| AMAZÔNIA | |
| Saúde libera recurso para o Croa Comunidade quer transformar lugar em reserva ambiental e criar centro para resgatar e preservar saber dos povos da floresta |
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O centro de saberes ecológicos para resgatar conhecimentos dos povos da floresta, proposto pela Associação dos Seringueiros Agro-extrativistas da Bacia do Rio Croa e Alto Alagoinha (Asaebrical) e o Centro Medicina da Floresta (CMF), foi inserido dentro do projeto de criação da Universidade da Floresta e ganhou apoio do Ministério da Saúde, que liberou R$ 103 mil para iniciar o processo de implantação do Centro de Formação e Educação Ambiental Integrada dos Povos da Floresta . A expectativa do secretário geral de planejamento da Asaebrical, Davi de Paula, que articulou o projeto em Brasília, é de que até o final do ano o centro seja implantado no Vale do Juruá. O recurso já foi liberado e será investido na realização do curso de formação de 35 agentes de saúde sobre medicina da floresta e educação ambiental, voltado especialmente aos moradores da bacia do rio Croa e Alagoinha, localizado no quilômetro 60 da BR-364, no município de Cruzeiro do Sul. Durante cinco meses, de fevereiro a junho, índios, seringueiros, ribeirinhos, produtores rurais e extrativistas aprenderão técnicas de manipulação das ricas espécies medicinais da região para fabricação de remédios. O curso vai ser realizado no rio Croa e sua base é o laboratório do Centro de Medicina da Floresta, instalado na comunidade Nova Era. Todavia, ocorrerá de forma itinerante, onde teoria e prática vão andar de mãos dadas e os futuros agentes de saúde da floresta irão atender aos moradores da região. Sociólogos, biólogos, antropólogos e médicos trabalharão juntos com os coordenadores do CMF, Antônio Francisco dos Santos e Maria Alice, na orientação do curso. Cada aluno terá uma bolsa no valor de R$ 150 mensais para auxiliar na despesa da família, pois ficarão fora de casa no período das aulas. “O objetivo é revitalizar a sabedoria popular e colocar à disposição da sociedade. E incentivar a sistematização dos conhecimentos tradicionais dessas comunidades”, afirma Davi de Paula. Ele acredita que a formação dos agentes fortalece a criação do centro de saberes, que tem respaldo de fortes instituições municipais, estaduais, federais e privadas, como o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), União das Nações Indígenas do Acre, Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Sebrae, entre outros. O projeto, orçado em R$ 835.280,30 foi encaminhado ao Ministério do Meio Ambiente, ao Ministério de Cultura, ao Ministério da Educação e Fundação Banco do Brasil. EMBRIÕES - Os agentes de saúde da medicina da floresta serão multiplicadores dentro de suas comunidades. A idéia, segundo Davi, é que nasça vários embriões do Centro de Medicina da Floresta e que essas pessoas façam atendimento em suas comunidades. O CMF faz parte de um projeto denominado Saúde Nova Vida. Trabalha na fabricação de remédios medicinais e florais há três anos, usando a matéria-prima de mais de 100 espécies medicinais, cujo uso dos medicamentos é somente para distribuição aos moradores. A idéia nasceu em virtude do alto índice de doenças como malária, hepatite e verminose. Então, Antônio Francisco dos Santos, o seu Francisquinho, que herdou conhecimentos da força das plantas para a cura de muitas doenças dos pais, juntou mais 12 pessoas e começara a fazer antídotos contra malária, hepatite e verme. E depois, em forma de mutirão, foi construído um pequeno laboratório de paxiuba para a manipulação dos remédios. “Hoje ninguém aqui morre de malária e hepatite”, garante Francisquinho. Reserva de Proteção
Ambiental Paralelo ao estudo do Ibama, técnicos do Instituto Nawa, contratados pela Ong internacional WWF, trabalharão na mobilização junto aos moradores para traçar estratégias da legalização fundiária, bem como proposições finais para a regularização da reserva de proteção ambiental, que deve ser decretada ainda este ano. Santuário ecológico ameaçado É um lugar de beleza rara, com formação de lagos e campinas e rica biodiversidade de flora e fauna. Lá se tem o privilégio de assistir a metamorfose da vitória régia, a estrela das águas que à noite abre suas pétalas rosadas para receber a luz da lua e ao final do dia transformar-se nas enormes folhas arredondadas que emolduram as águas pretas do rio Croa, tornando-as ainda mais bonitas. Cerca de 300 famílias moram às margens do Croa e Alto Alagoinha, sobrevivendo da agricultura. Dizem que a pesca está escassa devido a ação intensa de invasores, os quais os moradores atribuem também a razão da cerração do rio, cujo leito está sendo tomado pela pasta e outras tipos de mata da região de lagos. Ocorre que como há cerca de cinco anos o rio Juruá não teve grandes alagações e a comunicação direta do Croa com o Juruá foi obstruída, as matas vão se entulhando, pois não existe correnteza para despejá-las novamente no rio Juruá. Isso está preocupando os moradores, que temem serem obrigados a sair para morar nas margens da BR. Acreditam que a solução imediata é a limpeza do Croa, para pelo menos facilitar a navegação. Entretanto, afirmam que o ideal é desobstruir o acesso com o Juruá. “Mas para isso a gente precisa de apoio para comprar combustível e alimentação para fazermos um mutirão de limpeza, que vai levar no mínimo uns quinze dias. Só que não temos condições de arcar com essas despesas”, diz o presidente da Asaebrica Gean Carlos. Segundo ele, há um projeto encaminhado ao Governo do Estado para financiar o mutirão. |
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