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POLÍTICA

Fim do escândalo

Assinado contrato que permitirá a retomada do projeto Alcoobras, um investimento de R$ 50 milhões

Mauro Maciel/Secom
Protocolo para a formação de
consórcio para administrar a
Alcoobras foi assinado ontem


Tião Maia

As primeiras obras para a reativação da usina Alcoobras, situada no quilômetro 55 da BR-364, na área do município de Capixaba, começam amanhã. Dentro de dois anos, a usina deverá ser o maior empreendimento na produção de álcool e açúcar na região amazônica e deverá gerar, com um investimento inicial da ordem de R$ 50 milhões, pelo menos dois mil empregos diretos. Esta semana começam os trabalhos para a formação do canavial cuja primeira safra poderá ficar pronta em dois anos.

Mais uma etapa do longo processo para a reativação da usina foi cumprida ontem, em Rio Branco, com a assinatura dos protocolos necessários à formação de um consórcio de empresas privadas que vai administrar o investimento. Duas das maiores empresas do país na exploração da cana-de-açúcar, representadas pelos empresários Eduardo Farias, de Pernambuco, e Maurílio Biaggi, de São Paulo, juntaram-se na formação de uma sociedade que será dona da maior parte do investimento, o qual também terá participação de empresários locais, com pelo menos 25 % das ações, e do governo do Estado, candidato a dono de 5% dos negócios. Através de sua participação nos negócios, o governo do Estado buscará envolver seringueiros e trabalhadores rurais que farão parte da mão-de-obra a ser utilizada no projeto. A idéia é que, dentro de cinco anos, a usina explore cana de açúcar de 25 mil hectares plantado em seu entorno.

O chamado projeto Alcoobras, financiado com dinheiro público através do Banco do Brasil, foi abandonado desde o final da década de 80, depois de gerar prejuízos estimados em pelo menos R$ 200 milhões, razão pela qual constava da lista dos grandes escândalos financeiros do país. O que foi, portanto, um mau exemplo de gasto de dinheiro público, deverá vir a ser um dos grandes negócios da economia regional com a geração de emprego e renda através do beneficiamento da cana de açúcar para a produção de álcool, combustível e outros derivados.

A reativação da usina começa nesta segunda-feira com os primeiros trabalhos de implantação do viveiro que permitirá a produção das mudas de cana. O contrato firmado entre o poder público e o setor privado representa a conclusão de um trabalho político desenvolvido pelo atual Governo desde o primeiro dia da administração do governador Jorge Viana, em 1999. “Nós assumimos com a certeza de que tínhamos no Acre, duas coisas muito graves e muito mal resolvidas, que eram o canal da Maternidade e esta usina. Aliás, eu faço um paralelo entre esta usina e o Parque da Maternidade”, disse o governador. “A usina era um mau exemplo de dinheiro público aplicado da pior maneira possível. Um escândalo que chamou atenção do país, inclusive do presidente Lula, do senador Eduardo Suplicy, que chegaram a visitar a usina e ficaram escandalizados com o que vieram. Era de fato uma coisa que o incomodava a gente e que, assim como o Canal da Maternidade, era um símbolo de uma fase muito ruim do Acre, que nós partimos para a busca de soluções”, acrescentou Jorge Viana.

Chegar à fase de reinício dos trabalhos para colocar a usina em funcionamento, de acordo com o governador, não foi uma tarefa fácil. O trabalho envolveu, de início, a ação parlamentar dos dois principais senadores do Acre, Sibá Machado e Tião Viana, ambos do PT. “Eu reconheço que a participação do senador Tião Viana neste processo foi fundamental. Junto ao Banco do Brasil, que detinha a administração da massa falida do projeto, para resolver as questões burocráticas, administrativas e judiciais, o Tião foi um gigante. Se estamos nesta fase, podendo sonhar com o funcionamento da usina, devemos muito ao mandato dos nossos parlamentares, principalmente do Tião Viana”, disse o governador.

Resolvidos os problemas burocráticos junto ao Banco do Brasil, o trabalho do governo voltou-se para as questões judiciais. Com a orientação da Procuradoria Geral do Estado (PGE), o governo candidatou-se a comprador da massa falida da usina, o que foi autorizado por unanimidade dos 24 deputados estaduais da Assembléia Legislativa do Acre. O governo do Acre pagou mais de R$ 2 milhões ao Banco do Brasil pelo que restou da usina e, a partir do contrato firmado com empresas privadas, está recuperando o investimento. O contrato do governo com o setor privado estabelece que a usina, mesmo depois de adquirida por empresas particulares, não poderia ser retirada do Acre, com o que os empresários que vão liderar o consórcio concordaram plenamente.

“Nós estamos aqui porque investir no país faz parte da filosofia das nossas empresas. Nós reconhecemos que, na história do Brasil, nenhum governo fez o que este Governo está fazendo no setor açúcar-alcoleiro. Eu sei que a reativação desta usina era um desejo do presidente Lula e do governador Jorge Viana, dos senadores Tião Viana e Siba Machado, dos deputados federais e estaduais e da comunidade acreana de ver esta usina em funcionamento. O que eu fiz foi vir aqui, mostrar ao governador o melhor caminho para o setor e o governador aceitou e confiou na gente e agora nós temos a honra dessa parceria”, disse o empresário Maurílio Biaggi, uma das maiores autoridades no assunto. “Para ganhar dinheiro, para nós, seria mais interessante montar uma nova usina em São Paulo, em Minas ou noutra região. Mas nós estamos aqui por filosofia. Nós achamos que Acre é uma nova fronteira agrícola e creio que os empresários têm a obrigação de tentar fazer a usina funcionar”, disse.

O empresário vai trabalhar no projeto em parceria com outro líder do setor, o grupo liderado pelo empresário Eduardo Farias, que passa a ser sócio-majoritário do empreendimento. “Nos esperamos chegar a uma produção de dois a três milhões toneladas, que vai representar a auto-suficiência de álcool para o Estado e atender também o restante do país”, disse Eduardo Farias.

Os empresários locais vivem a expectativa de participar do empreendimento, disse o presidente da Federação da Agricultura, Assuero Veronez, porque o governo fez questão de reservar para os empresários acreanos 25% da participação dos negócios. “Os empresários locais, principalmente aqueles que estão envolvidos com o setor produtivo e acreditam num investimento desse porte, estão esperançosos de participar de um empreendimento tão importante que cria enorme confiança no futuro, porque se trata da recuperação de uma indústria fundamental e que vai dar um efeito demonstração muito grande do que faz a agricultura numa região onde ela pode participar com tecnologia e oportunidade de negócios”, disse Veronez.

 
 
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Rio Branco-AC, 16 de outubro de 2005
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
P E S Q U I S A