COTIDIANO

Encontro discute a evolução da mulher nas aldeias

 


Começou ontem, no auditório do Centro de Treinamento da Diocese de Rio Branco, o II Encontro de Mulheres Indígenas do Acre e Sul do Amazonas com o tema “Nosso rosto, nossa identidade. Sermos diferentes não é sermos inferiores”. Durante quatro dias 58 lideranças vindas de diversas partes da região irão discutir a evolução da mulher indígena nas aldeias, sua participação ativa0 nas questões políticas, saúde, educação dos filhos e valorização e organização social como um todo.

Algumas delas tiveram que viajar até seis dias de seus municípios de origem, com é o caso das representantes da aldeia Mamoadade – povo Manchineri - Alto Acre, Assis Brasil; Kaxinawá do Breu, Marechal Taumaturgo e Kulina - aldeia Kanamari - Santa Rosa do Purus. O encontro também terá a participação da conselheira indígena do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), Dirce Kaxinawá e Rosimeire Arapasso, da Coordenadoria das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), além de uma advogada indígena e representante do Grupo de Mulheres de Roraima. Com o objetivo de garantir maior integração, os líderes homens das aldeias também foram convidados a participarem das atividades e dar sugestões de melhoria.

O plano de ação discutido aqui será apresentado no encontro nacional em Brasília, no final de março onde estarão presentes líderes dos povos indígenas dos demais estados do país.

Os responsáveis pela organização do evento são o Grupo de Mulheres da UNI/AC, Secretaria Extraordinária da Mulher, Movimento Articulado da Amazônia (MAMA) e Rede Acreana de Mulheres e Homens que apostam no sucesso do evento. Segundo a maioria, atividades como essa só se tornaram possíveis por causa da união das instituições governamentais e não-governamentais, que olham essas nações sob ótica diferente e defendem a parceria sem interferir em seus costumes.

“Vamos tirar daqui o nosso plano de ação a ser desenvolvido nas aldeias, além de discutir propostas de revitalização da cultura material e a importância da participação da mulher na liderança dos povos”, explicou Miralda da Silva Lopes – Apurinã – coordenadora do Grupo de Mulheres Indígenas do Acre e Sul do Amazonas/Noroeste de Rondônia. A representante Letícia Yawanauá, disse que espera a partir de agora maior clareza de entendimento junto à liderança masculina nas tribos. Ela garantiu ainda que muita coisa vem mudando e vários tabus já foram extintos nos últimos anos. Maria do Carmo Calixto, da tribo Kaxinawá disse que os resultados positivos beneficiam todas as mulheres que indistintamente torcem pela valorização feminina.

 
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Rio Branco-AC, 17 de janeiro de 2004
   GIRO GERAL
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Com Ancelmo Góis
 
 
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