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| Elson Martins | |
Sonhos de Chico Mendes Célia Pedrina * Em nossos espaços, não há nenhuma foto de Chico Mendes. Em nossas canções, poesias quase não falamos nele. Não temos banner´s em nossas paredes, nem folder´s em nossos arquivos...Mas em nossas contações de estórias, sua vida, seu ideal, seu sonho de um mundo melhor, mais justo, mais solidário, mais humano, nestas sim, a presença de sua ânima é uma constante. “Chico Vive”! para nós. Não é mais uma simples estampa de camiseta, assim com o rosto de Che Guevara já confundido pelas novas gerações como um grande cantor de rock (boliviano? cubano?argentino ou chileno?). Ter na mente e nos corações o sentimento de pertencimento que Chico tinha, para nós é a nossa prática diária, de muita resistência e insistência para continuarmos existindo. São quase 100 crianças, umas tantas moradoras da periferia de Rio Branco e outras mais residentes em um lugar muito importante: área de proteção ambiental!!! APA do Lago do Amapá, já reconhecida até por decreto governamental, mas cobiçada por interesses diversos, por conta da diversidade de suas riquezas. Crianças com idade que variam de 5 a 14 anos e têm a criatividade estimulada quase diariamente, seu lúdico potencializado, sua ingenuidade respeitada e sua grande força de “gerenciadores do futuro” garantida através de algumas atividades. Lá no bairro Wanderley Dantas, elas constroem instrumentos com material da região.Isso não é mais nenhuma novidade, afinal, o projeto existe há mais de 4 anos...Mas cada dia, ao lado de Neiva Nara, de Nilza Cunha, do seu José, do Denilton, elas experimentam sempre o novo, o muito que ainda podem realizar. Elas fazem daquele espaço que os gerentes oficiais de cultura chamam de “ponto de cultura”, a extensão de seus lares. Mas neste ano, no espetáculo final do ano, vão apresentar inovações, pois tiveram aulas de yoga, aprenderam a cantar seu amor à natureza, ao universo através de mantras indianos. Enquanto seus instrumentos continuam reproduzindo o “som da floresta”... Lá na APA do Amapá elas vão trazer como reforço para o espetáculo de final de ano e abertura da semana Chico Mendes, um sanfoneiro da região: Seu Antônio, que também é artesão e tocador de sanfona, uma figura que não cabe em si de alegria por ter conquistado, depois de muitos anos, mais que um pequeno salário daquelas verbas públicas distribuídas pelas leis de incentivo. Seu Antonio agradece o reconhecimento pela sua existência, e repassa seus conhecimentos para a criançada, além de contribuir para a construção dos instrumentos. Também virão de lá cerca de 20 mulheres, mães, adolescentes, jovens solteiras que sob a coordenação incansável e competente da Terezinha, apoiada pela sua eterna auxiliar Marluce, trarão mais de 100 produtos para oferecer à venda, enquanto o espetáculo das crianças se realizará. Sao jogos de cama, banho e mesa - resultado da primeira etapa do curso “costurando o futuro” coordenado por uma outra grande mulher, a “professora Angélica”. Mulher experiente em projetos comunitários e que conseguiu a façanha de manter assiduidade invejável num curso que deveria ter começado em abril, mas que a burocracia (ou quem lida com ela?) emperrou até agosto. Por isso as outras etapas só serão retomadas em abril de 2008, época em que o inverno acreano já terá terminado e elas poderão circular pelos ramais da APA. Poeira? dá para enfrentar. Sem esquecermos de citar a Elmira Farias que não mediu esforços para que a Raimunda Bezerra, outra guerreira, conseguisse realizar o curso sobre direitos humanos e outros assuntos sobre o viver e conviver em comunidade. É através desse resultado, de uma experiência que para muitos é considerada “micro” dentro dos planejamentos, ajustamentos, orientamentos, gerenciamentos oficiais, que os membros da Associação VERTENTE em parceria com os da AMPREA – Associação dos Moradores e Produtores Rurais da Estrada do Amapá têm a consciência de que estão mantendo vivos, os ideais de Chico Mendes. Ele reside em nossos “corações e mentes”. Pra terminar, um eterno agradecimento a todos os grandes amigos que hoje ocupam cargos no governo, nas três esferas e que acreditam em nós, provando isso quando atendem nossos telefonemas, nossos pedidos, nos recebem em seus gabinetes. São gerentes sábios e sabedores que o cargo que ocupam são para atender à comunidade acreana, independentemente do tamanho do Projeto. Aos amigos que atuam na área da imprensa pela divulgação de nossas ações, aqui o agradecimento vai ser ao Elson Martins, que tem registrado em seus arquivos as primeiras fotos da luta de Chico Mendes e seus companheiros, e para nossa honra, todo o nosso trabalho desde os primeiros passos. Será hoje, domingo, lá no espaço cultural do Novo Mercado Velho, depois da corrida. Quem for até lá talvez não se arrependa de ter saído de casa. Um “muito obrigada!” a todos, extensivo aos que esqueci de citar. * Professora aposentada, membro da direção regional do PT CORREIO Conversa acreana na Internet 6/12/2007 Na minha retomada acreana recente, me vi parido e embalado pela cria do Centro de Documentação e Informação Histórica, que depois cresceu, teve atalhos, varadouros e novos rumos. Mas, com a coisa do petróleo, do papo de Indio, os colegas professores Gerson Albuquerque e Elder Andrade me acharam e me chamaram para um Seminário em julho; e agora, para escrever um capitulo do livro que deve ser “comemorativo” dos 30 anos do Centro. Peço a gentileza de lerem o arquivo anexo (deve gastar uma hora e pouco) e, se possível , indicar correções necessárias, datas, nomes, na parte que nos cabe Abração, SEVA (Oswaldo Seva, professor da Unicamp-SP) Caro Seva: Acho que é muito significativo que você faça este resgate/testemunho daquilo que ajudou a construir, tendo sido também personagem. Fiz algumas anotações e até sugeri modificações. Acho importante que o Elson possa contribuir. Com sua permissão (que acho que tenho) estou enviando a cópia que li (e mexi) pra ele também. Tem um pequeno detalhe no teu texto. Eu não virei professor da UFAC, mas trabalhei lá. Fui contratado como assessor e fui nomeado chefe do Serviço de Extensão. Veja algo legal: em 1977 nós organizamos a primeira semana do Índio em Rio Branco, acho que no Acre. Quem promoveu a semana do Índio? A UFAC; O Sesc/Senac (Jaime, Marilene e Álvaro eram as pessoas); a Ajudância da FUNAI (chefiada pelo Carvalho) e o Departamento de Cultura da Secretaria de Educação do governo do Estado, chefiado pelo Gregório Filho. Armamos um tapiri (autêntico!) na quadra da universidade (que ainda funcionava no centro de Rio Branco) enele expusemos os materiais que o Terri (Aquino) tinha trazido dos Caxinauás. Aqui tem história. Terri, enquanto fazia seu trabalho de campo queria retribuir. Propôs que os índios fizessem todo o artesanato que soubessem. Na volta, fretou um avião e trouxe todo o material para Rio Branco. Como o reitor disse que a UFAC não tinha dinheiro para pagar, coube ao velho Lhe pagar 15 mil (da moeda da época) pelo material. Até onde sei, a UFAC jamais pagou ao Lhe! O pagamento foi feito (não lembro se todo ou em parte) em ferramentas e espingardas, munição, etc. Tudo das lojas Farhat. A Nieta (ex-companheira do Terri) catalogou e descreveu todo o material e produzimos uma publicação intitulada “Cultura Material dos Caxinauas”. Em mimeógrafo! como se fazia na época. Até hoje tenho cópia desta publicação. Este material passou a fazer parte do acervo do Centro de Documentação Histórica. Para essa Semana do Índio nós trouxemos a peça Ajuricaba, de Márcio de Souza, que veio junto e foi um acontecimento em Rio Branco. Esta estória se liga com aquele abaixo-assinado que você fez e eu assinei quando cheguei na Paraíba. Esta conexão precisaria de maiores precisões. Uma tarefa para nós mesmos... Mas, até onde percebo, o Terri estava sendo procurado pela Polícia Federal por ter armado os índios. Esta era a acusação. E as armas eram as espingardas, foices e terçados que o Lhe tinha dado em pagamento (no lugar da UFAC). Diga-me se não faz sentido? A carta que você redigiu era direcionada ao Geraldo Mesquita, governador do Acre. Assinamos: Nabil, Aloisio, Deise, Álvaro, etc. De 25 a 30 pessoas. Todos que estávamos em JP naquele momento. Haja estória, amigo velho. Precisamos botar tudo isso no papel. PS: Ao falar na abertura da semana do índio, ao lado do Aúlio Gélio, eu já estava vetado pelo SNI para trabalhar em Universidade. Imagine: eu ali ao lado do Reitor (que em sua fala tecia elogios públicos ao meu trabalho) quando ele era o instrumento da inviabilização da minha permanência na UFAC! Foi por isso que vim para a Paraíba. Tremo de emoção ao lembrar deste fato. Mas, esta é uma outra estória que também precisa ser bem contada em outra oportunidade!.Abração,
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