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Maria Regina Canhos Vicentin * |
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Felicidade a qualquer preço Em síntese, a palestrante propunha que compartilhássemos a vida com as pessoas próximas até o momento em que nos fosse interessante. Posteriormente, já com outra visão de mundo e/ou outro status financeiro, deveríamos partir em busca de novos amigos e amores. Ao final da preleção, foi aplaudida e cercada por dezenas de pessoas. Vendeu diversos livros. Havia muitos sorrisos e troca de olhares cúmplices. Eu, porém, saí de lá arrasada. Percebi que, efetivamente, estou andando na contra-mão de direção. Mas tenho os meus motivos, e vou ilustra-los com uma pequena história verídica. “Ele já avô, filhos criados, patrimônio constituído, integridade a toda prova e cristão praticante, encantou-se por uma mulher mais jovem e bonita que a esposa com quem dividiu muitos anos de sua vida. Abandonou tudo para desfrutar momentos excitantes ao lado de sua mais nova paixão, negando-se a escutar conselhos de pessoas mais experientes e ponderadas. Queria curtir o momento, e virou criança de novo. Consumiu todo o patrimônio conquistado em anos de trabalho numa aventura que durou apenas alguns meses. Perdeu o grande amor de sua vida. Seus filhos se envergonhavam do pai, e os netos já não freqüentavam sua casa. Os amigos de sempre haviam sido trocados por bajuladores que, com o fim das festas e do dinheiro, bateram em retirada. Ficou sozinho depois de ter tido tudo”. Estou preocupada com a nossa necessidade de ser feliz a qualquer preço. E mais, estou preocupada com a nossa necessidade de ser feliz à custa da infelicidade dos nossos entes queridos: nossos pais, nossos filhos, nosso cônjuge. Onde será que esse vale tudo vai nos levar? Atravessamos tempos difíceis, onde nossa satisfação ocupa um lugar privilegiado em nossas orações e súplicas. Será que não percebemos que a família é um bem extremamente precioso, talvez, o mais precioso de todos? Ela é o berço que nos acolhe quando nascemos, a mão que nos guia quando crescemos, o apoio que buscamos quando iniciamos nossa jornada adulta, a certeza que conforta diante das inseguranças, o amor que nos encoraja frente aos desafios cotidianos, a paz que buscamos em nosso repouso, a paciência afetuosa com as limitações da velhice. A família é tudo de bom ou, pelo menos, deveria ser. Por favor, reflita sobre isso. Felicidade a qualquer preço é uma tremenda fria! |
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