POLÍTICA

Móveis de Cruzeiro do Sul exportados para a Venezuela

Tradição de trabalhos com madeira é legado dos religiosos

 


Sandra Assunção

A religiosidade, a arquitetura, a marchetaria e a movelaria são marcas deixadas no Vale do Juruá pelos religiosos alemães que chegaram á região na década de 50. Em Cruzeiro do Sul, alguns alunos dos padres, especialmente do Irmão Marcos, se dedicaram á arte da movelaria e hoje o setor se prepara para exportar móveis e portas para uma empresa exportadora com sede na Venezuela. “DE lá provavelmente a empresa vai exportar os móveis e portas para outros países”, explica o presidente da Associação de Moveleiros do Juruá, Hélio Pedroza.

Inicialmente são 760 portas mensais e 20 conjuntos de dormitório e de jantar. As portas são feitas em madeira de lei como o angelim, o marfim o louro e outras. Os móveis são feitos também em madeira de lei com detalhes em fibras de buriti e cipó e a marchetaria. O preço acertado pelas portas varia de R$ 120,00 e R$ 280,00 a unidade. A encomenda foi dividida entre as marcenarias que fazem parte da Associação. A entrega começa em janeiro de 2007.

Um longo caminho - Depois de aprender o ofício de transformar a abundante madeira da região em móveis, alguns alunos dos padres alemães passaram a trabalhar no ramo. Mas a distância entre Cruzeiro do Sul e demais cidades do Acre e a venda de móveis tubulares, desanimaram o grupo e a além disso, as vendas caiam a cada dia. Entre os clientes a principal reclamação era a falta de móveis para pronta-entrega, tudo era feito somente sob encomenda com prazos de entrega não cumpridos.

Em 2003, o Sebrae iniciou um projeto de revitalização do setor moveleiro do Juruá: o primeiro passo foi agrupar todas as pessoas que faziam móveis e formar a Associação dos Moveleiros do Juruá, presidida por Hélio Pedroza, um dos mais antigos alunos dos padres alemães e que desde a década de 60, vende móveis na região.

Oficinas, cursos, seminários e viagens foram garantidos pelo Sebrae e o resultado é medido a cada ano, com a melhoria da qualidade, do design moderno e a elegância que os móveis vêm ganhando. O destaque é a qualidade da madeira, e o acabamento onde a marchetaria e o contraste das cores das madeiras são bem aproveitados. “O curso de design nos deu a noção da estética, do que podemos fazer com cores diferentes, com toques de marchetaria, com as fibras. Mesmo os móveis mais rústicos podemos dar um toque de elegância”, diz Carlos Alberto Alves de Moura, outro moveleiro de Cruzeiro.

Além disso, duas empresas já montaram show roon em Cruzeiro do Sul, garantindo e entrega dos móveis na hora da compra. “Hoje ainda há empresas que só fazem móveis sob encomenda, mas a tendência é que todas tenham móveis para mostra e vender na hora”, esclarece Laiz Mappes, gestora do projeto de móveis do Sebrae em Cruzeiro do Sul.

Outras encomendas - A encomenda de móveis por uma empresa venezuelana, não é a primeira que os moveleiros do Juruá recebem. No início deste ano, uma empresa de Portugal queria beliches e portas, mas o custo da exportação era muito alto. O produto tinha que ser levado até São Paulo e de lá em navios até a Europa. Para a Venezuela, o negócio é melhor porque os móveis e portas seguem de balsa até Manaus no Amazonas e de lá seguem para a Venezuela por estrada. “Nós ainda não descartamos o negócio com a Europa, mas ainda não podemos arcar com os custos da exportação”, esclarece Hélio Pedroza, presidente da associação de moveleiros do Juruá. A Tok Stok, uma rede de lojas de decoração, também se interessou pelos móveis cruzeirenses. Todas as propostas estão sendo avaliadas pela Associação.

Pólo Moveleiro - O avanço do setor moveleiro foi tão grande no Vale do Juruá, que o grupo vai ganhar um pólo moveleiro no Distrito Industrial, que vai ser instalado em Cruzeiro do Sul pelo governo do Estado. O governo do Estado cedeu um terreno para a instalação do Distrito na Estrada da Boca da Alemanha.

A Suframa vai destinar R$ 1,4 milhão para a infra-estrutura do Pólo moveleiro. Está em fase de aprovação no Banco Nacional de Desenvolvimento Social – DNBES – outro projeto de R$ 1,6 milhão para a estrutura coletiva do pólo, como a estufa e a serralheria. E por meio de projetos individuais apresentados ao Banco da Amazônia (F.N.O) , cada empresa vai se instalar no pólo.

Sucesso - A gestora do projeto do setor moveleiro do Sebrae, Laíz Mappes, diz que agora os empresários já deixam dependência de compras de prefeituras e do governo do Estado. E em 2007, a meta é fortalecer mais o projeto. “Acredito que este contrato com a Venezuela vai continuar e ser ampliado. E nós vamos também entrar no mercado de Manaus, vamos participar de feiras e eventos que acontecem lá, porque de Manaus nosso produto pode ganhar o mundo”, finaliza Laiz Mappes.

 
 
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Rio Branco-AC, 16 de dezembro de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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