| OPINIÃO | ||
| CRÔNICA DE DOMINGO | ||
Florentina Esteves |
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A cara do Acre Sem querer plagiar nosso saudoso Zé Leite, depara mos com algumas coisas, aqui em nossa cidade, que nos dá vontade de exclamar como ele “Tão Acre!” Bem verdade que há uma boa diferença em anos entre nossas gerações (ele foi meu aluno). Assim mesmo, encontro identidades entre nossa opinião. Creio que seja aquele cerne, quase o espírito da coisa, impermeável ao tempo, modismos, influências. Por exemplo, que opinião ou emoção pode mudar ao contemplar-se nosso rio Acre? Com ou sem ponte, catraias, navios ou chatinhas, ele será sempre a ligação líquida com nossas origens, nossa natureza, nossa história. A mim, em particular, mudo de humor só ao contemplá-lo. É como se uma áurea me envolvesse, enebriasse, deixando-me em estado de graça. E se acontece de ver um boto travesso, então navego na imaginação do rico folclore amazônico. Puro deleite. Dizem que meu signo é o da água, daí o fascínio que ela exerce sobre mim. Independente disso, quem não vibra ao receber aquela chuva-macho, após calor sufocante? E quero ver quem desminta que essa chuva dadivosa não é a cara do Acre. Especialmente se ela bater em telhado de zinco, cantando aquela cantiga de embalar criança. E se ela se estender pelo dia inteiro ou a noite toda, puro deleite! Enquanto escrevo, botei a tocar fita gravada pelo grupo Hélio Melo, aquele que toca no “Senadinho”. Para me inspirara Pois não conheço, em matéria de música, nada tão Acre quanto ele. As composições tocadas são de autoria de seus próprios integrantes, ou de nosso muito saudoso Hélio Melo, e mais umas poucas de autores nacionais da velha-guarda, que o tempo consagrou. E já que falamos em velha guarda, não conheço exemplo que represente melhor o Acre de todos os tempos que a “Tentamen”, palco de inovidáveis bailes e sadias disputas momescas. Até sua arquitetura é a cara do Acre, daquele tempo em que nossas melhores edificações eram feitas por nossos próprios “arquitetos” formados na escola da vida, e usando apenas recursos nossos e bom gosto. Quem, vendo a Tentamen, não se reporta logo ao Acre de nossas melhores tradições? A cara do Acre. Tradições? Que dizer de nosso palácio do governo, recente e primorosamente restaurado? Sua pretensiosa arquitetura neoclássica, sobrepujando-se ao casario circundante, nos fala de fausto da borracha e de nossa natureza exuberante. Tão Acre! Porém viajemos por lugares nem tão nobres, mas que refletem a imagem de nosso Acre, de nosso povo. Eu disse povo, aquele que veio dos seringais, das colônias, da periferia, ribeirinho. Aquele que tem um linguajar próprio e muito nosso, onde entrem “eita”, “vixe”, “maninho”, “rapaz”, “pai-d’égua”. Aquele povo simples que vende coco ouricuri, ingá de metro, tucumã ou quinquilharias mil, no Mercado Velho, pela praça da Bandeira, ou no mercado da Cadeia Velha. No mercado também encontro a carteira de identidade do Acre, na tapioca quentinha, servida ali, na hora, ou no suculento vinho de açaí, tão revigorante como haurir a seiva de nossa mata. Passear pelos bairros residenciais de nossa cidade e ouvir papagaio gritar, falar, mostrar sua alegria, é ou não é nossa intimidade com a mata, transportada para o asfalto? É o que lhes digo: quantas coisas temos e encontramos em nossa cidade que nos dá vontade de plagiar Zé Leite e exclamar: “Tão Acre!” |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Com Leonildo Rosas |
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