| OPINIÃO | ||||||
| MIOLO DE POTE | ||||||
Marcos Vinícius Neves |
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1882-2007 (II) Nesta semana daremos continuidade à história de Rio Branco iniciada no domingo passado. Agora é hora de vermos como se deu a ampliação da área da cidade através da ocupação das terras do Primeiro Distrito, tornando Rio Branco uma cidade atravessada pelo rio Acre. Uma realidade que passaria a marcar o cotidiano de todos os seus moradores daí por diante.
2º Período – 1909 / 1940 – Uma cidade dividida Esse período da história da cidade possui alguns marcos fundamentais de diferentes naturezas. Seja no que diz respeito aos seus aspectos econômicos devido ao fim do ciclo da borracha, a partir de 1913, seja em relação ao seu papel político já que Rio Branco se tornou a capital de todo o território a partir de 1920, seja no que se refere a ampliação de sua malha urbana pela incorporação de uma grande área de terras da margem esquerda do rio Acre já a partir de 1909. Portanto, a definição de fases que unifiquem as diversas características deste período é mais difícil que em relação ao período anterior. Como já vimos, até 1908, a Villa Rio Branco, sede do Departamento do Alto Acre, estava totalmente situada na margem direita do rio Acre. Uma área plana e favorável à abertura das primeiras ruas, entretanto, muito baixa e alagável na época das cheias do rio. Além disso, por trás do alinhamento de casas do povoado a floresta foi gradativamente sendo substituída por uma área de pasto para abrigar o comércio de gado trazido da Bolívia que, como já vimos, foi muito importante para Rio Branco. Essas características topográficas, somadas às questões políticas suscitadas pela luta autonomista que vinha sendo travada no Território Federal do Acre, levaram ao questionamento da posição de capital do Departamento desfrutada por Rio Branco e deram origem a diversas tentativas de mudança da sede departamental. Em 1909, em meio a um conturbado contexto político, que resultou inclusive no assassinato de Plácido de Castro, o Prefeito Departamental do Alto Acre Cel. Gabino Besouro decidiu tomar uma parte das terras do Seringal Empreza situado na margem esquerda do rio Acre, defronte à Villa Rio Branco. E nestas terras definiu um novo arruamento que começando na margem do rio seguia até o limite da atual avenida Ceará. Nestas terras altas da margem esquerda Gabino Besouro quis fundar uma nova cidade chamada Penápolis, em homenagem ao presidente Afonso Pena, que passaria a se constituir na nova sede da Prefeitura Departamental do Alto Acre. Entretanto, não havia como ignorar a Villa Rio Branco, do outro lado do rio, com toda sua pujança comercial e social. Por isso, já em 1910, os dois lados da cidade foram unificados. Penápolis passou a se constituir então apenas como mais um bairro da agora “cidade” de Rio Branco situada em ambas as margens do rio Acre. Desde então foi estabelecida a infra-estrutura oficial do governo territorial em Penápolis que por isso passou a ser denominado 1º Distrito, em contraposição ao lado mais antigo da cidade que passou a ser chamado de 2º Distrito. Ou, como já se escreveu, uma cidade dividida entre o lado oficial e o lado comercial. Nem o acirramento dos movimentos autonomistas, nem a crise da borracha instalada a partir de 1913, foram suficientes para alterar significativamente o papel econômico e político de Rio Branco no contexto acreano. Pelo contrário, nesta época se consolidou o predomínio desta cidade frente às outras cidades acreanas que, com a exceção de Xapuri, eram bem mais novas. Tanto assim que na reforma administrativa de 1920, que extinguiu os quatro Departamentos em que se dividia o Território, coube a Rio Branco a primazia de se tornar a capital de todo o Território Federal do Acre unificado. Com isso, Rio Branco garantiu maiores investimentos oficiais em relação aos outros povoados, cidades ou municípios acreanos, o que a traria, entre outras coisas, até a atual condição de concentrar metade de toda a população do Acre. Tendo em vista que nosso principal interesse nesse artigo é tentar compreender a dinâmica da formação urbana, podemos vislumbrar duas fases para este período da história de Rio Branco, a saber: 1ª Fase – 1909 / 1930 –consolidação de Penápolis pela ocupação da malha urbana planejada entre o rio Acre e a avenida Ceará; 2ª Fase – 1931 / 1940 – estagnação da expansão urbana tanto no 1º Distrito (ex-Penápolis), quanto no 2º distrito da cidade. Ou seja, a partir de 1909, com a abertura das primeiras quatro ruas (Epaminondas Jácome, Benjamin Constant, Marechal Deodoro e Getulio Vargas, para identificá-las pelos nomes atuais) começou um longo e lento processo de ocupação de lotes urbanos até o limite da atual avenida Ceará. E, além dessa estreita faixa urbana, entre 1909 e 1913, foram abertas três colônias agrícolas nas imediações da região atualmente conhecida como Sobral. Por outro lado, a área urbana do 2º distrito não tinha como se expandir pela presença de muitos terrenos baixos e alagadiços e de áreas particulares ocupadas por pastos. Por outro lado, está parte da cidade desfrutava de grande vitalidade econômica, social e cultural devido à força de seu comércio dominado por portugueses, espanhóis e sírio-libaneses. Pelo menos até que a grave crise da borracha lançasse Rio Branco e o Acre num difícil período de estagnação econômica e social. Só no final da 1ª Fase deste período, entre 1927 e 1930, a cidade de Rio Branco conheceria uma época de grandes mudanças urbanas com o Governo Hugo Carneiro. Esse paraense implementou um programa de construção de grandes prédios de alvenaria que mudaram a paisagem da cidade. Sob o signo da modernização foram erguidos o Mercado Municipal na beira do rio, o Palácio Rio Branco, o Quartel da Polícia, a Penitenciária (atual prédio da Prefeitura Municipal) e o Stadium do Rio Branco situado no limite da cidade, que acabava na atual avenida Ceará. A partir de 1930, a organização espacial de Rio Branco permaneceria basicamente a mesma por toda a década se restringindo a um relativo adensamento da área urbana já ocupada. Entretanto é possível registrar o lento crescimento da área de influencia da cidade sobre as terras do antigo Seringal Empreza que ainda não haviam sido desapropriadas e limitavam a expansão da cidade para além do limite estabelecido pela avenida Ceará. Um crescimento que se dava sob a forma de arrendamento dessas terras - que pertenciam à Isaura Parente (herdeira do velho Seringal Empreza) e eram administradas por Manoel Julião - para os milhares de ex-seringueiros desencantados com a crise da borracha e queriam tentar a sorte como agricultores. Notas do tempo: - O pessoal do IPHAN-Acre, coordenados por Fernando Figali e arqueólogos da equipe de Eduardo Neves estão no Juruá realizando o salvamento de urnas arqueológicas e de educação patrimonial com os moradores da área de ocorrência dos dois sítios recentemente localizados. - Esta semana fui honrado pela Câmara de Vereadores de Rio Branco com o titulo de cidadão rio-branquense, algo que muito me orgulha e que guardarei com o mesmo carinho que tenho pelo título de cidadão acreano que recebi em 2005. Muitos podem até dizer que se trata apenas de uma formalidade, mas é difícil para um acreano avaliar a importância que esse reconhecimento tem para os que não nasceram fisicamente aqui, mas amam incondicionalmente essa terra. Agora posso dizer aos meus três meninos João, Yago e Vinicius que sou acreano de Rio Branco como eles. E por isso quero agradecer imensamente não só ao vereador Marcio Batista, autor de minha indicação, como a todos os outros vereadores. - Continuo tentando uma entrevista com a Cobra Grande da Gameleira sobre os acontecimentos que ela presenciou nos últimos 125 anos, mas a bicha é arredia mesmo. |
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