trabalho não foi em vão - além de diminuir os danos à natureza, a escola foi vencedora dessa tarefa, juntando 3.763 pilhas e baterias.

Jociléia de Souza, coordenadora de ensino da Escola José Gurgel Rabelo, de Feijó, disse que a execução das tarefas teve um envolvimento muito grande dos alunos. Para levarem as peças que iriam participar da gincana, tiveram que fazer um concurso interno e escolher as melhores, tal foi a grande quantidade de jogos, brinquedos e roupas de material reciclado, que produzidos. Além disso, foi pedido aos professores que eles trabalhassem em sala de aula os temas relacionados às tarefas. “Por exemplo, na coleta de pilhas, foi pedido que os professores de química trabalhassem o prejuízo que elas causam ao meio ambiente.”

“Desenhar é a minha vida”

André Souza, 18, 3º ano, da mesma escola, criou o cartaz vencedor da gincana em Feijó. O cartaz foi pintado com o pó que fica acondicionado dentro das pilhas. Segundo ele, o professor de química deu as orientações para que o pó não produzisse efeitos tóxicos. “O procedimento é simples: eu deixo as pilhas dentro d’água por duas horas, quando a água entra dentro delas, eu abro, tiro o líquido e coloco um pouco no sol para secar um pouco. Depois é só usar como tinta.” André demonstrou com seu desenho, vencedor do melhor cartaz, muita criatividade e ampla visão de mundo, além do talento para o desenho, mesmo nunca tendo feito um curso. Quando indagado se gostava de desenhar, respondeu prontamente: “Desenhar é a minha vida”.

Alunos fazem paródia*

Lixo Reciclável

Na cidade onde moro
É uma terra que eu adoro
Ela é minha paixão
Mas que pena minha gente
O povo fica doente
Com o mau cheiro do lixão

É uma terá brasileira
Onde tem um grande defeito
Chamando poluição
Nosso rio está recebendo
Lata, saco e esgoto
Resto de alimentação

Vamos ter muito cuidado
As doenças estão aí
Gripe, hepatite B
Você deve se cuidar
Para não sofrer depois
Uma viagem sem voltar.

* Paródia feita pelos alunos da escola Tupanir Gaudêncio da Costa, de Tarauacá

 
EXPEDIENTE
Administração Superior do Ministério Público do Estado do Acre: Procurador-Geral de Justiça - Edmar Azevedo Monteiro; Corregedor-Geral do Ministério Público - Ubirajara Braga de Albuquerque; Subprocuradora-Geral de Justiça - Giselle Mubarac Detoni. Página de responsabilidade da Assessoria de Comunicação Social do Ministério Público do Acre. - Jornalista responsável: Socorro Camelo MTb/AC 065. Equipe responsável: Lucimar Gomes, Juliene Silva e Socorro Camelo. - E-mail: comunicacao.mpe@ac.gov.br

 

 
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Rio Branco-AC, 16 de setembro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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