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Arte & Negócios Projeto Comprador promove encontro de artesãos acreanos com as principais lojas de decoração do Brasil |
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Representantes de 21 lojas de decoração de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Pernambuco e do Acre vieram ver e fazer negócios com os 23 artesãos dos vales do Acre e Juruá que apresentaram seus produtos nesta segunda edição do Projeto Comprador, realizado nos dias 10 e 11 deste mês, no pátio da Escola da Floresta. Objetos decorativos em madeira torneada, cascas de coco, cupuaçu e ouriços de castanha, em fibras buriti, junco, cipó titica e arumã desenvolvidos pelos artesãos sob a orientação da equipe técnica do projeto. Aldemar Maciel o coordenador do projeto de desenvolvimento do Artesanato do Acre pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-Ac) explicou que: “O objetivo principal deste projeto é proporcionar uma aproximação entre artesãos e lojistas de todo o país para criar um ciclo de negócios que sejam continuados aumentando sua renda e estimulando a melhoria da qualidade e volume da produção artesanal”.
O projeto comprador idealizado pela equipe do Sebrae do Acre promove junto aos artesãos um acompanhamento comportamental de estímulo ao empreendedorismo, ao mesmo tempo em que oferece treinamentos e clínicas para a melhoria da qualidade e o desenvolvimento de novos produtos que atendem às necessidades e ao gosto dos consumidores, qualidades fundamentais buscadas pelos lojistas. Ao mesmo tempo, o encontro de artesãos e lojistas transforma-se na oportunidade de avaliar acertos e erros que venham sendo cometidos, bem como as correções necessárias para atender as tendências do mercado. “Esse feedback entre vendedores e compradores dizendo o que gostaram e até sobre o que buscavam e não encontraram, permitem realizar um aperfeiçoamento permanente do projeto”, garante Aldemar. A vez primeira - Ângela Maria Araújo Felício sempre desenvolveu seus mosaicos utilizando pedaços de ladrilhos, azulejos, cerâmica, vidros e até ossos, mas agora participando de sua primeira rodada de negócios pelo projeto comprador, ela desenvolveu novas peças. “O treinamento e as clinicas de design me fizeram ver que precisamos valorizar a matéria prima e nossa identidade regional. Por isso, pela primeira vez criei meus trabalhos utilizando resíduos de madeira das marcenarias. E, além da satisfação de ver o resultado, já no primeiro dia da rodada fechei negócios com a loja Mão de Mestre e recebi encomendas de porta chaves da Casa da Vila”. Já o artesão Paulo Sérgio da Silva que participa do projeto pela segunda-vez, produzindo pacas, antas, capivaras e outros animais utilizando cascas de cupuaçu, além de tartarugas e tracajás usando quengas de coco, lembra que. “Na rodada de negócios do ano passado fiz vendas para as lojas cores do Brasil, Tok & Stok, Brasil Amazônia. Os treinamentos ajudam a aperfeiçoar nosso trabalho e a forma de negociar, tanto que agora fechei negócio com a loja Alma Brasileira”. Ao gosto do cliente - Georges Vassiliou representante da loja Cores do Brasil vem pela primeira vez ao Acre, mas esclareceu que nascido no Pará, seu retorno à Amazônia vem carregada pela saudade da infância. “Minha irmã esteve aqui na rodada do ano passado e pelo que vejo os produtos do Acre agora estão melhores. Isto é fruto de um processo que vai amadurecendo e se aperfeiçoando com o tempo. A chave para atender o gosto dos clientes está em produzir algo que dê prazer aos olhos, ao tato e aroma, ou seja, algo que nos complete.” Dona Maria da Glória, que observando utensílios comprados pelo pai aprendeu sozinha arte de produzir cestas e miniaturas em cipó titica, esclareceu que já expôs duas vezes na Expoacre Juruá, mas só agora deixou as margens do igarapé Esquerdo na comunidade Nova Cintra, Município de Rodrigues Alves no Vale do Juruá, para participar da rodada de negócios. “Meu trabalho é simples, mas é feito com capricho. Gostei muito do treinamento que deram pra gente porque assim aprendi a valorizar mais o meu trabalho, também conheci muita gente, isso é bom. Lá na colônia minha vida é cuidar do roçado de macaxeira, fazer farinha, plantar milho, feijão, minha diversão é mesmo o artesanato que faço com gosto”. Mestre em marcenaria, o artesão peruano, Genaro Solsol aproveita a oportunidade criada pela rodada de negócios para divulgar seu trabalho. “Minhas peças são trabalhadas no torno, assim produzo potes, castiçais e outros objetos que buscam preservar a harmonia das formas enquanto põe à mostra a beleza de nossas madeiras como a aroeira e teca reflorestada. Os compradores gostaram e assim os negócios estão começando a acontecer”. Fazendo arte, respeitando e transformando vidas - Rio Branco, capital do Estado do Acre, localizado na Amazônia Ocidental, cercada pela selva e de clima quente e úmido, com potencial econômico de produtos florestais não-madeireiros, o município passou a ser conhecido como uma forte alternativa de renda e diversificação da produção florestal na região amazônica. Foi nessa cidade que nasceu, em 1969, Márcia Silvia de Lima, descendente de paraenses e cearenses. Com 23 anos, Márcia casou-se com Justino Dantas de Bessa e teve três filhos. A vida da família foi cheia de desafios, mas sempre superados pela vontade, garra e persistência de Márcia. Em 1998, por questões financeiras, Márcia encerrou a empresa que possuía com seu marido e, juntos, começaram tudo de novo. Para isso, Márcia tentou descobrir em si mesma uma solução para o problema do sustento da família através do artesanato, visto que era o que melhor sabia fazer. Desafios: em busca de novas oportunidades - Estado do Acre, localizado na região norte do país, tinha em 2006 uma população estimada de 686.652 habitantes, estabeleceu Rio Branco como sua capital, com 314.127 habitantes, sempre teve como maior empregador o próprio Estado (SEPLANDS, 2006). Filha de mãe paraense e pai cearense, nascida em novembro de 1969, Márcia e seus quatro irmãos tiveram uma vida economicamente estável em família em Rio Branco. O pai, topógrafo, funcionário da União, e a mãe, do lar, procuraram repassar aos filhos ensinamentos e valores que fizessem com que trilhassem por caminhos estruturados através de seus próprios esforços. Márcia foi uma menina astuciosa e muito voltada para a arte. Ainda criança aprendeu desenhar, pintar e bordar observando a mãe. Aos 13 anos, Márcia já ganhava dinheiro na escola atendendo as encomendas de desenhos, faixas, bordados etc. Mulher de fibra, garra e perspicácia - Em outubro do ano de 1992, Márcia casou-se com Justino Bessa, gerente de uma padaria, que, com sua ousadia e espírito empreendedor, logo passou a ser dono de seu próprio negócio. O casal buscava uma vida estável e, enquanto Justino cuidava da empresa, Márcia ajudava na renda familiar ministrando aulas de artesanato para mulheres carentes num bairro periférico da cidade. Em 1998, devido sua empresa estar com dificuldades financeiras e gerenciais, se viram obrigados a vender tudo para quitar as obrigações e encerrar a empresa. Contudo, Márcia, uma mulher de fibra e de uma inquietação desmedida, como sempre, teve no artesanato a sua grande paixão e ainda, com a sua veia empreendedora se viu diante do desafio de montar o seu próprio negócio para dar o sustento da sua família. Artesanato através do trabalho mutuo - Devido a seu conhecimento de fazer artesanto usando o buriti como matéria-prima, Márcia foi convidada, em 2003, pela Fundação Bradesco para ministrar cursos de artesanato para mulheres carentes dos bairros próximos à Fundação. Ao ministrar esses cursos, percebeu que elas aprendiam as técnicas de maneira rápida, mas não via despertar nelas o interesse empreendedor. Em 2004 surgiu um grande desafio: produzir bolsas encomendadas pela Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, do Rio de Janeiro. Para dar conta do pedido, durante um mês, Márcia e suas amigas receberam orientação de um designer carioca sobre o processo de confecção das bolsas, o que lhes garantiu atenderem o pedido. Coincidência ou não, naquele ano a Escola foi a campeã do carnaval. Motivadas a continuar produzindo, recorreram ao Sebrae-AC, onde receberam orientações e capacitação empreendedora para saber gerir negócios e pessoas. No mesmo ano, decidiram montar um empreendimento e para conseguir o capital necessário, enfrentaram um outro desafio: passaram a produzir e vender sanduíches. O sucesso foi tanto que após dois meses já possuíam a quantia necessária para comprar equipamentos (máquinas beneficiadoras de sementes) e matéria-prima que precisavam para iniciar a produção do artesanato. Em 2005, Márcia fundou a Associação Acreana Buriti da Amazônia, composta de dezoito pessoas que produziam biojóias e utilitários decorativos. A associação cresceu e Márcia e seus associados passaram a participar de vários eventos. Em 2006 participou de feiras em Curitiba e em Porto Alegre, avançando para Brasília e São Paulo. No mesmo ano, os associados tiveram a oportunidade de estar num evento de artesanato em Puerto Maldonado, no Peru e em Pando, na Bolívia. União, compromisso e responsabilidade - Márcia resolveu buscar no buriti (palmeira nativa de médio porte, da qual tudo se aproveita - folhas, talos, palhas e sementes) um novo conceito de vida vendendo artesanato com a produção de biojóias. Na sua associação todos tinham o compromisso e responsabilidade de buscar a matéria-prima, conscientes do respeito à natureza e ao meio ambiente: “Temos que ter consciência e conservação do que precisamos, pois pretendemos passar de pais para filhos, de geração em geração”. Ações que não podem parar - Márcia destaca que seria preciso capacitar-se continuamente e, consequentemente, manter o nível de investimento para que houvesse uma continuidade do empreendimento, que surgiu com espírito de luta e desafios. Nasceria, então, uma visão das associações locais e um sonho em busca da criação de uma cooperativa. Esses elementos teriam que ser considerados para garantir a ampliação das perspectivas de negócio, em face de demanda local, nacional e internacional, bem como a persistência e garra das pessoas envolvidas. |
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